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segunda-feira, 20 de junho de 2011

2586) Ronaldo Fenômeno (18.6.2011)



Ronaldo Fenômeno despediu-se da Seleção Brasileira, mas não do futebol. Ao falar para a torcida que assistia o jogo no Pacaembu, ele disse: “Até a volta, mas não dentro de campo”. Jogador que abandona os campos sempre procura um jeito de não abandonar o futebol. A primeira opção de muitos, claro, é virar técnico. Temos jogadores medianos que se tornaram bem melhores como técnicos: aí estão Wanderley Luxemburgo (Flamengo), Abel Braga (Fluminense), Felipão (Palmeiras) e tantos outros. Craques que se tornam técnicos têm carreiras mais problemáticas, porque se espera que eles façam como estrategistas o que fizeram como atletas: Zico e Maradona são dois exemplos. Será que Ronaldo vai se tornar um cartola, como provavelmente será o caso do futuro presidente do São Paulo, Rogério Ceni? Duvido. Ronaldo não tem perfil para isto, e tudo indica que se tornará uma figura de relações públicas e de propaganda, pelo seu carisma de simpatia, acessibilidade, bom mocismo.

A discussão recente era se Ronaldo poderia ser comparado a Pelé. Acho que a única coisa em comum entre eles é o fato de que foram grandes artilheiros em Copas. Pelé era um jogador completo, talvez o mais completo de todos os tempos, o jogador que era craque em praticamente todos os fundamentos. Ronaldo não foi um craque completo. Era um artilheiro, com enorme visão de gol e precisão ao bater na bola, e acima de tudo um jogador de arranque extraordinário, como o provam os numerosos gols (consultem o YouTube, ou a memória) em que ele parte do meio do campo, perseguido por uma alcatéia de zagueiros que tentam tomar-lhe a bola, e consegue levá-la ao fundo das redes. Saber entrar na área em velocidade com a bola, sem ser desarmado, é uma virtude cada vez mais rara no futebol de hoje (ninguém, hoje, faz isto melhor do que Lionel Messi). Era um dos pontos fortes de Ronaldo, que parecia capaz de dar a volta à arquibancada do Maracanã com a bola nos pés sem que ninguém da torcida conseguisse roubá-la.

A agilidade do começo da carreira, quando era magrinho, foi destruída pela preparação física que o tornou um gladiador musculoso. E que destruiu sua carreira, porque seus tendões e ligamentos não suportaram aquela massa muscular. Seu auge foi no período entre o Barcelona (1996-97), Inter de Milão (1997-2002) e Real Madrid (2002-2007).

Além de ser um goleador fantástico e ter jeito de menino bom, Ronaldo ganhou o amor da torcida pela impressionante recuperação entre as Copas de 1998 (quando sua misteriosa convulsão desarmou o Brasil no jogo final) e 2002, quando, contra as expectativas de muitos que o deram como acabado para o futebol, não somente jogou, como foi o artilheiro da Copa e deu o título ao Brasil. Foi um daqueles jogadores que fazem o estádio inteiro ficar de pé quando eles recebem a bola, porque naquele instante tudo pode acontecer. Não pode haver homenagem maior do que esta.

terça-feira, 6 de abril de 2010

1875) Ronaldo Lero (13.3.2009)



Uma das melhores coisas do futebol é o fato de ser ele um pequeno laboratório de experiências mitológicas cujo arco de começo-meio-fim se dá em poucas décadas ou mesmo poucos anos, ao contrário das mitologias da História, as quais geralmente precisam de longos prazos de consolidação. Um jogador bem sucedido tem em média vinte anos de atividade, digamos dos 15 aos 35 anos. Nesse período, criam-se os grandes mitos do esporte, as grandes lendas, os grandes episódios, os momentos únicos (conquanto banais) que nos dão o orgulho de um dia dizer aos netos: “Meninos, eu vi!”

