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sábado, 9 de outubro de 2021

4752) Minhas canções: "Teofania" (9.10.2021)



Minha primeira parceria com Chico César surgiu depois de uma convivência de muitos anos. Quando comecei a fazer meus shows mambembes de voz e violão na Paraíba, Chico era um adolescente recém-chegado à capital, e andava com uns caras-mais-velhos que eram meus amigos. Entre eles, Pedro Osmar e Paulo Ró, cabeças do grupo Jaguaribe Carne, uma das melhores entre tantas e tantas coisas boas que a música paraibana já produziu.

Aqui, um álbum-síntese do trabalho do Jaguaribe Carne:

https://www.youtube.com/watch?v=uZS2l4KcKmA

Tocamos naquelas rodas de violão em que o instrumento passa de mão em mão e cada um mostra uma ou duas canções por vez, e que é uma das mais democráticas formas de convivência entre músicos. E o que me chamava a atenção em Chico nem era o violão ou as melodias, que já eram de erguer as sobrancelhas: eram as letras, que mostravam a familiaridade do guri escuro, magro, de cabelos curtíssimos, com o Tropicalismo e os poetas concretistas de São Paulo.

O tempo passa, o tempo voa, Chico sumiu como todo mundo some, e um dia Chico reapareceu como alguns reaparecem.  Encontrei com Lenine num show qualquer do Canecão e ele me disse estar chegando de São Paulo, onde tinha ido fazer uma participação no CD de estréia de Chico César, gravado ao vivo.

“Que bom,” falei, “tem músicas legais?” Ele disse “escuta só”, e cantarolou: “Himalaia, himeneu / este homem nu sou eu / olhos de contemplação. / Inca, maia, pigmeu / minha tribo me perdeu / quando entrei no templo da paixão”. E eu pensei: “Danou-se, é ele mesmo.”

O resto é de conhecimento público, e eu vi uma grande justiça poética no fato de Chico, o concretista de Catolé, ter fincado sua bandeira e decolado seu foguete justamente a partir de São Paulo, a cidade dos Campos e espaços.

Chico César, como letrista, tem uma consciência da materialidade da palavra que talvez só alguns charadistas tenham, e só afirmo isto porque minha formação é charadística. A maioria das pessoas vê uma palavra como vê uma pedra: uma coisa inteira, completa, sólida, indivisível. Quem tem formação de charadista (ou de concretista, cujo endereço é na mesma rua) vê a palavra como um Lego de sílabas, de letras encaixadas.

Se alguém me mostrasse o título “A Prosa Impúrpura de Caicó” e me perguntasse: “O que diabo é isso, e quem foi que fez?”, eu diria no ato, “Rapaz, é uma brincadeira com A Rosa Púrpura do Cairo, e quem fez provavelmente foi Chico César.”  Como dizia Ariano Suassuna: “Eu sou da tribo; conheço os caboclos.”

E aí Chico me manda uma melodia pedindo uma letra, e a essa altura, graças aos milagres da montagem cinematográfica, já estamos no ano de 2001, e eu saio viajando de avião com meu gravadorzinho de fita cassete rodando, o fio no ouvido, e a melodia tocando em loop até que eu decore e seja capaz de, sem ouvir a fita, ir montando meu Lego e encaixando cada sílaba da letra em cada nota da música.

Era tempo de guerra, era tempo sem sol. As Torres Gêmeas tinham sido pulverizadas em setembro pelos aviões sequestrados, a Amerika arregimentava sua logística para a invasão do Iraque, que aconteceria em março de 2003. A guerra era uma certeza, mas o que mais me remexia a ferida era o fato de estarmos voltando às guerras religiosas, às pelejas da Cruz contra o Crescente, ao mundo alucinatório do Deus dos Exércitos, do Deus do Povo Eleito (e não pode haver mais de um).

O 11 de setembro de 2001, cujos 20 anos foram recordados poucas semanas atrás, talvez seja a data em que começou de fato o século atual (como alguns historiadores dizem que o século 20 só começou de fato em 1914, com a I Guerra Mundial).

Remexendo nas minhas anotações desse tempo, encontrei o último poema que rascunhei antes dessa data, no dia 9 de setembro, e que diz:

Quem era

o homem mais rico da Pérsia

no tempo de Zaratustra?

 

Quem era o grande general da Itália

quando Dante escreveu a “Divina Comédia”?

 

Quem era o maior banqueiro americano

no ano em que Poe escreveu “O Corvo”?

 

Quem era o Presidente da República

quando Augusto dos Anjos

escreveu os “Versos Íntimos”?

 

Quem é

o homem mais poderoso do mundo

hoje

quando o homem menos poderoso do mundo

acaba de nascer?

