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terça-feira, 12 de abril de 2016

4100) O Kafka da era digital (12.4.2016)



(ilustração: Elena Scotti)

A fazenda de Joyce Taylor, 82 anos, no Kansas, tem sido assediada nos últimos anos, para grande espanto na região, por “agentes do FBI, xerifes federais, cobradores da receita federal, ambulâncias tentando socorrer veteranos-de-guerra suicidas, policiais à procura de crianças desaparecidas”.  Ninguém ali sabe por quê. É uma zona rural, e a cidade mais próxima tem 13 mil habitantes. Levou algum tempo para alguém perceber que isso se devia a um erro básico de mapeamento da Internet.

Quando a gente diz que “está na Internet” pensa o que? Eu penso em algo como uma biblioteca, onde a localização exata de um livro obedece a um código numérico. Tendo o número de código, a gente se encaminha para o andar, o setor, a estante, a prateleira, o volume procurado. Do mais amplo para o mais restrito. É como procurar a cidade, o bairro, a rua, o prédio, o apartamento.

A Internet é um pouco assim, só que mais bagunçada. Todo computador (celular, etc.) tem um endereço IP, que é como um CPF, da máquina que você usa. É um número único, que fica registrado cada vez que a gente conecta em algum ponto. (Teoricamente, é assim que a polícia localiza os pretendentes a malfeitores do ciberespaço – os verdadeiros malfeitores sabem como evitar isso.)

Uma matéria recente de Kashmir Hill no websaite Fusion revela o lado avesso desse processo que parece tão certinho. Explica ele que existem empresas especializadas em mapeamento digital, ou seja, em informar a localização de um endereço IP. Digamos que alguém me mandou mensagens ameaçadoras, ou que me aplicou um conto-do-vigário via Internet, e que eu consegui descobrir o endereço IP do computador original, que fica nos EUA. O que faço? Entro em contato com uma empresa como a “MasterMind”, e ela me diz o endereço onde está essa máquina.

Só que o processo de rastrear a máquina é falível, imperfeito, cheio de buracos. Às vezes chega à precisão de indicar um quarteirão, uma casa. Mais frequentemente, diz apenas: “Este IP está na cidade tal”. Quando ela não consegue saber algo mais específico, diz em que país está, mas para isso precisa fornecer coordenadas (latitude e longitude). O que faz a MasterMind, quando um IP é difícil de rastrear, e sabe-se apenas que está nos Estados Unidos? A companhia indica as coordenadas relativas ao centro geográfico do país. (É o mesmo raciocínio, acho eu, que faz com que quando o computador seja iniciado o mouse apareça exatamente no centro do monitor).

Sempre que um endereço de IP fica difícil de rastrear e sabe-se apenas que está no país, o “país” é indicado pelo seu centro geográfico. Acontece que esse centro, conforme foi calculado pela MasterMind, fica perto da fazenda de Joyce Taylor! O autor da matéria pediu um levantamento desses endereços e encontrou nada menos de 600 milhões de endereços IP que ninguém pôde localizar com mais precisão e jogou para o centro dos EUA, ou seja, para a fazenda da pobre sra. Taylor.

A matéria cita vários outros exemplos dessa nuvem de endereços fantasmas que ninguém sabe onde estão situados mas um cálculo meio descuidado (os próprios diretores da empresa admitiram) acabou empurrando para uma direção física, cheia de gente real, cuja vida começou a ser bagunçada unicamente por conta de um “gatilho técnico”. É o Kafka da era digital.

A matéria completa, de Kashmir Hill:
http://fusion.net/story/287592/internet-mapping-glitch-kansas-farm/





sábado, 12 de março de 2016

4074) Memes e gifs (13.3.2016)



Um que está se multiplicando é o Gif do Falso Desfecho. Alguém posta uma imagem de um lenhador dando as últimas machadadas num tronco gigantesco a ponto de aluir. Ficamos esperando a queda da árvore, guiados por uma frase-isca, “o desfecho é sensacional!” ou “não entendi esse final”, ou “só percebe se prestar muita atenção”.  Mas não, as machadadas (a ação preparatória) ficam rodando em loop e a piada é com a gente.  Quer mais filosofia prática do que isso?

Os gifs são álbuns de figurinhas de fãs: o carrinho percorrendo os corredores do Overlook Hotel em “O Iluminado”, a valsa das espaçonaves em “2001”, uma briga-relâmpago de espadas num épico japonês. Mais interessantes e mais difíceis de capturar são aqueles com alguns segundos de um riso, uma expressão no olhar, um gesto eloquente de um ator. Ou uma pequena simetria de movimentos que, ladrilhada ao longo dos segundos, pode produzir efeitos de humor ou musicais ou emotivos. Algo real, que poucas pessoas lembram, mas está ali.  Uma contração nos lábios de Audrey, uma sacudida-de-ombros de Jardel Filho, um olhar de esguelha de Shelley Winters, uma palitada-de-dentes de Wilson Grey.

Quem capta essas coisas já as tinha na memória, e foi rever o filme à sua procura? Ou estava meramente vendo o filme e aquela pérola repentina cintilou na tela, e ele decidiu recortá-la para si? Meu reino por algum software tipo “Gifmaker”. Você está assistindo um filme no DVD da sala, ou no do notebook, aí gosta de um trechinho, para, volta, vem acompanhando até chegar a cena que você quer. Aí aperta um botão no controle remoto, uma vez para começar gif, duas para encerrar. Fica uma cópia no aparelho e outra vai na mesma hora para seu celular.

