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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

3664) Na Biblioteca (21.11.2014)



Não costumo encher esta coluna com relatos autobiográficos. Isto aqui não é uma coluna social, embora tenha algo de coluna socialista. Pode ser vista também como uma coluna vertebral ou espinha dorsal da memória, em que os elementos vão se encaixando uns aos outros como vértebras, ou como vagões de trem. Não importa o símile, desde que o resultado seja longo, firmemente encaixado, e flexível.

Resumindo: dias atrás estive em Belo Horizonte para fazer uma palestra no Circuito Literário da Praça da Liberdade. O detalhe é que a palestra foi na Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, que fica ao lado do Palácio da Liberdade.  Com isto, retornei depois de 43 anos àquele edifício que teve um papel crucial na minha formação como leitor.  BH é uma das quatro cidades onde morei pra valer. As outras são Campina Grande, claro, Salvador e este Rio de Janeiro em cuja terceira margem vivo hoje a circular minha canoa.  Vivi em BH dos 19 aos 21 anos, estudando cinema na Universidade Católica (naquele prédio do lado oposto do Palácio), e morando numa pensão a 50 metros dali (não existe mais: fotografei o prédio imponente com que a gentrificação implacável a sepultou no solo).

Minhas manhãs e tardes eram passadas naquela biblioteca de enormidade borgiana (e eu ainda não conhecia Borges!).  Foi lá que tirei por empréstimo os dois primeiros livros que li em inglês, The Time Machine de H. G. Wells e The Martian Chronicles de Ray Bradbury.  Era lá que eu decifrava, linha por linha, as críticas do Cahiers do Cinéma. Foi lá que eu li (olha só que biblioteca democrática, em pleno governo Médici) Os Protocolos dos Sábios de Sião, o Minha Luta de Adolf Hitler, as Origens da Revolução Russa de Kochan, Trotsky: o Profeta Armado de Isaac Deutscher.  Lembro que nessa estante havia dois outros livros de Trotsky: Stálin, com umas 500 páginas, e Os Crimes de Stálin com 800.


Fui embora de BH e a biblioteca ficou como o quarto de Manuel Bandeira, “intacto, suspenso no ar”. Aparece de maneira fugaz no meu conto “Exame da Obra de Giuseppe Sanz”, no livro Mundo Fantasmo (que deu seu nome a este blog).  Hoje, à sua entrada, veem-se as estátuas do grupo do Encontro Marcado: Fernando Sabino, Oto Lara Resende, Hélio Pellegrino e Paulo Mendes Campos. Era um pouco desse espírito que me iluminava, junto a Lincoln Cunha, Elizeu Ewald, Régis Frota, Paulo Sérgio Braz, Geraldo Pires, João Antonio de Paula e tantos outros amigos que o vento leva e o tempo traz de volta.  Em sua honra, tomarei um café e comerei um doce-de-leite em forma de losango, em alguma madrugada silenciosa e aberta para o futuro. 


sábado, 30 de maio de 2009

1059) Luiz Orlando (8.8.2006)




No dia em que escrevo, a sexta-feira, 4 de agosto, desde cedo não param de chegar emails de amigos do Brasil inteiro, todos com a mesma triste notícia: morreu em Salvador o cineclubista Luiz Orlando da Silva. 

Não procurem nos jornais: ele não era um cara famoso. Orlando, como sempre o chamei, era uma formiguinha incansável da luta cineclubista, viajando a Bahia inteira, exibindo e debatendo filmes, fundando cineclubes, organizando encontros e festivais, carregando o imenso piano invisível onde os cineastas executam seus concertos. 

Conheci-o em 1973, quando comecei a freqüentar, juntamente com José Umbelino e Romero Azevedo, a Jornada de Curta-Metragem organizada por Guido Araújo em Salvador. Orlando era o braço direito de Guido lá no Clube de Cinema da Bahia. Era um neguinho franzino, de cabelo curto, óculos de grau numa armação prateada, puxando um pouco da perna, mas sempre em movimento, sempre incansável, sempre com uma pilha de livros, revistas e jornais embaixo do braço. 

No Instituto Goethe, onde funcionava o Clube, era o faz-tudo. Era ele quem ia ao aeroporto, tanto para pegar as latas de filme quanto para recepcionar os convidados da Jornada. Ia à Censura Federal levar a programação, resolvia os pepinos nos hotéis, levava o material para a imprensa (não havia fax ou email). 

Quando fui morar em Salvador e trabalhei no Clube, depois de 1977, nos revezávamos na sala de projeção, na bilheteria, na burocracia, na organização dos intermináveis debates (cineclubista adora debater). Orlando tinha sempre uma referência obscura a respeito de qualquer assunto. Era uma edição espanhola dum livro de Eisenstein, um artigo sobre Glauber saído na Itália, uma crítica do filme mais recente de Wim Wenders. 

