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sábado, 13 de março de 2010

1784) Lendas Urbanas (27.11.2008)




Lendas Urbanas não passam de uma adaptação das lendas rurais, do mecanismo de invenção de histórias absurdas que há milênios funciona em regiões onde todos os contatos são face-a-face e toda a troca de informação é por via oral. 

A Lenda Urbana é um folclore adaptado, um mecanismo que se transplanta do campo para a cidade, confortavelmente instalado nos neurônios de gerações de migrantes. 

Na cidade os temas são outros, os ambientes, os personagens; mas a mecânica de criação de história é a mesma. “Mutatis mutandis”.

Isto não quer dizer que o meio urbano não interfira no mecanismo. 

Uma das minhas Lendas Urbanas favoritas é a história dos bombeiros que estão apagando um incêndio florestal numa montanha e encontram ali o cadáver semi-carbonizado de um mergulhador, com óculos, pés-de-pato e tanque de oxigênio. 

A explicação: os helicópteros de combate ao fogo iam até o litoral e desciam até o mar uma caçamba metálica, que enchiam de água para despejar no incêndio. Uma dessas caçambas “engoliu” o mergulhador e veio despejá-lo no fogaréu.

O que há de fascinante nessa Lenda Urbana é aquilo que os surrealistas chamavam de “dépaysement”, deslocamento, junção inesperada de duas coisas distantes, ou a colocação súbita de um elemento num ambiente totalmente distante dele. 

Encontrar um mergulhador carbonizado numa floresta de montanha é como a famosa cena visualizada por Lautréamont, “o encontro de um guarda-chuva e uma máquina de costura em cima de uma mesa de dissecação”. 

O alto grau de improbabilidade da cena parece conspirar em favor de nossa crença. É como se disséssemos; “Não, uma coisa tão fantástica não poderia ter ocorrido a uma mente humana! Somente a realidade pode produzir paradoxos desse tipo.”

E eu completaria: somente a realidade urbana, em que paradoxos desse tipo (só que em grau menor de excentricidade) podem ser observados todos os dias, desenvolvendo em nós uma sensibilidade especial para (e uma aceitação tácita de) tudo que é bizarro, incongruente, ou meramente exótico. 

Simplificando muito uma realidade complexa, a gente pode dizer que o mundo rural é bem homogêneo em seu aspecto social e humano, e heterogêneo no que diz respeito à natureza, a eterna fonte de surpresas e de fatos extraordinários. 

No mundo urbano, é o contrário – o ambiente da cidade, em si, é algo aparentemente sob controle, planejado, criado por urbanistas e engenheiros, e é na fauna humana e nas suas infinitas recombinações culturais que reside o laboratório das surpresas.

Segundo Jon Brunvand, pesquisador de lendas urbanas, muitas delas surgem da criatividade de um sujeito que vê algo acontecendo e pensa: “E se...?” E se esse helicóptero que estou vendo no “Jornal Hoje”, pegando água do mar, recolhesse um mergulhador? 

A vida urbana, com seus bilhões de possibilidades combinatórias, nos dá o começo quase pronto de uma história bizarra. Basta apenas a gente inventar o final.







domingo, 31 de janeiro de 2010

1595) Um cão morrendo de fome (23.4.2008)




A Internet entrou em ebulição algum tempo atrás em torno de mais uma “instalação de arte contemporânea” perpetrada por nossos criativos artistas. Noticiou-se que o costarriquenho Guillermo Vargas, conhecido como “Habacuc”, teria amarrado um cachorro faminto numa exposição de artes plásticas e o deixado ali sem pão nem água, até que ele morreu de fome. Um abaixo-assinado de protesto se alastrou pela rede. Blogueiros pediram a cabeça de Habacuc, sugerindo que na próxima exposição ele amarrasse a própria mãe, etc. e tal.

