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quarta-feira, 16 de outubro de 2019

4513) 26 perguntas (16.10.2019)



1
Por que motivo se diz que a imagem de uma impressão digital é uma imagem analógica?

2
Onde fica o centro geográfico-geométrico do território brasileiro, e será que existe um marco assinalando esse local?

3
É verdade que num labirinto finito basta avançar com a mão esquerda tocando a parede, seguir todas as curvas e esquinas, e cedo ou tarde se volta à porta por onde se entrou?

4
Existe algum processo historiográfico para descobrir quem compôs a melodia de “Ciranda, Cirandinha” (ou pelo menos onde e quando isso aconteceu)?

5
Existe (talvez nos arquivos dos jornais de Campina Grande) alguma foto reunindo os torcedores-símbolo do Treze e do Campinense nos anos 1970 – Zé Pezinho e Papa-Sebo?

6
Aquela rua à noite, calçada de paralelepípedos, que subia para a esquerda após a saída de um bar que fechava as portas tarde da noite, com uma turma que conseguiu comprar algumas garrafas e saía conversando e rindo em voz alta, aquilo foi vivido ou foi sonhado?

7
É verdade que, numa mesa de restaurante com muita gente, quem primeiro diz “vamos dividir pelo número de pessoas” é quem mais comeu ou bebeu?

8
Qual o fragmento de escrita poética mais antigo do mundo?

9
Por que será que uma pessoa morta só pode ser enterrada em terrenos bem específicos (não pode ser numa praça ou no quintal da casa, p. ex.), mas as suas cinzas podem ser largadas em qualquer canto?

10
Por que motivo algumas pessoas, geralmente mulheres, choram ser saber por que motivo estão chorando?

11
Quantas vezes eu terei sentado (no cinema, no ônibus, numa sala de espera, etc.) ao lado de uma pessoa que aniversaria no mesmo dia que eu, e ninguém ficou sabendo?

12
É verdade que o pão só cai com o lado da manteiga para baixo porque o lado que tem manteiga é mais pesado?

13
Se alguém começasse a caminhar pela praia, saindo da Ponta do Seixas (PB), indo na direção do sul, andando 12 horas por dia, quando tempo levaria para chegar na praia de Copacabana?

14
Existe algum significado oculto no fato de eu estar de passagem pelo Recife no dia em que morreram tanto John Lennon quanto George Harrison?

15
Quem guardou a mala cheia de manuscritos de Ernest Hemingway que foi esquecida para sempre numa estação de trem na França?

16
Por que motivo a mesma dor percorre o corpo, ardendo hoje aqui, amanhã acolá, como se estivesse à procura do ponto mais fraco de uma muralha?

17
Como se faz para cortar rocha vulcânica?

18
Existe alguma coisa no Universo que tenha uma única causa?

19
Quanto tempo leva o sangue para dar a volta completa ao corpo?

20
Por que motivo a gente ao acordar esquece completamente o que estava sonhando, mas no transcorrer do dia basta às vezes uma palavra, um nome, uma imagem, para aquilo tudo brotar de repente, por inteiro?

21
Existe alguma razão não-aleatória para o fato de a distância entre a Terra e a Lua ser de quase exatamente um segundo-luz?

22
Por que motivo biológico os nossos dedos não são todos do mesmo tamanho?

23
Como morreu Horácio Grande, o cangaceiro que iludiu Lampião com uma carta falsa e o levou a massacrar uma família inocente na região de Floresta (PE) em 1926?

24
Quais as faixas na discografia oficial dos Beatles em que participaram menos pessoas?

25
Por que motivo vemos fantasmas de pessoas de alguns séculos atrás mas ninguém jamais avistou o fantasma de uma pessoa da pré-história?