Domingo passado eu estava em São Paulo na tarde do jogo Corinthians x Palmeiras que marcou a estreia de Ronaldo Fenômeno diante da torcida corintiana, mesmo que num desses jogos canhestramente desviados para uma cidade interiorana qualquer – no caso, Presidente Prudente. O Palmeiras ganhava de 1x0. Ronaldo entrou, com aquela barriguinha de peladeiro de fim de semana, mas fez umas duas jogadas de arregalar os olhos, e aos 47 do segundo tempo enfiou um gol de cabeça.

Eu estava ao computador, trabalhando, nem me lembrava desse jogo; mas o clamor que se ergueu na capital paulistana me fez correr à janela com a impressão de que de repente estávamos numa Copa do Mundo e tinha sido gol da Seleção Brasileira. Pistolas-de-7-tiros pipocavam, havia um alarido unânime nos quatro pontos cardeais, e na sacada de um prédio vizinho surgiu um cidadão mais gordo do que o ídolo, esgoelando-se: “Ronaaaaaaldoooo!” E só então eu percebi o que tinha acontecido e liguei a TV, ainda a tempo de vê-lo, sacudindo o alambrado, todos os dentes de fora, eufórico como um menino que faz seu primeiro gol.

Claro que desde então não há outro assunto no futebol brasileiro. Os momentos históricos que Ronaldo já nos presenteou dariam um livro de crônicas e dois álbuns de fotos. Lembro-me de ter visto ao vivo, numa tarde de meio de semana, o momento em que seu joelho estourou num jogo da Inter, durante uma arrancada rumo ao gol, projetando-se para fora como se fosse uma miniatura de Alien, o Oitavo Passageiro. Vi os gols fenomenais, vi o misterioso amarelão da Copa de 98, vi a ressurreição brilhante na Copa de 2002... E agora vi o gol pelo Corinthians, que talvez fique por isso mesmo, mas bastaram esse gol e essa tarde para nos dar de novo aquela vertigem do “impossível acontece” que somente os grandes craques nos proporcionam.

Jornais italianos ironizaram: “A enésima ressurreição de Ronaldo”. Podem rir, “compagni”! Vossas redes não perdem por esperar. Só quem ressuscita “n” vezes são os mitos da estirpe do Rei Artur, de Lampião, de Ulisses. Dados dez vezes por mortos, erguem-se flamejantes e invulneráveis do lugar de onde menos se espera. Ronaldo está gordo, rico, vive na balada, bebe, fuma, falta ao treino. Mas o Mito nele não se esgotou, e a História ainda há de se curvar, outras e outras vezes, à sua presença, e seguirá na direção em que ele for.

quarta-feira, 17 de março de 2010

1800) As Ligações Perigosas (16.12.2008)



O Marquês de Flammand era um dos homens mais cobiçados da corte parisiense, notório conquistador, famoso pelas beldades que fizera sucumbir aos seus encantos e ao poder de sua fama. Era o homem por quem suspiravam as moças em flor, as balzaqueanas em pleno viço da experiência, e também (por que não?) as damas casadas a quem apenas o vínculo sagrado impedia de se arrojarem aos pés do Marquês, ou, melhor ainda, de lhe abrirem às escondidas a porta de seus aposentos, na calada da noite.

O Marquês colhia a seu bel-prazer as flores púberes que se entreabriam para sua cobiça, mas não tinha pensamentos senão para a mais distante delas. Ironicamente, Mlle. Nazarin era uma “cria” de seus próprios domínios, no Vale do Loire, onde crescera ouvindo elogios rasgados à sua beleza. Alimentava o sonho (incentivado pelas damas maduras de sua família) de que nascera para o Marquês, estava destinada a ser A Última, “aquela”, dizia-lhe sua mãe, “que o fará esquecer todas as outras, e lamentar o tempo que desperdiçou beijando outros lábios que não os teus”.