Eu sou da tribo e conheço os caboclos. Tudo que aparece na Internet com abaixo-assinado sempre me acende uma luzinha de alerta, porque cheira a boato, invenção, lenda urbana. Pesquisei mais um pouco e achei, se não um desmentido categórico, pelo menos uma versão diferente dos fatos. Habacuc de fato usou o cão, mas ele era alimentado diariamente, e só ficava amarrado no salão durante as horas em que a exposição estava aberta ao público. Na parede da sala lia-se a frase “Eres lo que lees” (“Tu és o que lês”) em letras formadas com biscoitos de cachorro; e um aparelho de som tocava o hino sandinista ao contrário. Bem – em termos de arte talvez não seja nenhuma Guernica, mas é muito mais plausível do que a primeira versão. Além disso, o cachorro acabou fugindo depois de alguns dias, numa distração do vigilante.

Quem quiser mais detalhes veja o verbete de Habacuc na Wikipédia, ou consulte o blog português “Varal de Idéias” (em http://cimitan.blogspot.com/2008/04/este-post-repe-as-coisas-nos-seus.html). A Humane Society International (http://www.hsus.org/contact_us/humane_society_international.html#Q_dog_artist) critica a idéia do artista e afirma ser contra o uso de animais vivos em exposições, mas diz que pelas informações que obteve o cachorro estaria vivo, e teria fugido da exposição.

O interessante é que 2 milhões de pessoas assinaram o pedido de boicote à participação de Habacuc na Bienal Centroamericana de Honduras de 2008. Na página que abri agora, são 2 milhões, 147 mil, 980 assinaturas, entre as quais (fui conferir a lista) as de alguns amigos meus. O que me lembra um episódio que contam da vida de São Tomás de Aquino. Já velhinho ele vivia num mosteiro onde dava aulas para os noviços. Estes eram jovens e brincalhões, e resolveram zoar com o mestre. Amontoaram-se numa janela, quando viram que ele se aproximava, e começaram a apontar para o céu, aos gritos: “Vinde ver, Irmão Tomás! Vinde ver um boi voando!” Tomás chegou à janela, protegeu os olhos com a mão e ficou buscando em vão o boi nos ares. Os noviços riram e disseram: “Acreditaste que um boi pode voar?” E ele ripostou: “Achei que seria mais fácil um boi voar do que um religioso mentir”. Pois é – parece que hoje em dia é mais plausível um artista de vanguarda matar um cão de fome do que um desocupado postar uma mentira na Internet. Ó tempos! Ó costumes!

domingo, 14 de dezembro de 2008

0666) Lendas urbanas campinenses (7.5.2005)



São esses personagens tão lendários que às vezes eu desconfio que eu mesmo os inventei. Estou brincando, claro. Suas histórias povoaram minha infância e a de muitos outros em Campina. Acreditei nas histórias sobre Engole Trave e Seu Alegria como acreditei durante muito tempo na existência de Papai Noel, e continuo acreditando ainda hoje na existência de gente como o Rei Artur ou Zumbi dos Palmares. Lendas são lendas, e repeti-las gera o oxigênio que as mantém vivas na memória de todos.

Algumas lendas são apenas um nome cercado por uma nuvem de pressentimentos e sentidos ocultos. Quando eu era pequeno, por exemplo, havia duas figuras que eram uma ameaça permanente, dois personagens ominosos cuja mera menção fazia as crianças tremerem de terror e entrarem em casa mais cedo para tomar banho e jantar. Havia “João Cabeludo”, que era um bandido, e havia “Barba Rala”, que era um tarado. A gente não sabia a diferença entre uma coisa e outra, ou pelo menos quem não o sabia era eu, na minha inocência de marcelino-pão-e-vinho. Sabíamos apenas que havia um bandido e um tarado à solta na cidade, e ai de quem saísse do raio-de-ação protetor dos olhares da mãe.