Generoso, solidário, conhecia todo mundo em Salvador, sabia a cidade de cor. Qualquer problema, eu me socorria dele, que dizia: “Deixa comigo, eu conheço um cara em Brotas (ou na Barroquinha, ou no Garcia...) que quebra esse galho rapidinho...” Era nosso anjo da guarda. 

Vi-o pela última vez há poucos anos, quando fui dar uma palestra no Instituto Goethe e ele foi me buscar no aeroporto. Demos um abraço apertado e eu falei: “Tá vendo como é a vida, Orlando, agora eu sou um senhor grisalho, e o cabeludo é você...” Ele estava usando umas tranças rastafari que lhe caíam nos ombros, e morreu de rir. Somente agora, nos obituários, fiquei sabendo que era cinco anos mais velho que eu. 

Nas belas cenas iniciais de Os Sonhadores, Bertolucci e o roteirista Gilbert Adair dizem que os verdadeiros cinéfilos gostam de ver os filmes lá na fila da frente, para receberem as imagens antes do resto da platéia, antes que as elas cruzem todas as filas e, voltando a ser do tamanho de um selo postal, voltem para dentro do projetor. Eu sou assim. Orlando também. Ele não agüentou esperar e foi ocupar seu lugar reservado na Cinemateca Universal, foi ver os filmes do futuro, no lugar onde esses filmes estão sendo feitos.







terça-feira, 24 de março de 2009

0916) Carlinhos Raposeiro (22.2.2006)




(foto de Andre Kertesz)

Era assim que eu o chamava, e não Carlos Alberto Pereira, o nome que vi no obituário do Jornal da Paraíba alguns dias atrás. Ficamos amigos através do poeta Antonio Morais, no tempo em que eu morava num apartamento na Rua João Suassuna. Carlinhos jogava no Campinense, e este período (meados dos anos 1970) foi talvez o tempo em que fui mais fanático pelo Treze; mas nossa amizade (como qualquer amizade decente) ia além das paixões clubísticas. Éramos desses sujeitos esquisitos que gostam mais de futebol, do jogo de futebol, do que do time por que torcem.

Sua carreira coincidiu com o bom momento do futebol paraibano após a construção do Estádio Amigão em 1975, e as primeiras entradas de times de Campina no Campeonato Brasileiro. Carlinhos era um meio-campista que apoiava bem o ataque: esperto, arisco, rápido com a bola nos pés. Não era muito de marcar gols, mas no domingo em que fui embora de Campina para morar em Salvador, em 1977, ele fez um gol no Treze. Felizmente para sua integridade física, não apareceu no meu bota-fora na antiga Rodoviária.

Quando nos conhecemos, ele lembrou, citando Machado de Assis, que me conhecia “de vista e de chapéu”. Fizemos muitas farras juntos depois das sessões do Cinema de Arte no Capitólio, quando saíamos para o Bar do Cearense ou do Benedito, beber conhaque de alcatrão, comer galeto com farofa e discutir filmes de Antonioni ou Bertolucci. Nos fins de semana, íamos, sempre em turmas de carros cheios, para as cantorias no Bar de Zizi, ali no começo da Assis Chateaubriand, ou no Bar Canarinho, na feira. Era, também, um bom momento na poesia popular em Campina Grande, quando os Congressos de Violeiros organizados pelo Museu de Arte e pela ARPN levavam milhares de pessoas para o Ginásio da AABB.

Eu era casado, ele solteiro; cada um invejava (ou fingia invejar) a vida-boa que o outro levava. Carlinhos largou o futebol, entrou para o jornalismo, e me entrevistou mais de uma vez, quando passei a comparecer ao Encontro Para a Nova Consciência. Dividia-se entre o jornal e a boemia. Como diria Machado, a cidade por onde andava tinha poucas ruas e muitos bares.

Não nos víamos há anos, mestre Carlinhos, e algo me avisa que nunca mais nos veremos. Isto não me impede de ficar aqui falando sozinho em público, como aqueles velhos para quem os fantasmas são mais nítidos do que as pessoas de carne e osso. Pois deixe-me dizer que o mundo não mudou nada desde aquele tempo, e não mudará nunca. A “realidade brasileira” que tanto discutíamos nos deixará um gosto amargo na boca, que nenhum álcool lavará por inteiro. As mulheres continuarão a nos parecer uma fonte de água pura. O Cinema e a Literatura ainda serão um banquete-dos-mendigos onde um mulato do Zepa e um branquelo do Alto Branco poderão sentar-se à mesa dos gênios e provar das guloseimas das musas. Quanto ao futebol, lamento não ter boas notícias para dar, mas também, quem manda tu torcer por um time tão ruim?




sábado, 14 de março de 2009

0883) Canções de amigo (14.1.2006)




("Clube da Esquina 1" de Milton Nascimento)


Canção de amor qualquer sujeito de boa memória faz, não é mesmo? “Eu te amo demais, sem você não sei viver, em você encontrei minha paz, não vejo a hora de abraçar você...” Três minutos desse repetitório e estamos conversados. Canção de amor, amigos, virou xerox de clichê. 

