Mostrando postagens com marcador alienígenas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador alienígenas. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 18 de outubro de 2024

5113) A ficção científica interiorana (18.10.2024)





Em geral, temos da ficção científica uma imagem futurista, voltada para a alta tecnologia, as megalópoles, os centros nevrálgicos do poder. Faz sentido. No século 19, as grandes obras do Romance Científico vinham de Paris (Jules Verne) ou de Londres (H. G. Wells). No século 20, as revistas e as editoras que formataram a FC norte-americana estavam quase todas sediadas em Nova York. 
 
A imagem que melhor sintetiza essa vocação megalopolitana da FC é a imagem da série “Cities in Flight”, de James Blish, em que nossas grandes cidades, protegidas por cúpulas transparentes, erguem-se no ar como espaçonaves colossais e saem viajando pelo universo afora. 




Na direção contrária, temos uma ficção científica com os pés plantados no interior, nas regiões rurais, nos cafundós remotos, no que em diferentes lugares é chamado de “backlands”, “outback”, “sertão”. Onde o confronto com o futuro (e com alienígenas, e com dobras temporais, e com portais para outras dimensões, etc.) se dá não por meio de cientistas e heróis urbanóides, mas fazendeiros, caipiras, gente simples do interior. 



(capa: Infante do Carmo)


Talvez o melhor exemplo desta vertente seja o clássico Way Station (1963) de Clifford D. Simak. Um fazendeiro solitário, Enoch Wallace, é contactado por alienígenas para que sua fazenda sirva de camuflagem para uma “estação de trânsito” de viajantes que se destinam a diferentes pontos de galáxia. A estação é instalada secretamente, ninguém fica sabendo, e Enoch passa a conviver com os viajantes mais inesperados e estranhos. 




Esta idéia básica serviu de ponto de partida para uma série recente da Amazon Prime, Night Sky criada por Holden Miller. Nela, Sissy Spacek e J. K. Simmons fazem um casal de fazendeiros idosos que descobriu, no subsolo de sua fazenda, a entrada de um portal que proporciona a visão de outro planeta, e talvez o acesso físico a ele. No decorrer da série, descobrimos que eles não são os únicos, e que no mundo inteiro, geralmente em lugares remotos do interior, há portais semelhantes. 


Outra série recente é Outer Range (Amazon Prime), em que o fazendeiro interpretado por Josh Brolin descobre um imenso buraco em sua propriedade, aparentemente sem fundo, mas que depois se percebe ser um portal para se viajar no tempo. 
 
A FC tradicional é ridicularizada pelos críticos por sua mania (principalmente no cinema) de fazer com que os extraterrestres, com todo o planeta à sua disposição para pousar, se dirijam sempre à capital do Estados Unidos. Vai de encontro inclusive a uma certa lógica que permeia toda a Ufologia – a de que supostos viajantes prefeririam evitar centros povoados e militarmente defendidos, e se sentiriam mais à vontade pousando em lugares remotos e contatando pessoas isoladas. 
 
Uma argumentação interessante sobre os usos literários disto é desenvolvida pelo crítico Gary K. Wolfe (Locus Magazine, março de 1999), ao comentar a obra de dois escritores “interioranos” que ambientam suas histórias em sua região de origem: Robert Reed (de Nebraska) e Bill Johnson (de South Dakota). 
 
Wolfe faz comparações entre a paisagem de origem dos autores (as planícies intermináveis do Meio Oeste) e os cenários surreais que imaginam. Faz também uma curiosa análise de um dos contos mais conhecidos de Bill Johnson, “We Wil Drink a Fish Together”, sobre uma complicada interação envolvendo caipiras locais, alienígenas e agentes do governo. Ele comenta, a certa altura: 
 
Um dos motivos pelos quais os vilarejos do interior acabam servindo como local de acolhida para visitantes extraterrestres é simplesmente o fato de que essas cidadezinhas sempre tiveram que lidar com alienígenas. Qualquer visitante de fora é para eles um risco bastante visível de intervenção cultural, mas ao mesmo tempo são esses visitantes que mantêm viva a economia local. Com exemplos como os de Robert Reed e Bill Johnson, já podemos especular sobre o que define a Ficção Científica das Grandes Planícies: não apenas as paisagens vastas e vazias e o céu imenso, mas as pequenas comunidades que sobrevivem no meio de amplos espaços hostis, desconfiadas em relação aos intrusos e orgulhosas de suas estratégias de sobrevivência – o que não as torna muito diferentes de bases espaciais em asteróides, estações orbitais e colônias interplanetárias. (trad. BT)
 




(BING – Prompt: “Desenho hiper-realista, preto-e-branco. Uma paisagem caipira, do interior, com uma casinha de agricultor, cerca, riacho, e parada ali perto uma pequena espaçonave com um alienígena ao lado.”) 