Ameaça ainda pior era a do Papa-Figo. Muitas e muitas vezes desci do Babilônia até em casa, depois da sessão das 7, olhando para todos os lados, por saber que estava cruzando o território do Papa-Figo – que não era a Rua Miguel Couto, mas a Noite. Quando cresci e me dediquei a leituras criminológicas, fiquei sabendo que a mesma lenda existia, tintim por tintim, em dezenas de cidades. O Papa-Figo é um velho rico que sofre de lepra, e a quem recomendam comer o fígado cru de uma criança. Há uma lógica monstruosa nisto; o fígado tenro da criança pode ter propriedades regenerativas, etc. E um empregado do Papa-Figo sai com um saco às costas, caçando crianças para alimentar o patrão. O corpo da criança é achado no mato, dias depois, com o fígado extraído e – este é o detalhe mais cruel – algumas notas de dinheiro enfiadas no ferimento, em pagamento pelo órgão arrancado. Já escrevi um curta-metragem (dirigido por Cláudio Barroso) inspirado no relato que Gilberto Freyre faz desta história.

Outra lenda campinense é a do Castelo da Prata (que ainda existe, segundo fui informado). O dono começou a construí-lo mas sonhou que morreria se a construção acabasse; o Castelo ficou incompleto desde então. Nos anos 1960 estava abandonado, invadido por mendigos. Eu tocava nos Sebomatos, a melhor banda de rock da Paraíba (eu, Marcelo, Bolívar e Sérgio), e lá no Castelo fizemos algumas fotos de que ainda hoje tenho cópias. É uma lenda semelhante à da Mansão Winchester, em San Jose (Califórnia), que passou décadas sendo construída. É cheia de excentricidades arquitetônicas, porque a proprietária tinha medo de terminar a casa, que tem 160 aposentos, 47 lareiras, e pode ser admirada em: http://www.winchestermysteryhouse.com/tours.html.

sábado, 13 de dezembro de 2008

0664) Engole-Trave e Seu Alegria (5.5.2005)




(The Vanishing Hitchhiker, de J. H. Brunvand)

Engole Trave era um velho que percorria as ruas de Campina, sempre vestindo um terno puído mas escrupulosamente limpo. Era feioso a ponto de parecer uma caricatura: magro, costas encurvadas, nariz e queixo proeminentes. A toda hora eu o via cruzando a Praça da Bandeira, virando a esquina na Maciel Pinheiro, parado na calçada da Marquês do Herval. Para mim era apenas um daqueles velhos anônimos e familiares que a gente vê o tempo inteiro na cidade; até que alguém me contou a verdadeira história dele. Anos atrás, Engole Trave tinha sofrido um acidente qualquer, quebrou uma costela ou braço, e durante a hospitalização teve que fazer uma série de exames. Surpresa geral: descobriram que o velho tinha esqueleto de marfim! Especialistas estrangeiros vieram, examinaram-no, e por fim ofereceram-lhe uma boa grana pelo esqueleto, o qual seria doado a um Instituto europeu após sua morte. E era disso que ele vivia: de um pagamento mensal, em adiantamento pelos próprios ossos.

Eu achava ótima essa história e tinha uma certa inveja do personagem (já pensou? ganhar dinheiro sem trabalhar!), e para ser sincero só comecei a desconfiar quando alguém de imaginação mais barroca me jurou de pés juntos que o fato de ter esqueleto de marfim o deixava imune a choques elétricos, e que ele fazia disto uma fonte de renda suplementar: pegar em fios de alta tensão ou em cabos ligados a geradores, enquanto os caras faziam apostas. Mas a esta altura eu já tinha lido Garcia Márquez e Ray Bradbury, e é engraçado, quanto mais fantasia a gente lê mais fica com olho crítico em cima da realidade.

