A literatura da imaginação, que abarca muitos gêneros editoriais (o fantástico, a ficção científica, o horror sobrenatural, o realismo mágico, a ficção absurdista, etc.) depende tanto da imaginação do leitor quanto da imaginação do autor.
Eu não me sinto amedrontado pelo fato de não saber alguma coisa, pelo fato de estar perdido num universo misterioso, sem sentido, que é o que de fato acontece, pelo menos do meu ponto de vista. Pode ser que seja assim. Isso não me amedronta.
Ray Bradbury colocou no seu clássico As Crônicas Marcianas (1950) esta epígrafe:
É bom renovar nossa capacidade de assombro, disse o filósofo. A era espacial nos transformou em crianças novamente.
A FC é a nova fantasia. A fantasia mítica, tradicional, preenchia uma necessidade de maravilhamento por parte do leitor, uma necessidade de estranheza, de algo que a ficção realista comum não podia lhe dar. Historicamente, ela usava lendas como as dos fantasmas e dos elfos, deuses pagãos com os quais convivemos por milhares de anos, e nos quais as pessoas acreditavam pra valer.(Locus, dezembro de 2000, trad. BT)
Tenho a impressão de que perdemos nossa capacidade de assombro. Antes, havia as Sete Maravilhas do Mundo. Você podia viajar e contemplar uma dessas coisas capazes de produzir deslumbramento, espanto. O mundo em que vivemos hoje não tem Sete Maravilhas. Se você parar pra pensar, vai perceber que temos um milhão de maravilhas: edifícios, monumentos... Está tudo ao nosso redor, mas não nos afeta. E por isso começamos a sonhar sonhos cada vez mais espantosos. E criamos artefatos como o Ringworld. (idem)
https://sf-encyclopedia.com/entry/macrostructures
"Dizem os filósofos que a admiração é filha da ignorância e mãe da ciência. Filha da ignorância, porque ninguém se admira senão das coisas que ignora, principalmente se são grandes; e mãe da ciência, porque, admirados os homens das mesmas coisas que ignoram, inquirem e investigam as causas delas até as alcançar, e isto é o que se chama ciência. Como filha da ignorância, me ensinará a mesma admiração a perguntar; e como mãe da ciência, a responder, posto que tão alta seja a segunda parte, como profunda a primeira. "(Padre António Vieira)
O mundo nunca sofrerá uma escassez de maravilhas, e sim uma escassez de maravilhamento. Devíamos ser capazes de nos maravilhar com as coisas permanentes, e não com a simples exceção. Devíamos nos espantar com o sol, não com o eclipse. Devíamos nos assombrar menos diante de um terremoto, e mais com a própria terra. O que é maravilhoso na infância é que para as crianças tudo é fonte de assombro. Seu mundo não é simplesmente um mundo cheio de milagres, mas um mundo milagroso.
Digo direi, de verdade: eu estava bêbado de meu. Ah, esta vida, às não-vezes,é terrível bonita, horrorosamente, esta vida é grande.(“Grande Sertão: Veredas”)









