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sábado, 10 de setembro de 2016

4157) O mistério do 11 de setembro (10.9.2016)




(foto: Richard Drew / Associated Press)

Quando aconteceu o atentado às Torres Gêmeas, eu fiquei pregado à TV durante um dia inteiro, porque justamente na véspera um pequeno problema de hardware me deixara sem acesso à Internet. (Fiquei irritado porque 11 de setembro era a data marcada para o lançamento do álbum Love and Theft de Bob Dylan, e eu queria ver os clips de lançamento.)

Na época eu fazia freelancer para a Editora Guanabara, que estava para lançar um Atlas Histórico ligado à Enciclopédia Delta; e minha editora Liana Pérola Schipper me encomendou uma matéria longa, especial, sobre o assunto. Nos dias seguintes, resolvido o problema de conexão, eu praticamente não fiz outra coisa senão ler e capturar textos e imagens a respeito da catástrofe do WTC.

(Digressão: acho que isto é uma resposta neurótica comum, em mim pelo menos, diante de um fato esmagador e terrível. O processo de juntar e organizar informações sobre o fato de certa forma nos protege do perigo de pensar sobre ele. É uma fase intensa mas passageira.)

Quando o indivíduo é leitor de romance policial e de ficção científica, não há como não ser um cultor, em certa medida, das Teorias da Conspiração.

A literatura policial nos ensina que não há um limite visível para a cobiça humana por dinheiro, nem para as maldades que seres humanos são capazes de fazer para ter mais Poder. A ficção científica expande esse conceito para o Universo como um todo.

Li na época uma entrevista com um dirigente da CIA em que, depois de explicar mais ou menos (ainda se estava em plena investigação) como os terroristas tinham sido treinados para usar os aviões e tudo o mais, ele disse:

“O que me deixa mais acabrunhado é pensar que nós (a CIA) não teríamos ousado pensar num plano como este, e, se pensássemos, não teríamos acreditado que era possível.”

Modéstia do rapaz. Eu atribuo à CIA (e se não foi a CIA foi alguma outra agência da “sopa de letrinhas” de que falava John Michael Hayes, o roteirista de Intriga Internacional) um plano ainda mais mirabolante do que o de meia dúzia de jihadistas sequestrando o cockpit de três ou quatro aviões.  (Digo 3 ou 4 porque até hoje não vi o famigerado “avião” que teria sido jogado no Pentágono.)

Este link (http://www.europhysicsnews.org/articles/epn/pdf/2016/04/epn2016474p21.pdf) conduz a uma matéria do saite Europhysics News sobre o atentado, intitulada: “15 Years Later: On The Physics Of High-Rise Buildings Collapses”, de Steven Jones, Robert Korol, Anthony Szamboti e Ted Walter.

O cerne da questão é: como se explica que as duas Torres, que tinham estrutura de metal, tenham desmoronado daquela forma, se todos os testes provam que a temperatura daquele fogo seria insuficiente para fazer ceder o metal? E mais ainda: como se explica que o WC7, o terceiro prédio a desmoronar naquele dia, tenha aluído praticamente todo ao mesmo tempo, horas depois do choque dos aviões?

Já escrevi a respeito, aqui:



Em matéria de história mal contada, o World Trade Center nunca vai deixar de assombrar nossas noites mal dormidas. Mal contada – não por escassez de explicações, mas pelo excesso. A melhor maneira de esconder uma informação não é proibindo que seja divulgada, é disfarçando-a no meio de uma selva de informações irrelevantes e parecidas. (Aprendi isto com Agatha Christie.)

Poucos acontecimentos do novo século podem se comparar ao impacto da queda das Torres. Mesmo a Guerra do Iraque e a do Afeganistão, que se seguiram, foram guerras convencionais, iguais a qualquer outra guerra.  O atentado do 11 de setembro teve acima de tudo o impacto do ineditismo, do nunca-acontecido, do fato que estourou-a-costura da nossa imaginação.

Talvez um dia seja confirmado que a queda das Torres não se deveu à ação de terroristas islâmicos, e foi na verdade uma gigantesca queima-de-arquivo de empresas privadas e do Governo que estavam metidas em enrascadas mil, além de uma excelente oportunidade de sofrer um ataque estrangeiro que obriga a um revide imediato, como em Pearl Harbor.

Há muitas teorias de que na II Guerra os EUA precisavam de um pretexto para entrar numa guerra que a população via com distanciamento, e adotaram uma atitude passiva-agressiva, pedindo ao Japão: “Me dê motivo”.  Os japoneses, em sua euforia expansionista, caíram na armadilha e bombardearam o porto.

Se confirmarem um dia que os próprios EUA derrubaram as Torres, este fato será tão relevante e tão impactante quanto a queda das Torres, quinze anos atrás.