Assim como hamburger do MacDonald’s e churrasquinho-no-espeto de porta de Estádio são as mais rudimentares entidades que ainda podem ser chamadas de “comida”, canção de amor desse tipo é a pizza-congelada-de-supermercado da música popular.

Fazer canção de amigo é outra história. O amor é diferente da amizade, e, como disse Caetano Veloso, “quem há de negar que esta lhe é superior?” O amor pode ser um sentimento mais intenso e mais profundo, mas a amizade é algo mais equilibrado e mais amplo. 

Os Beatles têm um clássico como “With a little help from my friends”, ou então “Two of Us”, cançãozinha que exprime como nenhuma outra a sensação de excitação e liberdade de garotos correndo à solta pelo mundo, sem compromisso, “aprontando” sem preocupações: “Nós dois, mandando cartões postais, escrevendo cartas em cima do muro, riscando fósforos, destrancando portões...” (Embora algumas versões digam que MacCartney fez a música para sua então recente namorada Linda: “Eu e você temos recordações mais vastas do que a estrada que se estende à nossa frente”)

Lembrem-se de “Morro Velho”, a canção em que Milton Nascimento conta a vida de dois garotos de fazenda, um branco e um preto. É uma história da amizade que, na infância, se resume ao afeto puro e irrestrito, sem malícia, de garotos que vivem soltos no mato, tibungando em barreiro, caçando passarinho. O tempo passa, e a diferença de classes os separa na vida adulta: “E o seu velho camarada já não brinca, mas – trabalha...” 

Existem as amizades cuja origem só se explica no final, como em “Chico Mineiro” de Tonico e Tinoco, em que a tristeza do narrador após a morte do amigo se explica (folhetinescamente) ao descobrir que Chico era seu “legítimo irmão”.

A canção clássica que define os parâmetros da amizade é “You’ve Got a Friend” de James Taylor, que aliás pede uns versinhos emprestados a “Any Time at All” dos Beatles: “All you’ve got to do is call, and I’ll be there...” O próprio Taylor, ao vir cantar no Rock in Rio em 1985, quase caiu para trás ao ver 200 mil brasileiros cantando a música inteira a uma só voz. 

Em português, não conheço outra tão singela e tão tocante quanto a homenagem de Roberto Carlos para Erasmo: “Você, meu amigo de fé, meu irmão camarada... Amigo de tantos caminhos e tantas jornadas...” Dentro da singeleza poética de Roberto, é uma canção mais verdadeira e mais contidamente emocionada do que muitas das canções de amor que ele (ou melhor, a dupla) compôs ao longo de muitas décadas. 

Dizer que você está doido por uma mulher é relativamente fácil; eu quero ver é o camarada fazer uma música falando de seu afeto por outro homem.





terça-feira, 16 de setembro de 2008

0551) O Natal de Raymond Chandler (24.12.2004)




O Natal se aproxima, com seu problemático coquetel de confraternizações e melancolias. Depois de uma certa idade, é o Natal que se transforma em nosso verdadeiro Dia de Finados. Por mais que a gente passe assobiando pelo tumular 2 de novembro, quando chega o Natal não tem remédio, a casa (ou pelo menos a memória) se enche de fantasmas. Estavam dormindo em paz nos oceanos do oblívio e lá vai a nossa saudade masoquista a despertá-los, trazê-los de volta à sala de visitas, para o milésimo flash-back dos tempos-felizes-que-não-voltam-mais.

Certa vez comentei aqui (“Uísque: cimento”, 31.7.2003) uma frase de Raymond Chandler que é talvez uma das mais cruéis que já se escreveram sobre esta data: “O Natal se aproxima, trazendo consigo todos os seus horrores ancestrais.” Chandler bem que tinha seus motivos para se arrepiar à simples audição de “Jingle Bells”. Viveu seus últimos dias na Califórnia, aquela mistura de shopping-center e zoológico humano, que provocava náuseas em seu lado aristocrático. Dizia ele: “As lojas estão cheias de um lixo inacreditável, e tudo que você procura já se esgotou. Pessoas com expressões tensas e agoniadas no rosto ficam examinando peças em vidro ou cerâmica, e sendo atendidas, se esta é a expressão correta, por débeis mentais que foram recrutados quando estavam em liberdade condicional do hospício, e que, se fizerem um enorme esforço, serão capazes de distinguir entre uma picareta e um bule de chá.”