26
Quantas pessoas, que precisam diariamente subir de novo a mesma escada (em casa, no trabalho, etc.) já contaram e sabem exatamente quantos degraus existem ali?










sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

2759) “Bonita Maria do Capitão” (6.1.2012)



O centenário de nascimento de Maria Bonita, mulher de Lampião, motivou o lançamento de um livro que celebra sua vida e seu mito, realizado por Vera Ferreira (neta do casal) e Germana Gonçalves de Araújo. É um álbum de luxo (Editora da Universidade do Estado da Bahia, www.uneb.br), com excelente produção gráfica e uma abundância de fotos e de documentos de época, na primeira parte, e na segunda um apanhado do reflexo da figura de Maria Bonita na cultura brasileira em geral. Eu contribuí com uma pequena crônica. Há poemas de Jessier Quirino, Ângelo Rafael, Myriam Fraga e outros. O pesquisador cearense Nirez contribui com um artigo sobre as canções da MPB que mencionam Maria Bonita. Laura Bezerra estuda as imagens de Maria no cinema, Jeová Franklin a sua presença na xilogravura, através do cordel, e André Betonassi estuda as histórias em quadrinhos que a têm como personagem.

Dentro da sempre crescente bibliografia sobre o cangaço, acho que são poucos os livros sobre Maria Bonita. A figura central de Lampião domina esses estudos, e de qualquer maneira a maior parte deles tem um viés histórico e sociológico que os faz ter que abordar o cangaço como um todo, e não pessoas específicas. Entende-se a inesgotável atração da figura de Lampião, seja como herói ou como bandido, como justiceiro social ou como criminoso sádico, como estrategista ou como marqueteiro de si próprio. A polêmica extremada que cerca Virgolino nasce de sua própria personalidade, contraditória como a de qualquer indivíduo de valor projetado numa situação-limite dentro de um ambiente sem lei. Nessas circunstâncias, é de se esperar que um sujeito seja generoso de manhã e brutal no fim da tarde; protetor de uns e algoz de outros. É de se esperar que deixe atrás de si um rastro de ódios e de gratidões.

Maria é um personagem fascinante porque não tem nenhuma dessas facetas de Virgolino. Não conheço histórias de nenhuma violência praticada pessoalmente por ela, a não ser a participação nos combates (minha impressão é confirmada no artigo de Sérgio Augusto de Souza Dantas). Não sei se era estrategista ou diplomata no meio da intrincada rede de negociações políticas e militares da guerrilha sertaneja. Para todos nós, é a figura aventureira da mulher que abandonou a tranquilidade de uma vida doméstica pela vida selvagem na caatinga, onde a única certeza era a morte no final. Este livro se encerra com a presença de Bonita (e do cangaço) na moda. Isto, de certo modo, chancela o último estágio da transformação de uma pessoa em imagem, cada vez mais diferente de si própria e mais parecida com o próprio mito.

segunda-feira, 8 de março de 2010

1764) Adeus ao mundo das coisas (4.11.2008)



(Gerardo Mourão)

É tradição da poesia popular. Quando um personagem está indo embora de sua terra natal, ou quando está às portas da morte, começa a se despedir. Despede-se da família, dos amigos, dos animais domésticos. Despede-se de seus objetos, despede-se da paisagem, despede-se do céu, do sol, das estrelas. 

É um adeus pungente ao mundo das coisas, o adeus de quem sabe que está vendo cada coisa pela última vez.

Há milhares de trechos assim no romanceiro ibérico, nas baladas britânicas. No livro Guerreiros do Sol (Ed. Girafa, pág. 200 e seguintes), Frederico Pernambucano de Melo transcreve um “adeus de Lampião” em sextilhas (de autor desconhecido), despedindo-se de vilas, povoados e lugarejos por onde passou: 

Adeus Malhada dos Bois 
quarteirão que me criei! 
Quixaba fica de banda 
Volta e Sítio eu nunca andei, 
adeus Santo Amaro Novo 
São Brás e Riacho do Mei. 

São trinta sextilhas compactas, fervilhantes de nomes de lugares. Diz Pernambucano: “Versos de um Adeus sertanejo, perfeito na listagem microgeográfica dos pontos de referência do cangaceiro”.

