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domingo, 4 de março de 2012

2809) ETs e presidentes (4.3.2012)



(Dwight Eisenhower e um alien grey)

Entre as mil teorias da conspiração que fervem de mundo afora uma das minhas preferidas é a de que a Humanidade já comprovou há muito tempo a existência de extraterrestres e a sua presença na Terra, mas os governos não divulgam essa informação por motivos variados. Ou por um motivo só: existem coisas que a plebe rude não precisa saber. Essa hipótese vai a reboque de casos como o de Roswell, do Triângulo das Bermudas, da Área 51 e outros. Nessas áreas teriam ocorrido os contatos iniciais entre os humanos e os ETs; dali em diante, tudo rolou sob sigilo absoluto. O governo dos EUA, os militares e as grandes empresas (possíveis beneficiárias da importação de know-how interplanetário) seriam os únicos a saber de tudo. Há muitos outros casos, é claro, mas esses são os mais famosos, inclusive porque a mídia dos EUA os considera um chamariz infalível para vender livros, tablóides e DVDs.

Foi divulgado agora um depoimento de Timothy Good, ex-assessor de Dwight Eisenhower, presidente dos EUA de 1953 a 1961. Segundo ele, “o ex-presidente teria se encontrado com seres de outro planeta, na base aérea do Novo México, em 1954, na presença de agentes do FBI”. O encontro teria sido marcado por meio do envio de mensagens telepáticas, como informa o jornal britânico Daily Mail. Eisenhower, um militar durão que teve um papel importante na II Guerra Mundial, o que o levou à presidência, era também um sujeito com um lado místico. Acreditava na vida em outros planetas, e isto contribuiu para que desse apoio ao programa aeroespacial do país. Segundo Good, o ex-presidente se encontrou com aliens de aparência nórdica e depois com outros que diziam pertencer ao grupo chamado "Alien Greys" (seres de corpo acinzentado e aparência ameaçadora). Para encobrir os encontros na época, o governo informou que o ex-presidente estava em uma viagem de férias em Palm Springs, na Califórnia. Segundo o ex-assessor, autoridades do mundo inteiro vêm há décadas mantendo contatos com extraterrestres.

O que alimenta essas crenças todas? Para mim é uma questão de lógica. Se eu próprio fosse presidente e meu país fizesse contato com extraterrestres, a última coisa que eu faria seria comunicar isto à população. Uma revelação desse porte não provocaria apenas um caos social, mas uma total desorientação de propósitos, uma perplexidade, uma celeuma, e isso iria desviar a população dos seus afazeres. É cruel dizer isto, mas a gente sempre acha que certas verdades só podem ser acessadas por uma elite de escolhidos, e a grande massa tem que se consolar com uma versão pacificatória e chapa-branca. Se eu penso assim, que dirá o presidente dos EUA.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

0764) A maldição de Philip Klass (30.8.2005)



Faleceu nos EUA o jornalista Philip Klass (não deve ser confundido com o escritor Philip Klass, autor de obras de ficção científica sob o pseudônimo de William Tenn), que dedicou sua vida a questionar os ufologistas. Ele morreu aos 85 anos e era uma figura conhecida nos EUA, o tipo do cético que “bota terra” em todas as argumentações dos crédulos. Embora fosse impiedoso com as idéias, Klass era generoso com as pessoas. Costumava dizer que 90% das pessoas que avistavam OVNIs eram pessoas honestas e inteligentes que tinham visto algo que não sabia explicar (por serem leigas) e acabavam embarcando nas lendas sobre discos voadores e extraterrestres.

Klass foi o autor de um texto (muito divulgado) conhecido como “A Maldição”, onde diz: “A todos os ufólogos que me criticam em público, ou que pensam coisas ruins sobre mim em particular, eu deixo aqui consignada a Maldição dos OVNIS: Não importa quantos anos vocês vivam, vocês nunca chegarão a saber mais sobre OVNIs do que aquilo que sabem hoje. Nunca saberão, mais do que sabem hoje, sobre o que os OVNIs são ou de onde eles vêm. Nunca saberão nada, que não já saibam hoje, a respeito do que o Governo sabe sobre os OVNIs. No momento em que vocês estiverem deitados em seus leitos de morte, saberão sobre os OVNIs exatamente o mesmo que sabem agora; e lembrarão desta maldição”.