A FC é acusada por muita gente, inclusive por mim, de alimentar um veio excessivamente militarista, explorando conceitos tipo “a conquista do espaço”. Para estas obras,  o Sistema Solar e a Galáxia são espaços a serem conquistados, invadidos, dominados por bem ou por mal. Em sua faceta mais paranóica, os invadidos somos nós, mas isto faz pouca diferença. Para esses autores, a FC é um ramo da ficção militarista, de guerra, de conquista, mesmo quando somos nós os conquistados. 
 
Do lado oposto, há esse tipo de FC interiorana, o qual se conecta com outro, que sempre me interessou: as histórias de presença alienígena entre nós, mas uma presença discreta, despercebida, porque eles são parecidos conosco, biologicamente adaptáveis (à nossa atmosfera, alimentação, etc.), e podem perfeitamente passar por seres humanos como nós. 
 
E não estão aqui para invadir ou guerrear. Vieram a trabalho, ou a estudo, ou apenas por curiosidade; mantêm-se incógnitos porque rapidamente descobrem que aqui na Terra o destino de um extraterrestre desmascarado será, na melhor das hipóteses, o cárcere num laboratório subterrâneo de pesquisas, e na pior o linchamento sumário no meio da rua. 
 
E é nesse filão literário que as histórias de FC se aproximam do que podemos chamar de “ficções do imigrante”, um tipo de ficção que nos EUA tem um papel mais importante do que o que tem na literatura brasileira. Os EUA já se orgulharam de ser um “melting pot”, um cadinho onde se misturaram irlandeses, ingleses, alemães, holandeses, judeus, mexicanos, italianos, o escambau. Esses migrantes todos produziram uma literatura vasta, ou foram objeto dela. 
 
O extraterrestre é um imigrante a mais, um tanto esquivo, um tanto arredio, sempre observador, cumprindo sempre alguma agenda secreta (cada história tem premissas diferentes) mas não propriamente hostil. Tudo que ele quer é ser aceito, é que o deixem em paz. 




Há um romance de Algis Budrys, Hard Landing (1993) em que um grupo de extraterrestres se acidenta na Terra, perde a nave e não consegue voltar. Eles se misturam à população, e cresce daí uma história de suspense, porque cada um deles (são quatro astronautas durões, cheios de recursos) tem um comportamento dierente, e há uma tensão maior entre eles do que entre eles e os terrestres. 
 
Budrys, autor de excelentes romances como Rogue Moon (1960) e Who? (1950), nasceu na Lituânia, e veio criança para os EUA; seu pai era exilado político. Ele diz: 
 
Uma boa parte da minha vida, quando criança, se passou em carros, ou trens, conversando com gente estranha, falando em vários idiomas, nunca parando quieto em lugar nenhum. 
 
O migrante será sempre um Outro, será sempre visto, em qualquer país, como alguém que “não é um de nós”, um estrangeiro, um estranho, um extra-terrestre, um alienígena. Alguém que “não é daqui da nossa terra”.  Essa perspectiva pode ser usada para histórias que transcorrem no anonimato das grandes cidades, é claro; mas parece que muitos escritores preferem se focar no choque cultural das pequenas comunidades diante da chegada rara e repentina de um Estranho. 
 
 
 



terça-feira, 30 de agosto de 2022

4858) "Nope", o horror nas alturas (30.8.2022)




Está em cartaz por aí o filme Não, Não Olhe (“Nope”, 2022) de Jordan Peele, uma mistura de horror e ficção científica, do mesmo diretor do ótimo Corra! (“Get Out”, 2017).
 
Corra! é aquela história do rapaz negro que começa a namorar uma garota branca. Ela é rica, linda, e parece muito apaixonada por ele. Convida-o então para aquele momento mais temível na carreira de um namorado: um fim de semana na casa dos pais dela, “para que vocês se conheçam melhor...”  O rapaz preferiria, talvez, ser esfolado vivo por lagostas gigantes, mas a garota é tão legal e tão bonitinha que ele vai.
 
Não vou me deter nesse filme aí, basta dizer que as lagostas teriam sido preferíveis.
 
O ótimo ator Daniel Kaluuya volta neste filme. Ele é “O. J.”, e faz parte de uma família de adestradores de cavalos. O pai morreu em circunstâncias charles-forteanas: uma moeda caiu do céu e perfurou-lhe o crânio. Esse fato inicial dá o tom do filme. Coisas improváveis acontecem. E não são improváveis na vida real, que derrapa no bizarro o tempo todo. São improváveis no cinema de Hollywood, a mais invulnerável das bolhas narrativas.

 
No rancho que “O.J.” mora, com sua irmã Emerald (Keke Palmer), os cavalos começam a desaparecer. O mesmo parece estar acontecendo no rancho vizinho, onde são encenados espetáculos ao vivo de cowboys. O. J. e Emerald chegam à conclusão de que se trata de um OVNI que abduz os cavalos, e pedem auxílio a alguns malucos. Para destruir o OVNI e salvar a Humanidade? Não, apenas isto: filmá-lo e vender as imagens por uma grana interplanetária.
 