Seu Alegria (que nunca vi pessoalmente, não me lembro de sua aparência) era outra figura folclórica adorada pelas crianças. Diz-se que ele fazia mágicas o tempo inteiro, e não estou me referindo a truques de mágica de salão, mas a mágicas de verdade, transmutações de matéria comandadas pelo simples esforço de vontade, o sonho dourado dos ocultistas e alquimistas de todos os tempos, e cuja concretização coube, vejam só, a um pacato e despretensioso velhinho de Campina Grande! Seu Alegria andava pela rua acompanhado por um coro de meninos “pedindo mágica”. Ele parava junto a uma daquelas arvorezinhas plantadas num canteiro quadrado na calçada, pegava no tronco e o agitava: choviam moedas e confeitos no chão, e a garotada fazia a festa.

Outra história que se conta de Seu Alegria é que certa vez ele estava jogando baralho no Rambol (uma antiga casa de jogo, na esquina da Maciel Pinheiro) e precisava de uma carta para bater – digamos que era o valete de copas. Jogou até o fim e não bateu. Ficou danado da vida; enquanto os outros recolhiam as fichas e o dinheiro, ele pegou o baralho, juntou-o todo na mão e começou a traçá-lo repetidas vezes. Levantou-se, jogou o baralho na mesa e foi embora. Os outros pegaram o baralho, abriram, olharam: tinha virado 52 valetes de copas.





sábado, 23 de agosto de 2008

0519) A Perna Cabeluda (17.11.2004)




(ilustração: H. D. Mabuse)

Entre as lendas urbanas mais curiosas do Nordeste está sem dúvida a da Perna Cabeluda, uma entidade sobrenatural que teria assombrado as ruas do Recife durante a década de 1970.

Aparecendo onde menos se esperava (e por falar nisso, onde é que alguém esperaria que aparecesse?), esta criatura era o oposto-simétrico do Saci Pererê. Ou seja, era uma perna-sem-pessoa, em vez de uma pessoa-sem-perna.

Surgia pulando (eu já ia dizer “pulando num pé só”), atacava os transeuntes, dava chute em todo mundo, e depois fugia pulando.

Foi cantada em verso e em prosa. Apareceu como protagonista em folhetos de cordel como A Perna Cabeluda de Tiúma e São Lourenço de José Soares, inclusive um em que ela enfrentava outra criatura mítica: A Véia debaixo da cama e a Perna Cabeluda de José Costa Leite.

Apareceu também em um vídeo de Marcelo Gomes, A Perna Cabeluda (1995). Figurou em shows de Chico Science & Nação Zumbi: Chico dançava com uma perna de pano estufada, e depois a jogava no meio da platéia.

Eu próprio a utilizei como tema num curta para TV de 40 minutos para o programa Viva Pernambuco, em 1996, dirigido por Romero de Andrade Lima e Cláudio Assis.

A Perna Cabeluda é um bom exemplo de como surgem essas criaturas folclóricas. Uma vez eu estava em Recife conversando com o escritor Raimundo Carrero, que me deu uma versão para o surgimento dessa lenda. Ele e Jota Ferreira tinham um programa de rádio (pelo que me lembro ele era redator e Jota Ferreira o apresentador, mas posso estar enganado). E uma noite, entre uma música e outra deram uma notinha humorística, mais ou menos assim:

“Pois é, meu amigo, a vida no Recife não anda nada fácil!... Chega agora à nossa redação a notícia de que Fulano de Tal, guarda-noturno, chegou em casa depois de uma jornada de trabalho e deitou-se para dormir ao lado de sua esposa. Ouviu um barulho, e ao olhar para baixo viu uma perna cabeluda embaixo da cama!”

A intenção era sugerir, com a imagem da perna cabeluda, a presença do “urso”, do amante da esposa. A nota provocou muitos risos, e no dia seguinte, ele voltaram à carga.

“E atenção, minha gente... Sicrano de Tal, morador da Imbiribeira, chegou em casa de viagem, e para sua surpresa viu a perna cabeluda fugindo pela porta da cozinha!” 

E aí não parou mais. Usada inicialmente como uma sinédoque visual (a parte pelo todo), a perna acabou ganhando vida própria.