E será uma revelação crucial sobre a natureza de nossa civilização: uma civilização em que qualquer história gigantescamente absurda pode ser impingida como verdade à população, durante uma quantidade de tempo finita (mas suficiente para os objetivos estratégicos imediatos).






quinta-feira, 10 de junho de 2010

2133) Os embaraços da ficção científica (8.1.2010)



Em 2 de setembro de 2001, um domingo, a comunidade da FC norte-americana reuniu-se no Marriott Hotel, na Filadélfia, para a cerimônia de entrega do Prêmio Hugo, considerado o Oscar da ficção-científica nos EUA. A cerimônia ocorreu durante a 51a. Worldcon, a convenção mundial da FC, uma festa gigantesca que ocorre todos os anos, geralmente nos EUA. Com a presença de cerca de 6.200 fãs, foi uma das convenções mais numerosas das últimas décadas. O “gran finale” da Worldcon é a entrega do Prêmio Hugo nas categorias de melhor romance, melhor noveleta, melhor conto, etc. e tal.

Americanos adoram cerimônias desse tipo, e o Hugo é o prêmio de maior visibilidade no mundo da FC. Daí que não foi sem uma certa perplexidade que, ao ser aberto o último envelope da noite, constatou-se que o melhor romance de ficção científica escolhido em 2001 foi “Harry Potter e o Cálice de Fogo”, de J. K. Rowling. Tem gente esbravejando até hoje. Na Internet e nas revistas especializadas muita gente considerou isto uma infantilização do prêmio, uma tapa na cara dos fãs mais radicais de FC. O Hugo ir para um mau livro de FC já rende polêmica bastante, mas foi esta a primeira vez que isto aconteceu com uma obra que, embora ligada ao que chamamos “literatura de gênero” (e que inclui FC, fantasia e horror), não tinha o menor vínculo com a FC, e era, ainda por cima, um livro infantil. A FC estava deixando de lado seu papel de observadora do futuro?

Parece que sim, porque nove dias depois dessa cerimônia na Filadélfia todo mundo sabe o que aconteceu. Minha imaginação doentia me faz supor que havia pelo menos uns 500 leitores de FC tomando cafezinho e discutindo o resultado do Prêmio Hugo em diferentes andares do World Trade Center quando os aviões sequestrados explodiram nas duas torres. Terrível ironia para um gênero que é tido pelo grande público (embora erradamente, a meu ver) como uma literatura que nos avisa sobre o que vai acontecer no futuro. O futuro eram os terroristas islâmicos estudando nos EUA como decolar (mas não como pousar) um Boeing. A FC, naquele momento, era Harry Potter.

Vendo tudo à distância, hoje, é melhor reconhecer que o prêmio (para o qual votam todos os participantes da Worldcon, independentemente de sexo, idade ou preferências literárias) refletiu a chegada de uma geração de leitores mais jovens, apaixonados por Harry Potter, e muitos dos quais estavam votando no Hugo pela primeira vez. Não há como negar, no entanto, que o resultado simbólico desse prêmio mostrou um ponto de inflexão que o mercado da FC estava tomando naquele momento, em pleno terremoto editorial. Grandes conglomerados não-livreiros estavam adquirindo editoras de peso e de renome no mundo inteiro, e quem dava o tom eram os “grandes sucessos”. O mercado editorial, que sempre havia sido mais ou menos autônomo, tornou-se um apêndice (muitas vezes um apêndice facilmente extirpável) do grande mercado corporativo.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

1003) Ainda o WTC (3.6.2006)


(foto: James Nachtwey)

Os Estados Unidos são um lugar úmido e ensolarado onde floresce qualquer semente exótica, principalmente aquelas trazidas por um semeador de más intenções. O país inteiro tem sido uma estufa privilegiada para aquilo que chamamos de “Teorias das Conspirações”, aquelas histórias mirabolantes e paranoicamente plausíveis que nos explicam tudo que existe por trás de tragédias inexplicáveis como a queda de um avião ou de eventos aparentemente anódinos como o bater das asas de uma borboleta.

Num país que disseca o assassinato de Kennedy há mais de 40 anos, o atentado ao World Trade Center em 2001 é um mote que qualquer conspiracionista que se preze sente-se obrigado a ficar glosando até o fim dos tempos. Numa palestra recente em Nova York, um deles afirmou: “Estou aqui para desmontar esse mito ridículo, esse conto-de-fadas absurdo de que aquele atentado foi a obra de dezenove fanáticos, armados com estiletes enviados por um sujeito barbudo que mora no fundo de uma caverna”.

Eu me identifico bastante com algumas dessas teorias (ver “Mistério no World Trade Center”, 2.2.06). Tem muita coisa estranha. Segundo as autoridades, numa rua próxima ao WTC foi encontrado (intacto) o passaporte de um dos terroristas, que estava na cabine do avião no momento do choque. Em matéria de história mal contada por um governo, essa bate todos os recordes. Me lembra uma novela da Globo em que no último capítulo o autor de um assassinato misterioso é descoberto porque a polícia se lembrou de fazer uma nova busca no local do crime, e achou lá a carteira de identidade do assassino, que a deixou cair inadvertidamente durante a fuga!