O filme tem um orçamento até respeitável (custou 68 milhões e rendeu o dobro, até agora), mas é um filme “B” em muitos sentidos, mas principalmente no fato de ligar um foda-se para as convenções de sucesso.
 
Procurarei não dar muitos spoilers, afinal o filme mal estreou. Prefiro falar sobre alguns temas que correm ao longo dele.
 
O filme tem um conceito interessante sobre os alienígenas. Começa com um mero disco voador, bem convencional, sendo avistado nos céus, mas evolui depois para uma forma orgânica e bem realizada, que em certos momentos lembra os seres submarinos de O Segredo do Abismo (1989) de James Cameron.
 
E tem um precedente ilustre: o conto de Conan Doyle, “O Horror nas Alturas” (“The Horror of the Heights”, 1922, em Tales of Terror and Mystery), onde ele postula a existência de monstros aéreos, gelatinosos e meio transparentes, que esvoaçam quase invisíveis nas camadas mais elevadas da atmosfera. O conto é das primeiras décadas da aviação, e Doyle, bom escritor de ficção científica, rapidamente se volta para esses novos campos inexplorados.


Diz ele a certa altura:
 
Um explorador pode descer em nosso planeta mil vezes seguidas e nunca avistar com um tigre. E contudo os tigres existem, e se ele se deparar com um deles na selva, pode ser devorado. Existem selvas na atmosfera superior, e elas são habitadas por criaturas piores que os tigres.


(Daniel Kaluuya, em "Corra!")
 
O racismo era o tema principal do filme Corra!, onde um rapaz negro, ao ser atraído para dentro de uma família de brancos, descobre que eles querem destruí-lo e metaforicamente “devorá-lo”. Ele reage com violência e consegue se safar, mediante uma verdadeira carnificina. Em Nope, o mesmo ator (Daniel Kaluuya) é ameaçado pela criatura alienígena, que tenta devorá-lo fisicamente; ele e seus amigos reagem com violência contra a criatura.
 
No primeiro filme, o tema racial está claramente colocado, o tempo inteiro. Em Nope, não: é como se os personagens fossem “pessoas”, apenas, pois o alienígena está à apenas procura de criaturas vivas – ele mostra aliás uma certa preferência pela carne dos cavalos. O monstro não distingue raças; aos olhos dele, somos todos iguais. Os negros (O. J. e Emerald) estão ali representando a raça humana.
 
Falei acima que é um “filme B”, e é preciso qualificar isto um pouco. No tempo em que os cinemas dos EUA tinham programação dupla, o filme “A” era aquele em cujo sucesso se apostava mais; o “B” era o contrapeso, o complemento da programação.
 
Nem sempre o filme “A” era o mais caro e o “B” mais barato. Era um pouco como o Lado A e o Lado B dos discos “compactos”, que traziam uma canção de cada lado. Nos discos, apostava-se no sucesso do Lado A e no Lado B colocava-se uma canção menor, guardando as melhores para o Lado A de novo disco a ser lançado no mês que vem.
 
Daí surgiu essa idéia – que me atrai – de que filme B, por esse conceito, é o filme que não se propõe a ser um enorme sucesso, que quer apenas se pagar e encaminhar o próximo. O filme A é aquele onde se espera ganhar bastante dinheiro, então se gasta mais grana; e já que se gasta mais grana a necessidade de retorno vai aumentando, em efeito cascata.
 
Expectativa de sucesso é uma desgraça, no cinema de Hollywood. Significa que todos os executivos num raio de quilômetros vão querer assistir as primeiras versões do filme pré-editado e dar palpite: “Muda a trilha sonora... Corta vinte minutos... Tira essa atriz e refilma as cenas dela... Bota uns números musicais pra alegrar...”  É o verdadeiro horror nas alturas.
 
Não, Não Olhe tem algo de Bacurau (Kleber Mendonça e Juliano Dornelles, 2019), em sua ambientação meio desértica, remota, longe dos centros urbanos, com pessoas de poucos recursos tentando enfrentar uma ameaça externa que (um detalhe simbólico nos dois filmes) corta sua eletricidade e sua conexão, ou seja, começa por eliminar “virtualmente” as pessoas. Depois disso, elas se tornam apenas “carne viva” em fuga, tentando se esconder. Ou reagir.
 
Tem algo também de Repo Man (Alex Cox, 1984), com a presença de um alienígena misterioso fazendo estragos e da reação meio desorientada de um grupo de pessoas comuns. Os protagonistas não são os cientistas atômicos e os generais do Exército de tantos “filmes de monstros da FC”. São gente comum, jovem, que ouve rock, que tem algum conhecimento prático de tecnologia e algumas noções meio fantasiosas sobre vida extraterrestre, uma mistura de cultura de almanaque com teoria da conspiração.
 
O filme é sobre isso, não é uma simples exibição de efeitos especiais (que aliás são bastante razoáveis). A todo instante aparecem algumas situações bizarras que são típicas do cinema autoral, e que no caso de um “Filme A” teriam que ser submetidas as uma verdadeira bateria de interrogatórios de executivos de estúdio, que são, por definição, a espécie alienígena mais antropófaga e robotizada.
 