 

Era uma simples reflexão ociosa, sem alvo certo (e boa só por isto). Dois dias depois, no entanto, os conceitos de poder, nascimento e morte começaram a ser enviesados pela força gravitacional da primeira explosão de uma nova guerra, e uma guerra em nome de Deus.

O mundo está cheio de pessoas com fé num Deus que mata com esta mão e perdoa com aquela, como diz o soneto de Ruy Guerra na canção de Chico Buarque (“E se a sentença se anuncia bruta, / mais que depressa a mão, cega, executa, / porque senão... o coração perdoa!”).

O mistério dessa guerra reside todo no lado de lá, no lado do Deus bom e assassino, no lado dos mulás, dos talibãs. Porque do lado de cá eu não preciso de outra explicação senão o preço do petróleo, dos armamentos, das munições, do orçamento do Departamento de Defesa, e assim por diante. Religião também, só que no altar de outro Deus – o Deus Dinheiro, o Deus Número, o Deus Finança. O Deus sem ódio e sem paixões, cujos discos-rígidos gigantescos trabalham 24 horas por dia, refrigerados pelas “águas glaciais do cálculo egoísta”.

Daí surgiu esta letra, a partir de dezembro de 2001, rabiscada devagarinho em aviões, em pousadas, em aeroportos, e gravada por Chico no seu disco Respeitem Meus Cabelos, Brancos, de 2002.

 

********  

 

TEOFANIA

(Chico César / BT)

(em "Respeitem Meus Cabelos, Brancos", 2002)

 

Além do bem e do mal

com seu amor fatal

está o Ser que sabe quem sou.

No tempo que é um lugar

no espaço que é um passar

espreita-nos um olhar criador.

 

Muitos me dirão: que não!

Que nada é divino: nem o pão, o vinho, a cruz...

Outros rezarão: em vão!

Pois nada responde e tudo se esconde - em luz...

 

Deus do roseiral, do sertão,

do ramo de oliveira, e do punhal.

Deus dos temporais, dos tufões,

da dúvida, da vida e a morte vã.

 

Quanta solidão e eu não sei

se, homem só, suportarei.

Um sinal, um não,

e silencie, aqui e além, a dor...

 

Deus das catedrais, dos porões,

da Bíblia, do Alcorão, e da Torá.

Deus de Ariel e Caliban

da chuva de enxofre, do maná.

 

Quanta solidão e eu não sei

se, homem só, suportarei...

Um sinal, um não,

e silencie, aqui e além, a dor...


Além do bem e do mal...

 



quinta-feira, 26 de novembro de 2015

3982) "Outro" de Augusto de Campos (27.11.2015)



Outro (Ed. Perspectiva, 2015), o novo livro de poemas de Augusto de Campos, é um dos mais visuais do autor, trazendo em cada folha dupla uma experiência de dissolução e recombinação do texto em efeitos de cores, formas, estruturas, desmontagens, paralelismos, alternâncias de imagem e função. Augusto foi um dos primeiros poetas que vi usar a antiga letra-set para compor cada poema numa fonte gráfica com letras diferentes. Agora, são efeitos visuais mais sofisticados, de textos que se entrelaçam, que giram em espiral. Tem muita gente que não gosta, mas eu acho bonita essa concretude que se dá à palavra, à letra, cravando-a com peso em cima da página. Como Paulo Leminski, que fazia fotografar e ampliar letras datilografadas até ficarem com 2 ou 3 cm de altura na página. Às vezes a fonte é tão rebuscada que ler as palavras vira uma decifração vagarosa e (im)paciente.

Muita gente aproveitou alguns efeitos do concretismo para fazer suas próprias experiências de desmontar e remontar os Legos das palavras, discípulos formais ou informais de Augusto, como Glauco Mattoso, André Vallias, Paulo de Toledo, Arnaldo Antunes, Tom Zé etc. Eu faço uma poesia completamente diferente da de Augusto de Campos mas ainda bem que isso não me impede de ver nessa poesia um caminho possível, entre tantos outros. Um dia podemos vir a ter uma prosa concretista no dia-a-dia, projetada em 3D à nossa volta, com blocos de textos surgindo soltos no ar como hologramas de lojas.

Há uma subdivisão do livro apenas com efeitos de imagens, trocadilhos ou rimas visuais comentadas. Um muito simples, mas eloquente, foi o que mostra andando lado a lado na rua dois homens de terno preto, em duas fotos muito conhecidas dos leitores de cada um. As fotos são emolduradas acima e abaixo pelas palavras: “passos em lisboa / anjos em pessoa”. Isso é um poema? Tanto faz se é poema ou não, para mim é um fragmento literário de impacto tão simpático quanto o de um cartum ou de uma foto artística ou qualquer outra forma pseudo-instantânea de arte.