Chandler tinha seus problemas. Sua mulher, Cissy, bem mais velha do que ele, teve uma longa e dolorosa doença pulmonar que acabou por matá-la em 1954. No final de 1951, Chandler escrevia ao seu agente literário Carl Brandt: “Tivemos um péssimo Natal. A cozinheira adoeceu, não fizemos peru, e minha mulher ou está de cama ou repousando a maior parte do tempo, tentando combater uma bronquite renitente. Swanie me mandou uma gravata de presente. É toda estampada com pequenos sherlock-holmes e pegadas sangrentas. Gostaria que os agentes de Hollywood não se sentissem obrigados a presentear seus clientes, até porque esses presentes são um termômetro muito fiel do status desses clientes. Um sujeito que chegou ao ponto de receber relógios de pulso e de repente volta a ganhar gravatas sabe exatamente qual está sendo sua cotação no mercado.”

Não, a culpa não é do Natal, é do que acontece no resto do ano. Em 1952, Chandler escreveria, desta vez para o crítico inglês Leonard Russell: “Minha mulher está muito doente. Ela já voltou do hospital, mas ainda está muito fraca e continua acamada. Por causa disto resolvemos esquecer o Natal este ano, inclusive os cartões. Então, deixe-me desejar a você e a Dilly Powell o que quer que ainda exista de paz e felicidade neste mundo triste: coisas como crepúsculos vermelhos, o cheiro de rosas após uma chuva de verão, tapetes macios em aposentos tranqüilos, a luz de uma lareira, a presença de velhos amigos.”

Feliz Natal para todos.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

0386) Amigo é pressas coisas (15.6.2004)





(A Gang Selvagem com Sundance Kid (primeiro sentado, à esquerda) e Butch Cassidy (último sentado, à direita).



Dias atrás cometi uma blasfêmia, falando mal da Liberdade (“O fantasma da liberdade”, 27 de abril). Hoje, atacarei outra vaca sagrada: a Amizade. Tenho dezenas de amigos, gosto muito de todos, e espero não ofender nenhum deles ao afirmar que um dos maiores males do Brasil é a amizade. Este é um dos valores morais sobre os quais se alicerça a nossa cultura e esta maneira de ser que tanto encanta os estrangeiros, mas onde se apóia também toda a rede de corrupções, trambiques, maracutaias, negociatas, golpes, e todas as “tenebrosas transações” de que falava o poeta.

Vejam nos jornais, na TV. Está tudo lá, nos depoimentos, nos telefonemas grampeados, nos bilhetinhos, nos papos a meia-voz registrados pelas microcâmeras ocultas. “Aos amigos, tudo” – é o lema que impera nos corredores do Poder público e privado. 

Se aos políticos é vedada a nomeação de parentes para cargos públicos, este conceito deveria, talvez, ser ampliado para incluir também os amigos. Afinal, muitas vezes um político deixa de lado um irmão antipático ou um primo pouco confiável, e prefere instalar no ponto-chave da máquina estatal aquele companheirão dos velhos tempos, cuja amizade é à prova de fogo. 

(Se bem que nunca se sabe. Assim como se diz que a fidelidade feminina é solúvel no álcool, muitas lealdades masculinas não resistem ao peso dos zeros e dos cifrões.)

Os “vampiros” da Máfia do Sangue só fazem o que fazem porque estão cercados de amigos. Amigos às vezes honestos e bem intencionados, e são essas boas intenções que os perdem. “Ih, rapaz, o Lalau desta vez extrapolou... Mas não vou abandonar um amigo numa hora como essa! Vou destruir as provas e jurar na Bíblia que não sei de nada.”

Num ensaio de 1946 (“Nosso pobre individualismo”, em Outras inquisições), Jorge Luís Borges comenta o abismo ético existente entre a moral anglo-saxônica proposta pelo cinema americano e a ética do compadrismo cultivada pelos argentinos. Diz ele que o argentino só acredita em relações pessoais. Como o Estado é uma entidade abstrata, ele não crê em sua existência, e não acha que seja um crime roubar dinheiro público. E exemplifica: 

“Os filmes elaborados em Hollywood propõem repetidamente à nossa admiração o caso de um homem (geralmente um jornalista) que conquista a amizade de um criminoso para entregá-lo depois à Polícia. O argentino, para quem a amizade é uma paixão e a Polícia uma máfia, sente que este herói é um incompreensível canalha.”


Este exemplo cristalino comprova minha tese sobre a brasilidade dos argentinos, ou a nossa própria argentinidade. Achamo-nos devedores de favores e lealdade aos nossos amigos, não a essa abstração chamada Brasil. Nosso “contrato social” é no interior de um clã. De uma família ampliada; de uma tribo; de um clube de pessoas unidas por projetos coletivos de ascensão social e de desfrute das boas coisas da vida. O navio é este convés onde tomamos drinques ao sol; o resto pode afundar, tamos nem aí.