“O estranho, o bizarro, o inesperado” – esse era o mantra do seriado Acredite... Se Quiser, sucesso de muitos anos na TV, inclusive no Brasil. O Believe It Or Not de Robert L. Ripley surgiu nos jornais impressos em 1919, o mesmo ano do clássico The Book of the Damned de Charles Fort, que explorava este mesmo território.

São idéias fantasiosas, lúdicas, que não pretendem convencer ninguém, e nesse aspecto essencial diferem das atuais teorias terraplanistas, sempre evangelizadoras em benefício próprio. A fascinação pelo que é bizarro e inexplicável nada tem de ciência: é narrativa em estado puro, narrativa imaginativa popularesca. O caldo nutriente de onde surgiu a ficção científica de cem anos atrás.



sábado, 15 de fevereiro de 2020

4550) "They Live" de John Carpenter (15.2.2020)




Dias atrás estive em São Paulo, no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc, para participar do Cineclube Sci-Fi, uma programação de exibição e debate de clássicos da ficção científica, sob a coordenação eficiente e simpática de Sabrina Paixão e Cláudia Fusco.

Eles Vivem (“They Live”, 1988), de John Carpenter, foi o filme que debatemos, e que gerou discussões proveitosas durante cerca de duas horas.

Eles Vivem é uma obra curiosa, um filme B com certos cacoetes amadorísticos, certo apego afetivo a clichês narrativos, mas por outro lado tem momento de uma narrativa vigorosa, reviravoltas surpreendentes, e um conteúdo crítico presente do começo ao fim, em sua distopia de um país invadido por seres poderosos e manipuladores.

O protagonista, John Nada, é um cara musculoso e simplório (tipo o Pedro Orósio de “O Recado do Morro” de Guimarães Rosa), cheio de boas intenções mas de assimilação meio lenta. Ele se depara com uma conspiração aterrorizante e cruel, em escala planetária. O que fazer? Sabe que é apenas um cara bronco, sem grana, sem nenhum poder além da musculatura que o ajuda a agarrar um policial pelas costelas e arremessá-lo bem longe.

É o tipo do filme que se tivesse grande orçamento botaria nesse papel um bronco com mais pedigree, como Schwarzenegger ou Stallone. John Carpenter teve a idéia de colocar como protagonista um lutador de wrestling, Roddy Piper, cujos talentos como ator são modestos, para dizer o mínimo.

Me lembrou um meme cruel que li certa vez, a mensagem de um apaixonado para a suposta namorada: “Eu preciso de você mais do que Ben Affleck precisa de aulas de interpretação.”

Curiosamente, isso acaba funcionando, porque deixa mais abismal a sensação de perplexidade e de impotência do personagem quando descobre a conspiração interplanetária. Se alguém pode representar (sem a necessidade de atuar) um sujeito perdidão é Roddy Piper.

O gimmick (ou pequeno truque) principal do filme é o uso de óculos escuros especiais que permitem aos personagens filtrar as imagens e distinguir não somente os humanos dos ETs, como perceber as mensagens subliminares (“Compre!”, “Reproduza-se!”, “Obedeça!”) presentes em toda a parafernália das capas de revistas, anúncios, cartazes, outdoors, etc.



“Óculos mágicos” são um antigo motivo da literatura fantástica, e até aqui no Brasil temos um honroso precursor, Joaquim Manuel de Macedo, com A Luneta Mágica (1869). Nesse romance, um rapaz míope recebe sucessivamente dois pares de óculos mágicos: o primeiro lhe permite ver o mal que há nas pessoas, e o segundo lhe mostra o lado bom. Como o rapaz é bastante ingênuo (Roddy Piper poderia interpretá-lo numa adaptação para a tela), acaba se dando mal em todas as situações.

A cena mais famosa do filme é a da briga no beco entre John Nada e seu amigo Frank, com toda a estilização, exagero e artificialidade das lutas de wrestling. Vê-se que Carpenter é um aficionado da luta-livre, acha bacana, e se diverte esticando ao máximo um confronto onde dois caras fortões parecem estar dando pancadas demolidoras um no outro, mas mal dão sinais de terem apanhado.

Muito melhores são as duas cenas de violência policial: a destruição dos acampamentos dos Sem Teto, que nos lembra, detalhe por detalhe, as centenas de cenas idênticas que já vimos nos telejornais brasileiros, e a invasão da polícia no lugar de reunião da resistência clandestina. Carpenter é um bom diretor de cenas de ação, com movimentos bem coreografados, cortes rápidos, uma boa noção espacial: não desorienta o espectador mas consegue reproduzir a sensação de caos e desorientação de momentos assim.

“Vim aqui pra mascar chiclete e meter pé-na-bunda, e o chiclete acabou”, é a frase famosa do filme, quando John Nada entra numa agência bancária de carabina em punho.  Ao que se diz, era uma das frases que o lutador inventava e anotava num caderninho para dizer no ringue. Entrou para o filme e ficou famosa.