Por uma guinada do destino, Mlle. Nazarin, aos dezoito anos, partiu para a corte holandesa, servindo de dama de companhia a uma prima. E foi nos salões dos Países Baixos que sua beleza floresceu e sua fama se espalhou, com uma série de romances tórridos, em rápida sucessão, com os fidalgos mais poderosos daquele tempo. Na corte de França crescia o orgulho de que fosse francesa “a mulher mais bela da Europa”, como afirmavam as calejadas damas da corte, diante de cujos olhos já tinham desfilado gerações e mais gerações de rostos e de silhuetas.

Eis que, após sua rumorosa separação de um nobre italiano, Mlle. Nazarin retorna a Paris, sendo recebida com todas as honras. Ainda desperta o alvoroço dos cortesãos de Versalhes: qual dos seus conterrâneos será o felizardo a desfrutar dos seus atributos? O Marquês de Flammand, ainda rico e vigoroso, apesar de grisalho, faz-se anunciar, freqüenta-lhe as recepções, comparece aos bailes em sua mansão, galga de degrau em degrau a sinuosa escada da conquista.

De repente, escândalo! Corre a notícia de que o Marquês surpreendera Mlle. Nazarin em pleno colóquio amoroso com o Duque de St. George, aventureiro de origem britânica, notório pelos seus gastos insensatos e suas alianças escusas. Ofendido, o Marquês de Flammand recua. Nos salões da corte, declara que mesmo traído abdicará da paixão de toda uma vida, e que não criará obstáculos à felicidade do casal. St. George desposa Mlle. Nazarin e a conduz em festa para seus domínios. Mas... em confidência aos amigos, o Marquês confessa ter constatado “in loco” que o estado físico da beldade já não era o mesmo, e que o rival caiu-lhe do céu, para livrá-lo de uma tremenda duma sinuca. (ERRATA: Onde se lê “Marquês de Flammand” leia-se “Flamengo”, onde se lê “Mlle. Nazarin” leia-se “Ronaldo”, onde se lê “Duque de St. George” leia-se “Corinthians”. Obrigado.)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

1625) A aparente facilidade (28.5.2008)




Uma das pedras-de-toque para a gente reconhecer a Grande Arte no meio de inúmeras coisas mais ou menos boazinhas é que a Grande Arte, paradoxalmente, dá a impressão de ser uma coisa muito mais simples, que brota quase espontaneamente. 

Existe uma aparente facilidade no modo como o artista faz o que faz. Grande parte da beleza do resultado nasce da fluidez com que as coisas acontecem, quando se trata de uma das artes que ocorrem no Tempo, como o cinema ou a música. Tudo ocorre sem solavancos e sem rodeios, como se aquela fosse a única maneira possível das coisas terem acontecido, mesmo quando nos reservam surpresa e reviravoltas. Tudo parece inevitável, necessário, conseqüente. 

 No caso das artes estáticas, como a pintura e a escultura, temos a impressão de que aquela forma já brotou pronta e só fez crescer até ocupar por inteiro o espaço que lhe era destinado.

Dizem que Michelangelo teria dito, quando elogiaram alguma das suas esculturas: “É muito fácil. Eu pego um cubo de mármore, enxergo a figura lá dentro, e vou descascando o mármore até deixar somente a figura”. 

Um jornalista perguntou uma vez ao grande escritor mineiro Luiz Vilela, famoso pelos seus diálogos de espantosa naturalidade, se ele costumava deixar um gravador ligado embaixo da mesa do bar para captar a conversa das pessoas. Ele riu e disse: “Que nada, escrevo de memória. Mas parecer espontâneo dá um trabalho danado”.

Tenho essa sensação também quando estou vendo aqueles programas de futebol com “Os 10 Gols da Semana” ou “Os Gols Mais Bonitos do Ano”. Sei que, para algumas pessoas, considerar futebol uma Arte é uma heresia perigosa, mas só dizem isso porque não viram certas coisas que eu já vi. 

