Numa praia muito distante vivia um velho pescador que tinha somente um braço. Perdera o outro para um tubarão, quando tinha dez anos e morava muito longe dali.
Ele vivia sozinho numa cabana no alto de uma falésia de frente para o mar. Tinha construído para si, na praia, um curralzinho de estacas onde prendia sua rede.
A rede passava a noite dobrada, junto da porta. De manhã ele a apanhava, ia até a borda da falésia e jogava a rede lá para baixo. Depois descia os degraus estreitos escavados na pedra, pegava a rede e ia prendê-la no curral.
No fim do dia, descia para a praia, recolhia a rede, colocava os peixes num cesto e levava para a cabana. Cozinhava alguma coisa para comer, e o resto guardava num tonel com gelo. A carroça do gelo passava ali duas vezes por semana, e ele vendia uma parte dos peixes.
Um dia, ele achou que o mar estava mais agitado do que de costume, mas colocou a rede mesmo assim.
No fim da tarde, quando puxou a rede, viu no meio da agitação dos peixes um objeto brilhando.
Era uma lamparina antiga de metal, parecia de prata, trabalhada com desenhos geométricas, e estava parcialmente coberta com uma crosta. Ele a segurou e a esfregou com o polegar. O dia foi ficando mais claro, como se o sol tivesse aumentado de tamanho, mas não de calor. Depois a luz voltou ao normal e havia um homem diante dele, um homem com o dobro de sua altura.
-- Tens direito a três desejos – disse o homem alto, que trajava roupas estranhas.
O pescador pegou os peixes da rede, passou todos para o cesto, em silêncio, enquanto o outro esperava. Depois disse:
-- Tem que ser agora?
-- Sim.
-- Primeiro, quero que o fogo já esteja aceso quando eu chegar lá em cima com estes peixes, e o caldeirão com água para ferver.
-- Assim será – disse o homem alto.
-- Depois, quero um colchão igual ao que já tenho, mas novo, e mais macio.
-- Assim será – disse o homem. O pescador ficou em silêncio, pensativo. – E o último?
O pescador ergueu o rosto para olhar o outro de frente.
-- Quero que vás embora e que fiques livre do encantamento que te prendeu a esta lâmpada. Não preciso de mais nada. Vai!
E o homem alto desapareceu.

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