Carpenter tem nesse filme um estilo menos tenso, menos cuidadoso e menos “realista” do que em clássicos anteriores como Fuga de Nova York (1981) e O Enigma do Outro Mundo (“The Thing”, 1982). Talvez por ser esta uma narrativa conduzida praticamente em todas as cenas pelo personagem principal, ela parece mais solta, menos intencional, menos “eficiente” do que os dois filmes anteriores, que são filmes de ação e suspense conforme o figurino.

Essa competência anterior certamente gerou a expectativa que fez They Live estrear em número 1 nas biheterias norte-americanas, e foi certamente esta narração mais pedestre, mais distanciada, mais arrastada, que fez o filme cair bruscamente nas semanas seguintes.

O forte de They Live é o seu recado político onde fica bastante clara a comparação do autor entre os alienígenas predadores e o grande capital neo-liberal que naquela década começou a passar o rodo no mundo, na era Reagan-Thatcher.

Carpenter extrai um ótimo contraste visual entre os EUA empobrecidos e mendicantes da primeira parte do filme, e o subterrâneo meio surrealista das sequências finais. Tendo conseguido furar as defesas dos ETs, John Nada e Frank vão parar num labirinto de corredores que são uma alusão direta aos “bunkers” do complexo militar-industrial-financeiro que governa hoje as grandes e as pequenas nações.

No meio desse labirinto, ele vão parar num incongruente salão de banquete, com candelabros, mesas finas, cristais, homens de smoking e mulheres de vestido longo. Parece uma festa da Câmara do Comércio ou um daqueles jantares de apoio a uma candidatura presidencial.

Não é isso, mas é algo próximo disso: é uma comemoração da aliança firmada entre os ETs e os humanos que decidem apoiá-los em sua invasão. Não existem invasões sem algum tipo de colaboração por parte de algum grupo entre os invadidos.

Dos corredores blindados do bunker os dois vão parar no salão de banquete, dali para o ponto de teleporte onde os indivíduos são desmaterializados e remetidos para Betelgeuse, a estrela de onde vêm os invasores, e dali para o estúdio de TV de onde provêm toda a programação colorida e festiva que envia mensagens subliminares de conformismo e obediência.

Com essa sucessão de ambientes improváveis o diretor consegue um impulso narrativo acelerado para as cenas finais onde os dois amigos, já desmascarados, e perseguidos por todo mundo, tentam sabotar a antena que emite o sinal.

Eles Vivem pode ter decepcionado, em suas primeiras semanas, o público mais amplo que John Carpenter havia conquistado com seus filmes de ação impecáveis. Ele tem, no entanto, qualidades de tema e de execução que suplantam em muito suas eventuais “tosqueiras”.

Disse Howard Hawks (reza a lenda) que um filme é bom quando “tem três cenas boas e nenhuma ruim”. Dessa frase dele eu extraio uma verdade paralela: se um filme B tem três cenas boas, não importa o quanto as outras sejam ruins. E nem é este o caso de Eles Vivem, que na verdade só perde um pouco quando comparado a filmes melhores do diretor, mas tem méritos próprios de verdade política e de estranheza visual.











sábado, 16 de janeiro de 2016

4026) O Alien é a gente (17.1.2016)




Desde os dezoito anos eu vejo menções à famosa frase do quadrinista Walt Kelly, o autor da série Pogo: “We met the enemy, and he is us”. “Encontramos o inimigo e ele é nós”. Ou, numa tradução mais coloquial, mais próxima do registro da HQ original: “Saquei quem é o inimigo. É a gente”.

Fui dar uma olhada na história dessa frase e fiquei sabendo que ela surgiu como paródia a outra frase famosa, pronunciada a sério. Em 1913, o Comandante Perry, da marinha norte-americana, assim anunciou aos seus superiores a vitória naval na batalha do Lago Erie: “We have met the enemy, and they are ours” Ou: “Encontramos o inimigo, e eles agora são nossos (=estão em nosso poder).”

A frase de Kelly tem a ver com a criação de alienígenas na ficção científica, porque de cada um deles pode-se dizer: “Ele é a gente”.  Não importa se são lagartiformes ou esféricos, se são mamíferos ou insetóides. Sua aparência pode ser demoníaca como ocorre com os Overlords de Arthur C. Clarke em O Fim da Infância, colossal como o Bihil de O Grande Ser de Peter Randa, quase imaterial como A Nuvem Negra de Fred Hoyle. Pode ser repugnante, incompreensível. No momento em que existe entre eles e nós qualquer interação, qualquer troca de mensagens (mesmo hostis), o Outro nos tocou, nós o tocamos, e sua alteridade se rompeu em parte, porque descobrimos nele alguma coisa de nós mesmos.

