O circuito « Estação Net » (em Botafogo, no Rio de Janeiro) está exibindo até o próximo dia 17 de setembro uma retrospectiva da obra de François Truffaut, num total de 23 filmes de longa e curta metragem. Estou aproveitando para ver e rever alguns deles.
Eu sou apenas um rapaz latino-americanosem dinheiro no banco...Por favor, não saque a arma no “salloon”:eu sou apenas o cantor...
O segundo filme de François Truffaut, Tirez sur le pianiste (1960) é a história de um músico mais perdido do que pianista em tiroteio. Charles Aznavour faz “Charlie”, pianista de um daqueles enfumaçados bares parisienses. Ele mora com um irmão adolescente, Fido, e tem dois outros irmãos metidos com assaltos e roubos. O filme começa quando os conflitos deles com alguns mafiosos vazam para dentro da vida de Charlie, que é introvertido, suave, quer apenas viver em paz.
Goodis teve muitos livros adaptados para o cinema. Além
do Atirem no Pianista de Truffaut, há
dois filmes bem conhecidos: em Dark
Passage (Delmer Daves, 1947), Humphrey Bogart é um fugitivo da cadeia que,
ajudado por Lauren Bacall, faz uma cirurgia plástica para não ser reconhecido,
e tenta provar sua inocência do crime que lhe atribuem; e A Lua na Sarjeta (Jean-Jacques Beneix, 1983), com Gérard Depardieu
e Nastassia Kinski, foi um projeto ambicioso mutilado pelos produtores.
Personagens de filmes assim vivem o tempo todo bordeando
a tragédia. Lá pelo meio de Atirem No
Pianista, um flash-back nos informa que Charlie era um pianista clássico,
de concerto, mas ficou seriamente abalado pelo suicídio da esposa, e acabou se
afastando das salas de concerto.
Uma garçonete do bar onde ganha a vida, Lena (Marie
Dubois), decide recuperá-lo. Lena é uma daquelas personagens que podem ser
chamadas “A Mulher Vital” – o oposto da “Mulher Fatal” que só provoca paixões e
desgraças.
As mulheres vitais são essas mulheres metade resolutas, metade ingênuas,
que arranjam os namorados mais improváveis e dizem a todo mundo: “Ele é um cara
bacana, tudo que ele precisa é uma mulher que organize a vida dele.”
(Marie Dubois e Charles Aznavour)
(...)existe um filme chamadoAtirem no Pianistaem que a última frase diz“música, cara, isso é tudo que conta”é uma frase religiosalá fora, soam os carrilhõese eles aindaestão soando.(trad. BT)
Mas se depois de cantarvocê ainda quiser me atirarmate-me logo à tarde, às trêsque à noite tenho um compromisso e não posso faltarpor causa de vocês...
(David Goodis ao
piano)