Ronaldo Fenômeno arrancando do meio de campo com a bola dominada, esquivando-se dos pontapés, evitando um carrinho, desvencilhando-se do zagueiro que tenta pendurar-se às suas costas, girando sobre si mesmo, dando uma quebra lateral de trajetória que o leva em diagonal para dentro da área, um penúltimo corte para a esquerda, um último corte para a direita, o chute preciso no derradeiro canto que o goleiro não alcança. Descrito assim, parece uma façanha. Visto, a gente vê como é simples.

A facilidade nasce de que? Do domínio da técnica (que só se adquire com muito estudo, muito treino, muita obsessão) e do impulso criativo, do excesso de energia propulsora que nasce muitas vezes da alegria e do prazer de estar criando. 

Vivo repisando nesta tecla, para alertar aqueles que acham que para criar Grande Arte basta emoção. Sem técnica não há Arte, nunca houve. E ao mesmo tempo não há nada mais distante da Grande Arte do que a pura técnica, a técnica que se exibe cansativamente a si própria, a técnica que soterra o espectador com uma lista de dificuldades penosamente superadas. 

Na Grande Arte, só vemos a aparente facilidade, como se cada artista tivesse um par de asas nos pés.





segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

0718) Três casamentos (7.7.2005)


Três casamentos ocorridos nos últimos meses chamaram minha atenção, e não só a minha, porque a imprensa inteira não falou noutra coisa. Coluna social não é o meu forte, de modo que procurem ver aqui uma tentativa de exame antropológico dos curiosos rituais propiciatórios ao acasalamento em vigor na sociedade racionalista, cristã e ocidental.

O primeiro foi o casamento de Elias Maluco. Como? Vocês não leram nada a respeito? Pois na imprensa do Rio falou-se, e muito. Elias Maluco, que liderou o esquartejamento e carbonização do jornalista Tim Lopes, casou com alguém dias antes do seu julgamento num tribunal carioca. Poucos sujeitos aqui no Rio serão vistos com tanto desprezo quanto este patético bandido, e a defesa (ah, a imaginação dos advogados!) achou que casá-lo seria uma boa maneira de melhorar sua imagem, mostrar ao público que ele estava se regenerando... Não sei se chegaram a fotografá-lo com uma Bíblia evangélica embaixo do braço. Só o revi nas imagens pós-julgamento, quando, condenado, ele saiu dando-o-dedo para a câmara da Globo. (A Globo é um poder tão invasivo neste país que qualquer idiota sabe que basta agredi-la ou falar mal dela para angariar a simpatia de um naco substancial da população)

O segundo foi o casamento de Ronaldo & Cicarelli. No momento em que este artigo for publicado, talvez eles já estejam promovendo uma festa de reconciliação, com um regabofe para 2 mil convidados na Ilha de Caras; mas enfim, tenho que usar as informações disponíveis no momento. Poucos casais terão aceitado com tanto entusiasmo os rituais-de-fabricação da mídia. Ninguém pode questionar o futebol dele, a beleza dela, a simpatia espontânea e instintiva despertada pelos dois. Mas isto não basta. Compraram (coitados) todo o pacote de badalação, marketing, merchandising, feira-das-vaidades, consumismo, “potlatch” e perdularismo. O conto-de-fadas da mídia brasileira (e de fora) não durou três meses. (E recuso-me a ser o 328o. jornalista a usar metáforas envolvendo carruagens e abóboras)

O terceiro foi o casamento do Príncipe Charles e de Camilla Parker-Bowles, ao qual já me reportei aqui (“Pobre princesa feia”, 12 de março). Não tenho simpatia especial por nenhum dos dois. Dela sei muito pouco, e ele é uma figura patética, um cara com quase 60 anos mas que a mãe ainda não acha adulto bastante para ser rei. Paciência. Esse cara feio e bobão e essa mulher durona com cara-de-cavalo certamente gostam um do outro. Enfrentaram a antipatia e a perseguição impiedosa da imprensa, enfrentaram as leis, as convenções, enfrentaram o Império Britânico, as ameaças da Igreja, a desaprovação do povo inglês. Seguraram a barra por mais de 30 anos, e hoje estão casados. Ronaldo & Cicarelli? Michael Jackson & Lisa Presley? Tom Cruise & Katie Holmes? Não, amigos, já dei meu voto para O Casal do Século. Sou mais a Verdade do que a Beleza (“Verdade é Beleza”, 10.4.2003).