Um pouco deste espírito está na cena final de Nossa Cidade de Thornton Wilder, uma peça de 1939 que vi quando garoto numa inesquecível montagem com grupo campinense, no Teatro Severino Cabral. 

É a história de Grover’s Corner, uma cidadezinha do interior dos EUA. No final, a garota que morrera recebe permissão para voltar ao mundo onde passou a infância, para vê-lo pela última vez, sem ser vista (numa situação semelhante à recriada anos depois por Bergman em Morangos Silvestres). E ela diz: 

“Eu nunca percebi. Tudo isto acontecia e nós não notávamos. Podem me levar de volta, para a colina, para minha sepultura... Mas, espere! Quero dar uma última olhada. Adeus... Adeus, mundo... Adeus, Grover’s Corner... Mamãe, papai... Adeus, tique-taque dos relógios... e os girassóis de mamãe. E a comida, e o café. E vestidos recém-passados a ferro, e banhos quentes... e dormir, e acordar... Oh, Terra, você é bela demais para que alguém perceba.

Será isto algo primitivo, algo da mente interiorana? Numa entrevista à revista Azougue (número especial de 10 anos, 2004), o poeta Gerardo Mello Mourão conta a morte de seu irmão, aos oito anos de idade, quando ele, Gerardo, tinha três:

“Minha mãe sabia que ele ia morrer. Ela era uma mulher apaixonada, uma pessoa mística. Minha mãe disse: ‘Meu filho, você vai pro céu, você nunca mais vai vir aqui. Você vai se despedir de sua casa agora’. E ele disse: ‘Quero me despedir dos potes de água’. Então ele tomou um banho à noite e falou: ‘Adeus potinho, nunca mais vou beber sua água’. Para um copinho de alumínio de onde bebíamos água: ‘Adeus copinho do irmãozinho, nunca mais vou brigar com ele’. Tinha uma água que só o meu avô bebia, feita com folhas de abacate, a água era fervida com folhas de abacate: ‘Adeus agüinha do vovô!”. (...) O homem que vivia ali tinha uma relação visceral com as coisas da terra”.





sábado, 6 de fevereiro de 2010

1619) “I Semana do Cangaço” (21.5.2008)



Realiza-se a partir de 4 de junho, em Aracaju, a I Semana do Cangaço, com oficinas, palestras e exposições sobre o Cangaço nordestino. (Informações: www.semanadocangaco.blogspot.com). A data foi escolhida em comemoração ao aniversário de Lampião, e 2008 marca os 70 anos da morte do bandoleiro e de sua mulher Maria Bonita, assassinados pela polícia numa gruta em Angicos.

O cangaço ainda é um fenômeno contraditório. Para uma parte do Brasil, os cangaceiros eram meros criminosos, não se distinguindo muito dos traficantes de drogas de hoje em dia. Havia a diferença (essencial, temos que reconhecer) de que não traficavam drogas, mas de resto seu perfil era semelhante: aliavam-se à população desassistida, tinham mais mobilidade e melhor armamento do que as tropas do governo, impunham um sistema paralelo de justiça baseado nas armas, e nas venetas pessoais de seus líderes. Para muitos nordestinos, contudo, a imagem do cangaço não está associada ao crime nem à crueldade, e sim à coragem pessoal, à rebeldia, à luta contra os poderosos, à independência individual. Uma parte da intelectualidade de esquerda chegou a compará-los, com insistência, aos guerrilheiros revolucionários de muitos países latino-americanos. É um caso típico de uma Lenda Heróica que idealiza um fenômeno humano contraditório e trágico. Como qualquer herói de qualquer civilização.