Isto não quer dizer que qualquer coisa inventada vire automaticamente uma lenda. Neste caso específico virou porque a imagem resultante ficou ao mesmo tempo absurda e engraçada, ou pelo menos assim pareceu à galera onde a história começou a circular (ouvintes de rádio dos subúrbios recifenses).

Imagens e figuras semelhantes são lançadas diariamente no caldeirão cultural. É um processo aleatório. Umas pegam, outras não. “Cultura popular” talvez se defina por este aspecto aleatório, onde não se pesquisa, não se planeja, e as criações dão certo meio que por acaso.






terça-feira, 11 de março de 2008

0223) Os anjos de Miami (7.12.2003)






(William Blake, "O Dragão Vermelho e a Mulher Vestida de Sol")



Uma guerra cósmica acontece neste momento nas ruas de Miami. O palácio de Deus foi destruído por uma ofensiva maciça dos demônios, e Deus desapareceu, deixando a Terra entregue a um batalhão de anjos que tentam proteger os humanos, especialmente os menores abandonados que dormem pelas calçadas. Um dos demônios mais ameaçadores é a “Bloody Mary”: uma criatura aterradora, com órbitas vazias que gotejam sangue negro. Ela persegue as crianças, auxiliada por demônios menores que usam numerosos portais para alcançar nosso mundo: geladeiras abandonadas, espelhos, e jipes Cherokees com vidros fumê. Num caso bem documentado, Satã, disfarçado de turista rico, foi surpreendido por um grupo de anjos perto de Ocean Drive: eles o agarraram e o prenderam no fundo do rio. No mesmo instante, as águas do rio ficaram vermelhas, e chifres brotaram da cabeça de Satã.

Crianças de seis, oito, dez anos de idade são as únicas testemunhas desse Armagedon invisível. Elas contam as mesmas histórias, mesmo pertencendo a grupos que nunca tiveram contato direto uns com os outros, grupos espalhados por cidades como New Orleans, Chicago e Oakland (Califórnia). Em todas estas cidades funcionam abrigos mantidos pelo Exército da Salvação, e os pesquisadores que entrevistam essas crianças têm registrado a presença das mesmas histórias, dos mesmos eventos, até da mesma terminologia. Por exemplo, as crianças sempre se referem às criaturas sobrenaturais como “espíritos” e nunca como “fantasmas”.

Para os antropólogos que pesquisam a propagação das Lendas Urbanas, o termo “poligênese” designa o surgimento simultâneo de histórias fora do comum e semelhantes, em lugares distantes. A mitologia dos meninos de rua de Miami (onde a pesquisa se concentra) usa, por exemplo, imagens extraídas do folclore mexicano: eles também dão à Bloody Mary o nome de “La Llorona”, “a chorona”, um fantasma tradicional da Cidade do México, a mulher que assassinou os próprios filhos ao ser desprezada pelo amante. Outros pesquisadores vêem traços de Iemanjá na imagem da “Blue Lady”, um espírito feminino protetor, vestido de azul, que “é linda, boa, inteligente, vive no mar, e só aparece para as crianças.”

As crianças afirmam que a guerra está quase perdida. O céu não mais existe, e a melhor sorte para quem morre é ir morar no acampamento dos Anjos, numa floresta nas proximidades de Miami, mas é preciso depositar no túmulo da pessoa um pedaço de folha de palmeira, que serve como salvo-conduto. As crianças dizem que, mesmo assim, é preciso não desesperar, pois existe um exército angelical vindo em seu socorro. A escritora Virginia Hamilton observa que essas crianças se sentem com a responsabilidade de responder às mais terríveis das perguntas: “Por que ficar do lado do Bem, quando vemos o Mal vencendo de ponta a ponta? E se eu for morto, como posso fazer com que minha vida tenha alguma importância, mesmo depois que eu não exista mais?”