Em Alien Encounters (1981) de Mark Rose, ele cita o comentário de Patrick Parrinder, de que “não é possível imaginar algo totalmente alienígena, mas apenas conceber algo que nos seja estranho por efeito de contraste ou de analogia com algo já conhecido.” Isto faz, diz Mark Rose, com que possamos imaginar porcos voadores ou mentes que caminham ou mesmo estrelas inteligentes, mas não somos capazes de imaginar algo que não mantenha relação alguma com o que já conhecemos. Por isso (diz Parrinder) os alienígenas na FC possuem sempre uma dimensão metafórica. Por mais que sejam produtos da imaginação, e por mais desbragada que esta seja, há sempre algo nosso nesse elemento que sintetiza a Estranheza.

Na trilogia Comando Sul, de Jeff Vandermeer (Ed. Intrínseca), esse problema é colocado de uma maneira enigmática, tarkovskyana (a obra evoca tanto Stalker quanto Solaris). Os personagens (e o leitor) se deparam com fenômenos que só podem ser explicados como a interferência de uma inteligência estranha, e cabe a eles concatenar uma série de fatos disparatados nesses fenômenos, durante os quais os humanos da narrativa passam a questionar a sua própria existência, porque depois do Contato as leis físicas do mundo parecem ter deixado de vigorar universalmente.



terça-feira, 4 de novembro de 2014

3649) Os Reptilianos (4.11.2014)


Tenho uma má e uma boa notícia.  Primeiro a má: os Reptilianos existem. (São aqueles seres possivelmente alienígenas, que se metamorfoseiam de humanos para conviver na sociedade humana, mas nos momentos mais sutis se desmascaram, mostram sua natureza iguana, sua vocação serpente, sua frieza réptil.)  Para compensar, digo logo a boa notícia: somos nós mesmos.  Ou, como dizia um personagem da tirinha de Al Capp, “they is us”.  Eles é nóis.

Minha teoria é de que os Reptilianos não são uma espécie biológica, algo que se distingue da nossa pela diferença genética.  Os Reptilianos são um estado de espírito.  São um software mental, um conjunto de ações, reações, estímulos, reflexos, impulsos, tudo executado por humanos biologicamente iguais a nós.  Por nós mesmos, na verdade. Eles não têm o corpo diferente do nosso, eles têm o corpo da gente, a mente deles é que é outra linguagem, outro volapuque, outro Fortran.

Eles têm uma moral binária; só enxergam sim ou não, preto ou branco.  (Isso vale para os répteis, mas não para ao mamíferos, que é o que somos por “default”. Só viramos reptilianos quando começamos a ver TV.)  Eles dominam um conjunto de algoritmos super complicados que lhes permitem, em fração de segundo, criar diante de qualquer massa de dados duas categorias nítidas (sim/não, on/off, etc.) e despejar tudo nesses dois pratos da balança.  No mundo mental deles, tudo deve ser dividido binariamente, porque na verdade eles são comandados por um cérebro primordial que divide tudo em “a favor / contra”.  O que é a meu favor deve ser preservado; o que é contra mim precisa ser destruído.

Os Reptilianos derivam com facilidade para o esporte e a política, duas atividades onde, por mais que haja “áreas cinzentas”, tudo se decide com resultados numéricos: sim/não, ganhou/perdeu, campeão/vice, governo/oposição.  Uma das frases preferidas dos Reptilianos, ao discutir, é: “Você tem que optar por um dos dois, não pode ficar em cima do muro”, porque para eles é imprescindível estar contra ou a favor deles.  Se eles dizem que a humanidade se divide entre os que gostam de hamburger e os que gostam de pão francês com bife, você tem (pra eles) a obrigação moral de optar por um dos dois. Não pode simplesmente dizer que essa divisão lhe parece irrelevante ou capciosa.

Estamos sendo treinados (pela imprensa, pela TV, pela Internet) para raciocinar sempre nesses termos, “meu lado / o outro lado”, “comigo / contra mim”.  Por que? Não sei, pode ser que os Reptilianos estejam se preparando para uma batalha e precisem de soldados assim, que dividam conceitos com presteza, obedeçam com eficiência, destruam sem remorsos.


sábado, 18 de maio de 2013

3189) Suponhamos (18.5.2013)





Suponhamos (disse o professor de Matemática) que a existência de dimensões no espaço-tempo esteja relacionada a campos energéticos, de modo que um ser vivo pudesse chegar intacto ao fim de uma viagem transdimensional, e uma cadeira não. Suponhamos então (disse o jornalista, tamborilando os dedos na borda do teclado) que as criaturas vivas do nosso planeta têm diferentes graus de gasosidade, registre essa palavra como de minha autoria, e passam sem se ver, uma através da outra, como uma galáxia inteira passa por dentro de outra galáxia sem que duas estrelas se toquem. Suponhamos (disse o fazendeiro com chapéu de palha e charuto desafiante) que eu chamasse o delegado e perguntasse que destino foi dado àquele rapaz bêbado que enchia o saco de todo mundo nas festas daqui da cidade, falando em não-sei-do-quê não-sei-de-quá transdimensionais.