Um dos melhores livros sobre o cangaço (para alguns, o melhor de todos) é Guerreiros do Sol, de Frederico Pernambucano de Melo (Ed. Girafa). Entre numerosos outros aspectos, a rica análise de FPM propõe uma distinção entre o que ele chama de “cangaço de vingança” e “cangaço meio-de-vida”. Nos filmes, romances e cordéis o cangaceiro é geralmente alguém que entra para o banditismo para vingar um crime contra sua família, crime que a Justiça da época (manipulada pelos poderosos) deixara impune. FPM observa o fato de que, enquanto alguns cangaceiros abandonam o cangaço logo após a consecução dessa vingança, outros permanecem nele por considerar que estão muito melhor assim do que na vida anterior. E existem casos de vinganças que são longamente proteladas, como se o cangaceiro preferisse poupar o desafeto para poder adiar indefinidamente o momento de largar a vida aventurosa e retornar (caso isso fosse possível) à vida pacata de vaqueiro ou lavrador.

Alguém dirá: “Mas quem diabo preferiria viver caçado à bala, correndo pelas caatingas, sujeito a traições, emboscadas, etc., em vez de viver tranqüilo e em paz?” A resposta é complexa, mas assim como existe gente pacata (como eu), existe gente que gosta de se envolver em situações violentas e perigosas, pela “adrenalina” que elas produzem. Além do mais, FPM lembra que o cangaço bem administrado (roubos, proteção de coronéis, etc.) podia ser lucrativo, e proporcionava poder, notoriedade, fama e ganhos patrimoniais, no contexto de “uma sociedade economicamente estagnada e de baixa mobilidade vertical”.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

1327) Os homens que mataram o facínora (14.6.2007)



Com este título, inspirado no faroeste clássico de John Ford, o jornalista Moacir Assunção publicou (Rio, Ed. Record, 2007) mais uma obra na bibliografia sobre Lampião. Desta vez, o foco não cai sobre o cangaceiro, embora muita coisa seja dita sobre sua vida, sua família e seus combates. Como o título indica, Assunção se volta para os antagonistas de Virgolino Ferreira, tanto os que foram por ele próprio considerados seus inimigos mortais – seu ex-vizinho Zé Saturnino, o chefe de volantes Zé Lucena, quanto Mané Neto, um dos mais valentes perseguidores dos cangaceiros, e João Bezerra, o chefe da volante que em julho de 1938 surpreendeu o bando de Lampião na famosa Grota de Angicos e matou 11 deles, entre os quais o Capitão e sua mulher Maria Bonita.

Assunção é um jornalista dedicado, que além de consultar livros e jornais viaja pelos lugares onde os fatos aconteceram e entrevista os sobreviventes dessas epopéias sertanejas de quase um século atrás. A história do cangaço vive sendo reescrita sem parar, mas uma das coisas que mais prejudicam sua compreensão é o intenso emocionalismo de muitos que escrevem contra ou a favor. Para uns Lampião era um criminoso sádico, interesseiro, bajulador de coronéis; para outros, um cavaleiro andante combatendo injustiças, perseguido por governos corruptos e policiais sanguinários. Ora – como se diz por aí, “nem tanto ao mar, nem tanto à terra”. Relatos imparciais são sempre bem vindos, quando mais não seja para colocar os fatos em primeiro plano.

O livro tem histórias trágicas, episódios curiosos. Um detalhe interessante é a menção ao combate em 1924 entre Lampião e as forças de Teophanes Ferraz Torres, perto da Lagoa do Vieira (PE); ferido no pé, Lampião passou 40 dias escondido na Serra do Catolé, nas proximidades da Pedra do Reino, ou Pedra Bonita.

Uma história que me comoveu foi a do massacre da família Gilo, na Fazenda Tapera (PE). Um cabra de Lampião chamado Horácio Grande era inimigo do fazendeiro Manoel Gilo, e falsificou uma carta em nome dele, insultando e desafiando Lampião. Lampião foi até lá com o bando, e depois de uma noite de tiroteio matou 13 pessoas entrincheiradas na casa da fazenda. O velho Manoel foi o último: trazido à presença de Lampião, afirmou que não tinha mandado carta alguma, até porque não sabia escrever, e que o autor da mentira era Horácio. Este puxou do revólver e matou o fazendeiro ali mesmo. Fosse eu o Rei do Cangaço, o tal do Horácio não ficava vivo nem mais um minuto. Lampião limitou-se a expulsá-lo do bando.