domingo, 9 de março de 2008

0145) A Copa do Mundo é nossa (7.9.2003)

Reza a lenda que, na véspera da estréia do Brasil na Copa do ano passado, Ronaldo foi dormir e sonhou que Deus aparecia em seu quarto na concentração. Sentado na beira da cama, empunhando um lápis e uma prancheta, Deus lhe disse: “Ronaldo, você é um bom rapaz e sofreu muito – contusões, cirurgia no joelho... Para premiar sua coragem, vou lhe conceder nesta Copa tudo que você pedir.” Ronaldo não hesitou: “Quero que o Brasil seja penta.” Deus anotou, comentando: “Tudo bem, mas já estava previsto. Não quer mais nada?” Ronaldo: “Eu gostaria que ele vencesse todos os jogos, sem nem um empate sequer.” Deus anotou: “Tudo bem, já aconteceu em 70... Algo mais?” Ronaldo: “Eu preferiria que a final fosse contra a Alemanha, ia ser um jogo pra ficar na História.” Deus anotou: “Tá legal.” Ronaldo continuou: “E eu queria fazer os gols do Brasil na final.” Deus franziu a testa e anotou, perguntando: “Pra encerrar, mais alguma coisa?” E ele: “Dava pra eu ser o artilheiro da Copa?...” Aí Deus jogou a prancheta no chão, impaciente: “P.q.p., Ronaldo! Tu tás pensando que eu posso tudo, é?...”

Esta singela fábula serve para ilustrar o fato de que o Brasil obteve na última Copa tudo que ele e o próprio Ronaldo poderiam sonhar. Nem por encomenda teríamos um resultado tão expressivo. Os ranhetas poderão dizer que em 2002 não enfrentamos equipes poderosas como França, Argentina, Itália e outras – equipes tão “poderosas” que pagaram todas um mico histórico, e voltaram para casa com o rabo entre as pernas. Não, amigos. A simetria do universo organizou-se de tal forma que a “máquina arrasadora” da seleção teria ganho até da Argentina de Maradona, quanto mais da de Batistuta.

E é aqui que emergem os contornos da tragédia grega que se prenuncia nas fímbrias do meu entendimento. Depois de um Penta como aquele, podemos sonhar com um Hexa em plena Alemanha? Nem pensar. Eu rezei pro Brasil ganhar aquela decisão porque calculava: “Temos que ganhar da Alemanha é agora, porque em 2006, babau. Eles não vão deixar.” “Eles”, é claro, são todos aqueles que não deixaram o Brasil ganhar Copas como as de 1974, 1978, 1982, 1986, 1990 e 1998. É a Fifa, são as Federações Européias, é a CIA, a Máfia, a Yakuza japonesa... Não duvido que nessas derrotas brasileiras tenha interferido até o dedo diabólico de Zé Santos e Lamir Mota, especialistas nesses golpes maquiavélicos.

Hoje o Brasil começa uma caminhada rumo ao altar dos sacrifícios. Nenhuma força política, econômica ou futebolística da Europa permitirá que em 2006 cheguemos aos seis títulos, deixando Itália e Alemanha nos três atuais. Preparem-se para a tragédia grega, que é quando o herói coberto de glórias afivela as armas pela última vez e parte para o campo de batalha sabendo que a batalha está perdida de antemão, mas é melhor morrer do que recuar. Agora – se Deus aparecer de novo com a prancheta, “abasta” a gente pedir um campeonato simples, e já é lucro.