Suponhamos que eu já esteja de saco cheio disso tudo e não queira mais mexer nesse assunto, entende aí, boa noite, foi mal (o rapaz, já não bêbado). Suponhamos (disse a sua platéia o dr. Jean-Marie François, Ph. D) que eles dominam uma dimensão a mais que nós; que há atalhos do espaçotempo que somente eles podem atravessar, e nós não; como o cavalo do xadrez, que vive numa dimensão a mais que os outros. Suponhamos (disse o dr. Nathaniel, diretor da clínica) que o senhor perceba o quanto seu trabalho está bem encaminhado e que este é o melhor momento para um merecido descanso, dr. François, de modo que trouxemos aqui esta autorização judicial, e garantimos que tudo está preparado para que o sr. nem pense em trabalho.

Suponhamos que o velho não pulou (disse outro jornalista, soprando um líquido negro num copinho branco de plástico), e sim que foi atirado lá de cima, por se recusar a colaborar, ou por ter descoberto algo comprometedor, ou por ter pisado nos calos de alguém muito poderoso, ou as três alternativas juntas. Suponhamos (disse alguém) que todos esses cientistas morrendo, esses aviões de ministros e de senadores que caem, esses acidentes de estrada, essa onda de suicídios, suponhamos então que isso não passa de uma queima pública de arquivo, de alguma informação que sem poder circular estava circulando mesmo assim no mundo da matemática pura, da topologia, da microfísica, da teoria dos cordéis; que tudo não passa de um pogrom sistemático, irredutível, cercando quem fosse capaz de calcular, identificar, e aprender a bloquear os hipertúneis desses seres - que podem lhes dar acesso a qualquer cofre forte nosso, a qualquer sexo fraco, a qualquer mercado negro, a qualquer torre de comando, a qualquer fortaleza, a qualquer universo criptográfico, a qualquer coluna de jornal.



quinta-feira, 25 de abril de 2013

3169) "Repossession Man" (25.4.2013)





Nos anos 1950, os rebeldes sem causa dos EUA e os “angry young men” da Grã-Bretanha batiam de frente com pais caretas, moral e politicamente conservadores. O filme Repo Man de Alex Cox (1984) é de uma geração depois disto, e tem um perfil interessante. É um desses filmes rebeldes e roqueiros que a toda hora escapam por entre as frestas da indústria.  Em parte mostra o que significa ser punk: a briga surda e não-violenta entre o rapaz Emilio Estevez e seus pais é uma briga perfeitamente normal. Ou seria, se os pais não estivessem fumando baseados e não tivessem investido todas as suas economias num pastor evangélico.

O personagem Otto começa a trabalhar como “Repo(ssession) Man”, o cara a quem cabe tomar de volta os automóveis que foram comprados e não foram pagos. O filme, mais do que ser uma análise do meio social e cultural dos “repo men”, parece um filme financiado e co-roteirizado por repomen do mundo real. Tem a trilha sonora de alta octanagem e mistura de cenas de brigas, de perseguição, cenas que o diretor traz prontas na cabeça e depois dá um jeito de encaixar na história.

Meu personagem favorito é um maluco que vive elaborando teorias da conspiração e imagina que os discos voadores são máquinas do tempo, e que as pessoas desaparecidas nas grandes cidades foram na verdade enviadas para o Passado. Para quê? Não se sabe, porque tudo é muito mais complexo e cheio de surpresas do que a gente imagina. Nas franjas da cultura roqueira paira sempre esse universo cinza e pegajoso das fantasias cósmicas ou de espionagem megacorporativa, a noção (que a paranóia das drogas certamente deixa mais vívida) de que o mundo é manipulado por forças malignas que desconhecemos.

O filme tem uma cena em que um cara entra num carro e faz ligação direta dos fios da ignição. Isso durou uns trinta segundos, mostrando todas as tentativas de fazer o motor pegar, e foi uma eternidade, porque em filme americano o normal é um corte rápido e o carro já vai de estrada afora, satisfeitão. O plano insuportável deste filme amadorístico me abriu os olhos para a possível cronometragem de um roubo-de-carro real.

Há uma subtrama alienígena sobre alguma coisa radioativamente mortal na mala de um carro, o que acaba se tornando um “deus ex machina”, um raio mortal lançado por Zeus. Quando é preciso matar um personagem, basta fazê-lo abrir a mala desse carro. É um momento Arquivo X na história, mas feito num clima meio de humor, meio de filme-B-de-alien, que é o que Repo Man acaba sendo mesmo. Filme sem compromisso com bilheteria, a não ser o propósito de se pagar e poder fazer outro. Como aliás deveriam ser todos os filmes.




quarta-feira, 11 de julho de 2012

2920) "Prometheus" (11.7.2012)








O novo filme de Ridley Scott parece iniciar uma fusão entre os dois clássicos que ele dirigiu na FC (Alien, o 8. passageiro, 1979, e Blade Runner, 1982).  Os filmes ocorrem em diferentes universos, oriundos de autores não relacionados um ao outro, mas que Scott parece querer botar esses universos embaixo da sua própria asa.  Em ambos os filmes existiam andróides (chamados “replicantes” em Blade Runner) e parece ser este o elo entre as duas linhas ficcionais.  Em Alien e Prometheus não vemos a Terra, a não ser em duas cenas curtas no início do segundo filme, cenas em lugares desertos, que nada nos mostram da realidade urbana desse futuro. Uma Terra capaz de gastar um trilhão de dólares mandando uma nave a um planeta distante, para que dois arqueólogos confirmem ou não sua tese sobre a origem de humanidade. Será a mesma Terra cuja Los Angeles em 2019 produzia  replicantes?