Parece uma coisa meio pesada, baixo-astral? Que nada, eu ouço essas palavras num tom brincalhão e zombeteiro. Dizer que nunca se virá a saber mais do que se sabe hoje é dizer que não há o que saber, não há o que descobrir, que tudo não passa de uma ilusão coletiva, uma lenda urbana. É claro que bastaria uma única prova irrefutável para invalidar a provocação de Klass, mas aqui pra nós, se em mais de 50 anos essa prova não apareceu, algo me diz que ela está mais longe do que perto.

Visionários sempre poderão relatar que foram abduzidos e levados para Marte ou para o planeta Vulcano; como não podem provar o que afirmam, é o mesmo que dizerem ter ido parar no Inferno de Dante ou no Reino do Vai-Não-Torna. Klass certamente se dirige àqueles ufólogos sinceros e de espírito científico que crêem na existência de uma verdade por trás daquilo tudo. Já conversei, durante o Encontro Para a Nova Consciência, com um ufólogo que pesquisa OVNIs há mais de quinze anos. “Já visse algum?”, perguntei. E ele: “Vi uma meia-dúzia de coisas que não sei explicar, mas não posso sair por aí dizendo que eram naves extra-terrestres. Era apenas uma coisa passando no céu e que eu não sabia o que era, ou seja: era um Objeto Voador Não-Identificado”. Pense num sujeito honesto! Mas ao mesmo tempo ele tinha uma certeza emocional de que existe algo de verdade por trás de toda esta história. Para mim, estes são os personagens verdadeiramente trágicos da Ufologia: os que são arrastados numa direção pela fé, e noutra pelo espírito científico. Para eles, a Maldição de Klass é fonte perpétua de insônia.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

0690) Ufologia e FC (4.6.2005)



Como leitor e escritor de ficção científica, muitas vezes me vejo diante de perguntas bem intencionadas mas que demonstram uma confusão muito freqüente na cabeça das pessoas. Chega alguém e me diz: “Por que você acredita em discos voadores?” Muita gente confunde a ficção científica com a Ufologia, o estudo dos objetos voadores não identificados. Existe um certo parentesco, concordo; mas são duas coisas tão diferentes quanto escrever romances policiais e pertencer à Polícia Civil.

A ficção científica é a literatura que explora as situações produzidas por inovações científicas e tecnológicas. Aborda uma ilimitada variedade de temas e situações, dentre as quais a existência de civilizações alienígenas que espionam a terra é apenas uma percentagem mínima. Não custa lembrar que a FC é uma Literatura, um tipo de narrativa essencialmente literário. Foi a literatura, e não o cinema ou a TV, quem criou e desenvolveu todos estes temas. O fato do cinema ser hoje o rosto mais visível da FC é mais uma dessas ironias da História. A literatura de FC (infelizmente pouco traduzida no Brasil) é incomparavelmente mais rica, mais profunda e mais variada do que esse samba-de-uma-nota-só que são os seriados tipo “Guerra nas Estrelas”, “Jornada nas Estrelas” etc.

A Ufologia, por outro lado, não é literatura. Ela se propõe ser uma ciência, ou pelo menos uma atividade de pesquisa e análise de fenômenos que tem a ver com a ciência. Na verdade, a Ufologia de hoje já se divide em duas vertentes: a Ufologia Científica, que tem muito a ver com a astronomia, a astronáutica e o jornalismo investigativo, e a Ufologia Mística, que é uma espécie de religião informal com extraterrestres no lugar de anjos e de demônios.

Curiosamente, nenhum dos dois grupos (Ufologia e FC) gosta de ser confundido com o outro. Os ufólogos afirmam estar trabalhando com assuntos sérios, reais, fatos importantes para o destino da Humanidade, e não querem ser confundidos com o pessoal da FC, que está apenas inventando histórias fictícias sobre situações imaginárias. Já o pessoal da FC considera que está fazendo literatura, praticando uma forma de arte, sem outro objetivo senão o objetivo artístico, e que deve ser julgada artisticamente. Para estas pessoas, um romance sobre discos voadores é um objeto sério e real, mesmo que um disco voador não seja.

As pessoas que escrevem sobre alienígenas em geral não estão preocupadas em saber se eles existem ou não: querem apenas explorar as possibilidades narrativas que essa hipótese oferece. Quem escreve livros sobre vampiros, fantasmas, sereias, saci-pererê, centauros e outras criaturas semelhantes também não acredita em sua existência no mundo real, mas precisa de sua existência no mundo da narrativa. A diferença entre a FC e a Ufologia é que a FC cria histórias imaginárias sobre seres cuja existência é irrelevante, e a Ufologia busca provar ou desmentir, de forma factual, a existência desses seres.