Eu tinha 15 anos quando me caiu nas mãos uma cópia ensebada de Steal This Book, a obra clássica de Abbie Hofmann, um manual ensinando a cair fora do sistema, sobreviver a custo zero, e aplicar pequenos golpes. O livro estava repleto de dicas fascinantes: como produzir o som que liberava a linha para ligações interurbanas nos telefones públicos, como organizar a loja de uma cooperativa, como reciclar pneus fabricando sandálias, como produzir um jantar saqueando as latas de lixo de um restaurante. Fiquei fascinado, e naquele verão reli o livro uma dúzia de vezes. (trad. BT)
2. Mentir mais
3. Desperdiçar mais
4. Ocultar mais
5. Controlar mais
68.733 celulares produzidos por hora
190.000 peças de vestuário por minuto
12 toneladas de plástico por segundo
13 milhões de celulares jogados fora todos os dias
“Eles são os totalmente ricos. Você nunca ouviu falar neles porque eles são as únicas pessoas no mundo ricas o bastante para poder comprar o que desejam: uma vida totalmente privada. (...) Quantos deles existem, eu não sei. Tentei calcular o total somando o PIB de todos os países da Terra e dividindo pela quantia necessária para comprar o governo de uma potência industrial. Não preciso dizer que você não pode ter privacidade total se não for capaz de comprar pelo menos dois governos. Acho que deve haver uma centena dessas pessoas. Já conheci uma delas, e provavelmente outra. (...)“Eles não estão no mapa. Entende isso? Literalmente, qualquer lugar onde eles escolham viver torna-se um espaço em branco nos atlas. Não estão nas listagens do Censo, nem no Quem é Quem, nem no Pares do Reino Britânico de Burke. Não aparecem nos registros de imposto de renda, e o correio não tem seu endereço. Pense em todos os lugares onde o seu nome aparece: registros escolares amarelecidos, arquivos de hospitais, notas fiscais de lojas, documentos assinados. Em nenhum desses lugares o nome deles está visível.“Eles não são governantes absolutistas. Na verdade, não governam coisa alguma a não ser o que lhes diz respeito diretamente. Mas eles se assemelham àquele Califa de Bagdá que encomendou a um escultor “a fonte mais bela do mundo”. Quando ficou pronta (e era bela de verdade) ele perguntou ao escultor se havia algum artista capaz de superá-la em beleza. O escultor afirmou que não. O Califa disse: Paguem a ele o que foi combinado, e arranquem os seus olhos”