A poesia de Augusto e dos seus colegas concretistas é um cabo-de-guerra permanente entre fragmentação e discursividade. Comparado ao seu irmão Haroldo, já falecido, Augusto é de um laconismo extraordinário. As Galáxias de Haroldo têm os mesmos jogos de sonoridade do Concretismo, só que diluídos numa prosa caudalosa e aliterada, de onde Caetano Veloso tirou a letra de “Circuladô de Fulô”.  Augusto só é loquaz quando senta-se à mesa de tradutor, de investigador cheio de teorias, de defensor ardoroso do talento alheio. O tradutor seria capaz de recriar um livro inteiro da Bíblia, mas o poeta escreve um hexagrama e pronto.




sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

3116) Antídoto contra o tédio (22.2.2013)




Os irmãos Augusto e Haroldo de Campos, criadores do Concretismo paulistano com Décio Pignatari, costumavam mencionar em seus livros o mistério que cercava uma palavra do antigo idioma provençal. Era a palavra “noigandres”, que nenhum linguista conseguia entender o que era. 

Virou um pequeno enigma, tão fascinante que foi a palavra escolhida para dar nome à revista literária que os concretistas começaram a publicar em São Paulo em 1952. (E eu a citei ao chamar de “Campinoigandres” a cidade imaginária onde ocorrem alguns dos meus contos e meu romance A Máquina Voadora).

Quem quiser saber a história detalhada, leia aqui o ótimo artigo de Antonio Risério (http://bit.ly/YwwnlS); basta dizer que o provençalista Emil Lévy pesquisou a palavra e concluiu que seria uma forma abreviada de “d’enoi gandres”, onde “enoi” é uma forma aparentada ao termo francês “ennui”, tédio; e “gandres” viria de “gandir”, proteger. 

A expressão significaria, portanto, algo que protege contra o tédio. Um antídoto contra o tédio – para ser fiel ao amor concretista pelas assonâncias. E, por uma casualidade serendipícia, é uma boa descrição para a injeção de novidade e estranheza que o Concretismo aplicou em nossa poesia, em nossa crítica literária.

Isto sempre me trouxe à mente a famosa frase de Maiakóvski, que dizia: “É melhor morrer de vodka do que de tédio”. Melhor naufragar na tormenta do que apodrecer na calmaria. Maiakóvski, o futurista “de estatura quilométrica”, com sua camisa amarelo-berrante, dizendo: “A anatomia ficou maluca comigo: sou coração dos pés à cabeça”. 


E me lembra também o conto de Ray Bradbury, no livro homônimo, A Medicine for Melancholy (1959). É a história de uma linda mocinha londrina do século 18, que está definhando de fraqueza e nostalgia. A família coloca sua cama na calçada, em frente à casa, para pedir opiniões aos transeuntes. Um jovem lixeiro aconselha que ela passe a noite ali fora, porque a melancolia que ela sente só pode ser curada por um remédio: a lua. Seguem seu conselho, e durante a noite quem aparece não é a lua, é o próprio lixeiro, agora limpo e cheiroso, que se enfia entre os lençóis da moça e a cura da melancolia com o mais antigo dos remédios.

E não acho que exagero quando vejo na letra de Cazuza em “Todo Amor que Houver Nessa Vida” um pouco disso tudo: “Transformar o tédio em melodia... algum veneno antimonotonia... algum remédio que me dê alegria...”. 

Tudo que as pessoas buscam na vodka, na droga, no amor, na música, na poesia. A novidade, a estranheza, a intensidade, o furacão, a tempestade, a alucinação dos sentidos, a eletricidade na medula, o antídoto contra o tédio: noigandres.





sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

3050) Décio Pignatari (7.12.2012)




(Décio Pignatari, entre Haroldo e Augusto de Campos)


A morte de Décio Pignatari (1927-2012) deixa Augusto de Campos como o último sobrevivente (após a morte também de seu irmão Haroldo) da trinca concretista paulistana que realizou aquele fenômeno chamado por um grande jornal, com involuntária propriedade, de “O Rock-and-Roll da Poesia”. O Concretismo foi um movimento literário pra ninguém botar defeito. Teve militantes denodados, adversários de peso, polêmicas explosivas, sempre emergindo à tona ao fim de cada década. Ainda hoje há quem o odeie, porque os “três poetas de Perdizes” eram polemistas capazes de demolir (ou pelo menos trincar) uma reputação literária com um artigo de jornal cheio de provas irrefutáveis, e de reduzir a pó um poema mediante um adjetivo bem encaixado. Arranjaram desafetos pela vida afora. Quando achavam que um texto era uma porcaria diziam isso sem meias palavras.

