domingo, 28 de julho de 2019

4488) Dicionário Aldebarã XVIII (28.7.2019)




(ilustração: Hundertwasser)

O planeta de Aldebarã-5 tem uma civilização influenciada pelos colonizadores terrestres.  Seu vocabulário exprime as características da natureza do planeta e o seu modo de observar os fenômenos da psicologia e da cultura.  Confiram os verbetes abaixo, recolhidos, meio ao acaso, do Pequeno Dicionário Interplanetário de Bolso.

“Stóleo”: certas premonições que demoram a se confirmar, voltam a ser revisadas e reconstituídas de vez em quando, e acabam se transformando num evento perpetuamente adiado, parte integrante da vida da pessoa.

“Nakrunium”: grupos de leitores que se comprometem a toda semana passar adiante um livro para o próximo da lista, e receber um livro do membro que vem antes.

 “Zarbunz”: troca de carícias físicas, sem intenção sexual, entre pessoas que se conhecem profundamente e querem apenas curtir a proximidade uma da outra.

“Argobann”: qualquer recipiente usado para aparar a água que pinga de uma goteira, de uma torneira que está vazando, etc.  Por extensão, pessoas compassivas que se dispõem a escutar queixas e lamentações de alguém que precisa desabafar.

“Ablanim”: cartões metálicos redondos, cobertos por uma película com polarização química que mantém gelados os copos de bebida colocados sobre eles.

“Chissode”: pequenos epitáfios manuscritos, personalizados, que os amigos deixam no túmulo de uma pessoa querida sempre que vão visitá-lo.

“Maltomar”: diz-se da morte de certas pessoas onde nunca se poderá saber com certeza se foi morte natural, acidente ou suicídio, e que precisam sempre ser abordadas com um máximo de cautela e respeito.

“Raffikam”: pequenos retalhos de pano úmido que algumas pessoas colocam na quina da mesa, durante as refeições, panos que elas pegam e passam sobre a madeira nua da mesa para ir recolhendo os farelos de comida.

“Weruss”: o estado mental de quem, diante de um estresse aparentemente esmagador, consegue juntar forças e manter uma atitude permanente de que tudo está indo muito bem.

“Lodenz”: grupos de amigos que se reúnem periodicamente para lembrar os velhos tempos, e a cada reunião fazem um depósito numa “caixinha”, a qual deverá servir de fundo de ajuda para qualquer um que estiver precisando.

 “Fratuls”: livros com pequenos bolsos disfarçados no interior da encadernação, que servem para esconder documentos ou dinheiro.

“Vontersez”: minúsculos chalés que a maioria das casas de Aldebarã tem no fundo do seu quintal ou pátio interno, e que não pode ser ocupada pela família, devendo servir de alojamento gratuito para viajantes, que ali se hospedam em troca de ajudar nas tarefas da casa, por um prazo limitado de tempo.

“Conluvig”: pequenas peças de corda, em tamanhos variados, com prendedores de metal nas duas pontas, usadas para firmar bagagens ou outras cargas ao serem transportadas.

“Saidop”: grupos de três acontecimentos relacionados entre si que as pessoas costumam usar como argumentos para justificar um conceito, uma teoria, uma opinião, uma intuição aparentemente esdrúxula. Podem variar desde associações de idéias solidamente lógicas e argumentadas até disparates que provocam o riso.

“Orau”: cerimônia em que de tantos em tantos anos as pessoas começam a transferir suas posses para parentes ou amigos próximos, durante um almoço ou jantar formal, numa antecipação da herança que deixarão ao morrer.

“Arani”: a tradição de dar nomes próprios a cada objeto da casa: pratos, talheres, cadeiras, cortinas, para que cada um deles tenha sua individualidade e possa ser distinguido dos demais.

“Pargass”: pequenos códigos que os casais criam entre si, em que certas palavras ou nomes de pessoas são trocados por palavras comuns, para que eles possam conversar diante de outros sem que se perceba o verdadeiro conteúdo do que dizem.

“Zertend”: pequenos doces esféricos à base de frutas, envoltos em papel coloridos, que quando dados de presente a alguém devem ser comidos na hora, endo substituídos por uma pedrinha do mesmo tamanho, para que o presente possa ser tanto saboreado quanto guardado de lembrança.






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