O livro de Assunção não tem a profundidade interpretativa de outro que estou folheando, Guerreiros do Sol, de Frederico Pernambucano de Melo. Como a maioria dos livros sobre cangaço, é uma recolha de episódios contados e recontados de diferentes pontos de vista. Pertence ao que poderíamos chamar de “história oral preservada por escrito”.

terça-feira, 27 de maio de 2008

0405) Os bandidos regenerados (7.7.2004)




("Tiradentes esquartejado" de Pedro Américo)

D. João VI ficaria muito surpreso se pegasse uma máquina do tempo, visitasse o século 21, e descobrisse que o Brasil está cheio de estátuas em homenagem a Tiradentes, e nenhuma em homenagem a ele (se existir me avisem, porque desconheço). Pensaria o bom soberano: “Varei! O sujeito é imperador e não ganha uma estátua; quem ganha estátua são os marginais, os subversivos”. Teria razão em pensar assim. A Roda da História é como a Roda da Fortuna do Tarot, onde há sempre alguém subindo e alguém descendo, de acordo com o ir e vir das marés da política. O herói de hoje é o tirano de amanhã, e vice- versa. Tiradentes foi esquartejado, e teve seus despojos pregados ao longo das estradas de Minas para servir de advertência. Esse corpo despedaçado aparece hoje simbolicamente restaurado: refundido em chumbo, recomposto em mármore.

O mesmo vale para Lampião, que ainda hoje desperta no Nordeste reações extremadas de veneração e ódio. O mito de Lampião encarna virtudes de que o nordestino se envaidece: coragem, obstinação, esperteza, brabeza de macho, etc. Depois que o indivíduo é reduzido a pó e história, o Mito se limpa de suas imperfeições humanas, e se cristaliza muitas vezes como um conjunto de qualidades que talvez surpreendesse até o próprio objeto desse culto.

As estátuas de Tiradentes são hoje uma unanimidade no Brasil: ninguém questiona seu merecimento. Se alguém decidisse erigir uma estátua a Carlos Lamarca ou a Marighella, terroristas mortos pela ditadura militar, certamente haveria protestos aqui e acolá, mas sem dúvida grande parte da imprensa (e do Congresso Nacional) seria a favor. Depois que a ditadura se desmanchou em sua própria incompetência e corrupção, a opinião pública ficou liberada para achar que esses indivíduos não são criminosos, são heróis. Talvez heróis que tenham escolhido uma linha equivocada de ação política, mas heróis pela coragem de lutar uma luta desigual e suicida.

Fico me perguntando que caminhos percorrerá a evolução da consciência social brasileira. Quem serão os heróis do nosso tempo que merecerão estátuas em praça pública, nome nas praças, efígie em selos ou moedas? Claro que certos figurões (Brizola, Lula, Fernando Henrique, etc.) têm grandes chances de ganhar homenagens assim. Mas, quem serão as zebras? Quem serão os bandidos regenerados do futuro, quem serão os ex-marginais a terem sua imagem redimida? Não creio que gangsters como Fernandinho Beira-Mar ou Escadinha venham a ganhar tais honrarias, mas lembrem-se, tem gente que defende uma estátua para Lampião, que as elites brasileiras viam com os mesmos olhos com que vêem hoje os alcapones do tráfico. Os caminhos da História são surpreendentes. Ah, eu trocaria 24 horas de minha vida atual pela chance de viver essas 24 horas no ano 2104, andar pelas praças, olhar os mapas de nossas cidades, recensear as homenagens, e refletir um pouco sobre as crueldades e as ironias que o futuro nos reserva.