Nunca um edifício com estrutura de metal desabou por causa de incêndio. Por que motivo naquele dia desabaram três, inclusive o WTC 7, que não foi atingido por aviões? Se o combustível dos aviões queima a 1.800 graus Fahrenheit e o aço derrete a 2.700 graus, como se explica que as torres tenham “derretido” em apenas 56 minutos, como no caso da Torre Sul? Como se encontrou o passaporte de um dos terroristas, e as duas caixas-pretas foram destruídas? E como se explica a intensa negociação de ações da American Airlines e United Airlines, as duas empresas envolvidas, poucos dias antes dos ataques? Quem faz estas perguntas é um cara chamado Webster Tarpley, autor do livro 9/11 Synthetic Terror: Made in USA. Para ele, o 11 de setembro é algo parecido com o ataque de Pearl Harbour em 1941: segundo alguns historiadores, o presidente Roosevelt estava informado de tudo, mas deixou o ataque acontecer para poder declarar guerra ao Japão sem ter que explicar muita coisa.

Sou um homem ocupado, mas se você, caro leitor, quiser aprofundar o assunto, vai encontrar espaços virtuais como “911truth.org,” 911forthetruth.com,” “911truthla.org,” “nakedfor911truth.com,” “911truthemergence.com,” “911citizenswatch.org,” “911research.wtc7.net,” “911review.com”, sei lá o que mais. Não seja o último a ficar sabendo.

sábado, 21 de março de 2009

0899) Mistério no World Trade Center (2.2.2006)




(A CNN noticiou a queda do WTC7 quando ele ainda estava de pé)

Circula na Internet um documento (cheguei até lá através do utilíssimo saite Metafilter) que coloca novamente em discussão as numerosas histórias mal-contadas em torno dos atentados de 11 de setembro. 

O leitor há de lembrar aquela teoria de um francês, Thierry Meyssan, para quem o Pentágono jamais foi atingido por um avião naquele dia (e de fato, até hoje vi dezenas de fotos do Pentágono em chamas e parcialmente destruído, e não aparece nada de avião). 

Pois bem, agora surge uma outra série de dúvidas envolvendo outro prédio: o World Trade Center 7, um dos edifícios do complexo em volta das Torres, que desabou na tarde de 11 de setembro.

Vamos recapitular. 

O WTC era na verdade um complexo de sete edifícios numerados, sendo que as Torres Gêmeas eram WTC1 e WTC2. O 3 era o Marriott Hotel, o 4 e o 5 eram os edifícios Plaza (Sudeste e Nordeste), o 6 era a U. S. Custom House, de oito andares, e o 7 era o chamado “Anexo 7”, de 47 andares. 

De todo este complexo, apenas três edifícios desmoronaram totalmente: a Torre Sul desabou às 10:05, a Torre Norte às 10:28, e o WTC7 desabou sete horas depois. Por que? 

Ele não foi atingido por aviões. Era sustentado por 57 colunas dando volta ao seu perímetro, e por mais 24 colunas situadas no “miolo”. Delas, apenas doze e três, respectivamente, sofreram algum dano. E no entando, sete horas depois da queda das torres gêmeas, o WTC7 veio abaixo em sete segundos, e de forma retilínea, vertical.

Segundo o estudo de Steven V. Jones, da Brigham Young University (que pode ser integralmente lido aqui: http://www.physics.byu.edu/research/energy/htm7.html) as aparências sugerem que o edifício foi implodido por cargas de explosivos. Há longas análises técnicas, numerosas fotos, e alguns vídeos que dão o que pensar (pequenas erupções de fumaça que de fato parecem cargas explosivas sendo acionadas durante o desmoronamento). 

Jones sugere que o mesmo processo pode ter sido posto em prática nas Torres Gêmeas, sob o disfarce do incêndio provocado pelo choque dos aviões. Outro indício é a presença de metal derretido, ainda líquido, nas ruínas no prédio, vários dias depois da tragédia; algo inexplicável, se atribuirmos o desmoronamento ao abalo produzido pela queda das duas torres.

Uma das questões levantadas por Jones é: Por que motivo terroristas tentariam fazer os prédios caírem de maneira tão simétrica, vertical, poupando os prédios em volta? E como teriam acesso prévio para a colocação de dezenas de cargas de explosivos? Jones exige a liberação de 6.899 fotos e 6.977 segmentos de vídeo que o National Institute of Standards and Technology e o FBI detêm. 

Não estou dizendo aqui que foram os próprios americanos que derrubaram seus prédios. A humanidade já produziu muitas barbaridades mas não creio que um dia chegue a esse ponto. O que digo é que em matéria de história mal-contada por um governo essa está batendo todos os recordes.