Se as histórias vão se mesclar através do enredo, contudo, é menos importante do que o fato de que se mesclam através da temática.  A expressão “encontrar o seu criador” (“to meet thy maker”), usada em Blade Runner, é retomada insistentemente neste filme, só que desta vez não são os replicantes que querem um tête-à-tête com o engenheiro que os criou (Tyrell, da Tyrell Corporation) e sim os humanos que descobrem (ou imaginam ter descobertos) indícios de que a humanidade foi criada por uma raça de Engenheiros que veio de outra parte da Galáxia.

Blade Runner já questionava a frieza com que os humanos tratavam os replicantes, frieza e insensibilidade dignas de qualquer andróide.  O David de Prometheus é um andróide que trata os humanos com a polidez impecável e desdenhosa de um mordomo inglês administrando uma família nobre mas disfuncional; mas a executiva de carne e osso interpretada por Charlize Theron não é mentalmente menos andróide do que ele.  Ela e David confirmam a frase de Philip K. Dick de que alguém que não se preocupa com o sofrimento de uma criatura viva é uma máquina, mesmo que seja uma criatura viva.

Prometheus deve elementos aos filmes já citados mas também a 2001 de Kubrick (sinais achados na Terra remetem expedição a um planeta distante) e a Missão: Marte de Brian de Palma (montanha oca, estatuária colossal, tempestade de areia, nave soterrada, fecundação dos oceanos terrestres com DNA alienígena). É o próprio DNA do gênero que Ridley Scott está mais uma vez dissecando e recombinando, e em termos de perfeição técnica e ousadia visual ele está mais próximo de Kubrick do que de De Palma.  Esta primeira metade da sua nova narrativa justifica a expectativa pela segunda.

domingo, 4 de março de 2012

2809) ETs e presidentes (4.3.2012)



(Dwight Eisenhower e um alien grey)

Entre as mil teorias da conspiração que fervem de mundo afora uma das minhas preferidas é a de que a Humanidade já comprovou há muito tempo a existência de extraterrestres e a sua presença na Terra, mas os governos não divulgam essa informação por motivos variados. Ou por um motivo só: existem coisas que a plebe rude não precisa saber. Essa hipótese vai a reboque de casos como o de Roswell, do Triângulo das Bermudas, da Área 51 e outros. Nessas áreas teriam ocorrido os contatos iniciais entre os humanos e os ETs; dali em diante, tudo rolou sob sigilo absoluto. O governo dos EUA, os militares e as grandes empresas (possíveis beneficiárias da importação de know-how interplanetário) seriam os únicos a saber de tudo. Há muitos outros casos, é claro, mas esses são os mais famosos, inclusive porque a mídia dos EUA os considera um chamariz infalível para vender livros, tablóides e DVDs.

Foi divulgado agora um depoimento de Timothy Good, ex-assessor de Dwight Eisenhower, presidente dos EUA de 1953 a 1961. Segundo ele, “o ex-presidente teria se encontrado com seres de outro planeta, na base aérea do Novo México, em 1954, na presença de agentes do FBI”. O encontro teria sido marcado por meio do envio de mensagens telepáticas, como informa o jornal britânico Daily Mail. Eisenhower, um militar durão que teve um papel importante na II Guerra Mundial, o que o levou à presidência, era também um sujeito com um lado místico. Acreditava na vida em outros planetas, e isto contribuiu para que desse apoio ao programa aeroespacial do país. Segundo Good, o ex-presidente se encontrou com aliens de aparência nórdica e depois com outros que diziam pertencer ao grupo chamado "Alien Greys" (seres de corpo acinzentado e aparência ameaçadora). Para encobrir os encontros na época, o governo informou que o ex-presidente estava em uma viagem de férias em Palm Springs, na Califórnia. Segundo o ex-assessor, autoridades do mundo inteiro vêm há décadas mantendo contatos com extraterrestres.

O que alimenta essas crenças todas? Para mim é uma questão de lógica. Se eu próprio fosse presidente e meu país fizesse contato com extraterrestres, a última coisa que eu faria seria comunicar isto à população. Uma revelação desse porte não provocaria apenas um caos social, mas uma total desorientação de propósitos, uma perplexidade, uma celeuma, e isso iria desviar a população dos seus afazeres. É cruel dizer isto, mas a gente sempre acha que certas verdades só podem ser acessadas por uma elite de escolhidos, e a grande massa tem que se consolar com uma versão pacificatória e chapa-branca. Se eu penso assim, que dirá o presidente dos EUA.