Apesar da imensa contribuição que trouxe para nossa crítica literária e para a teoria poética, o Concretismo tornou-se antipático por causa dessa atitude de “donos da verdade” que os membros da trinca adotavam de vez em quando. Como acontece com quem funda um movimento, eles parecem ter acreditado em algum instante que toda a literatura e toda a poesia do mundo tendiam a se tornar aquilo que eles estavam descobrindo. Todo sujeito que cria uma nova maneira de ver as coisas pensa que está zerando a história do pensamento. Não está.

Pignatari tem ensaios brilhantes sobre comunicação, linguagem, jornalismo, poesia, propaganda, etc.  Teve a sorte de realizar seu trabalho intelectual mais maduro durante o florescimento dos cursos universitários de Comunicação, onde sua obra foi muito adotada e estudada – nem sempre com discernimento, é claro, mas a culpa nesses casos nem sempre é do autor. Suas coletâneas de textos (Contracomunicação, Informação. Linguagem. Comunicação, Semiótica & Literatura) são utilíssimas ainda hoje. Neste último, em vários capítulos ele analisa do ponto de vista semiótico a obra de Edgar Allan Poe, mostrando as sonoridades e correspondências ocultas por trás dos nomes dos personagens e das funções estruturais de textos como “O Corvo”, “Berenice”, “A Queda da Casa de Usher”, etc.

Pignatari foi uma das grandes mentes modernistas brasileiras, “modernismo” compreendido aqui como um movimento estético típico da cultura industrial, cultura de massa, envolvendo poesia, design, artes gráficas... Um modo de ver a linguagem, e principalmente a poesia, que ajudou a arejar um ambiente literário pomposo e vazio, em que os temas só eram entendidos em seu aspecto sentimental, e a forma poética só era encarada em suas funções ornamentais e exibicionistas.


quarta-feira, 24 de junho de 2009

1121) O Som do Concretismo (18.10.2006)


(Augusto de Campos, Décio Pignatari, Haroldo de Campos)

A poesia concreta deu uma ênfase excessiva ao visualismo, tornando-se com isto o ponto mais alto da poesia escrita, da poesia que só existe no espaço visual, na página. Ao mesmo, tempo, entretanto, ela promoveu o desmembramento da palavra em unidades menores autônomas: a sílaba, a própria letra. E com isto trabalhou as sonoridades, as aliterações, as paronomásias, os jogos de palavras que sempre levam a Poesia de volta ao terreno da fala e do canto. Parece que o grande alvo, o grande adversário do Concretismo não era tanto a Fala e sim a Discursividade, o blá-blá-blá retórico de uma poesia que falava muito e dizia pouco, ou que tentava dizer muito recorrendo a conteúdos mas mostrando um enorme desleixo quanto à forma. Aquilo que Leminski chamou “uma poesia porosa”.

O Concretismo explodiu essa discursividade profusa, confusa, prolixa. Compactou a sintaxe, erodiu todo o supérfluo, redefiniu as relações entre as palavras usando novos conceitos geométricos e espaciais, numa tentativa de quebrar a fluência beletrista da “poesia de bacharéis” capaz de encher com texto descartável léguas e mais léguas de papel indefeso.

O Concretismo tentou reduzir a poesia ao essencial, baseado naquela velha equação (Dichten = condensare) em que o termo alemão para “poesia”, “Dichtung”, mostra suas raízes no verbo “condensar” e termos correlatos (denso, densidade, etc.) Poesia é linguagem concentrada, compactada, o máximo de sentido no mínimo de palavras.

Sem o Concretismo o caminho poético de Gilberto Gil e Caetano Veloso seria outro, como seria outro o de artistas posteriores como Arnaldo Antunes e Chico César. Todos estes são poetas (poetas da música, é claro, mas para efeito da presente análise não se distinguem dos poetas de livro) que se beneficiaram do que o Concretismo descobriu ao explodir o supérfluo e voltar ao essencial. Mas, ao defender a bandeira do Visual, os poetas paulistanos trouxeram de volta à luz o que a poesia tinha de auditivo, redescobrindo a importância do som das palavras, e o prazer lúdico cuja origem está na Oralidade.

Os poetas do grupo Concretista (Augusto e Haroldo de Campos e Décio Pignatari) pagaram caro pelo seu eventual elitismo, pela sua propensão à polêmica, e pelas críticas impiedosas dirigidas à produção poética que lhes era contemporânea – críticas que, mesmo quando esteticamente fundamentadas, encontravam resistência devido ao tom às vezes arrogante ou desdenhoso com que eram formuladas.

Quando tentou cantar embaixo de vaias a música “É Proibido Proibir” num festival de música, Caetano Veloso bradou para a platéia: “Se vocês em política forem como são em estética, estamos feitos!” (ou seja, “estamos lascados”). Se o grupo concretista tivesse tido uma habilidade política e uma flexibilidade diplomática à altura das suas muitas e fundamentais contribuições estéticas, sua influência na poesia brasileira teria sido muito maior e mais benéfica do que efetivamente foi.