Gifs viralizam primeiro quando são compartilhados, repetidos, quantificados. E depois quando começam a ser interferidos ou (para usar um termo da moda) ressignificados. Um meme recente como o de John Travolta, casaco sobre o braço, hesitante, fazendo um gesto vago de “sim, mas cadê?” vira um comentário beckettiano capaz de ser aposto a qualquer situação humana. Buster Keaton perseguido por pedras rolantes numa encosta, uma menininha loura jogando dólares pela janela, Shirley Temple fumando o cachimbo da paz, um homem subindo incansavelmente uma escada que não para se se alongar... 

São gestos congelados no âmbar da imagem, são cartuns animados sem legendas. Uma linguagem que já existia: seguramente os editores de revistas de cem anos atrás já imaginavam a possibilidade de substituir a foto costumeira por uma breve sequência de uma ação animada, em ritornelo constante, ativada no abrir da página.




sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

3374) Violências de hoje (20.12.2013)



Nunca pensei que redes sociais através de computadores despertassem, em pessoas que a gente presume civilizadas, e que muitas vezes conhece pessoalmente, esses picos de agressividade, de descortesia, de violência verbal. Pessoas se intrometem com-quatro-pedras-na-mão num bate-papo de desconhecidos, insultando a uns e outros que não concordam com os pontos de vista lá delas. Insultos e ofensas estouram quando menos se espera. Por que?

Geralmente se diz que a causa é a distância física e o anonimato. Comentar num blog nos dá a possibilidade de ofender alguém que dificilmente vai ter a chance de afundar nosso nariz com um soco, mesmo porque jamais saberá quem somos – estamos assinando aquilo com nomes tipo GrimRaper ou NecrófagoDeAluguel. Tipo assim. Deitamos e rolamos, e a possibilidade de rebordosa física (a única capaz de nos atingir, porque moralmente somos um simples vapor rarefeito) é remota.

Na “Carta Capital”, Luiz Gonzaga Belluzo escreveu algum tempo atrás: “Nos comentários da internet, vai ‘de vento em popa’ o que Herbert Marcuse chamou de ‘automatização psíquica’ dos indivíduos. Os processos conscientes são substituídos por reações imediatas, simplificadoras e simplistas, quase sempre grosseiras, corpóreas. Nesses soluços de presunção opinativa, a consciência inteligente, o pensamento e os próprios sentimentos desempenham um papel modesto. Convencidos da universalidade do seu particularismo, os internautas comentaristas distribuem bordoadas nos que estão no mundo exatamente como eles, só que do lado contrário.”

Isto me lembrou uma nota que li muitos anos atrás, de que na Suíça, país auto-controlado e politicamente correto, havia lugares onde o sujeito pagava uma taxa fixa, entrava numa sala e tinha ali uma imensidão de porcelanas baratas que ele podia sair arrebentando com uma barra de ferro. Depois de 50 minutos e mil francos suíços, o cara ia para casa repousado, descarregado, pacífico como um bebê Johnson.  As redes sociais devem ter para alguns este mesmo efeito descarregador de tensões. O cara vai lá, arregaça, pontifica, esculhamba com meio mundo, e vai dormir. Seu único problema agora é que o ego não cabe na cama.

O passeio na web é uma viagem onde estamos rigorosamente sozinhos, diante de uma página colorida cheia de avatares, de bonecos. Tratamos esses bonecos de acordo com nossos impulsos mais íntimos, como nossa maneira em-bruto de ser. Há uma pergunta terrível que diz: “Do que você seria capaz, se tivesse certeza que ninguém nunca descobriria?”. A Internet parece perguntar: “Do que você seria capaz em público, se tivesse a ilusão de estar sozinho?” A resposta está aí.


quarta-feira, 20 de junho de 2012

2901) Tempo real (20.6.2012)




(ilustração: Gio MacCluskey)


"Tempo real". Esta é uma expressão curiosa, surgida, pelo que me consta, com a Internet.  Antes dela tínhamos milhões de coisas acontecendo em tempo real mas não nos sentíamos obrigados a dar um nome a isto. 

“Em tempo real”, na linguagem de hoje, significa um fenômeno qualquer em que transmissão e recepção sejam simultâneos, ou seja, a coisa acontece num lugar e é vista em outro no mesmo momento.  

(Se bem que nada é simultâneo, de acordo com a Física. Há sempre um intervalo, mas em termos da percepção humana é uma fração de segundo tão pequena que para efeitos práticos pode ser ignorada. Para tais grandezas, físicos e matemáticos usam o adjetivo “desprezível”, que sempre me pareceu meio insultuoso.)

Em tempo real significa aquela noite inesquecível em que o U-2 fez um show demolidor num estádio na Califórnia, e eu assisti o show em meu PCzinho no Rio de Janeiro, sentado na minha cadeira giratória, indo buscar cerveja na geladeira. 

Alguém pode argumentar que se o show tivesse ocorrido na véspera e eu o estivesse vendo 24 horas depois (ou 240 horas depois, etc.) minha impressão de ineditismo seria a mesma, e não discuto.  

Aí é que entram as sutilezas do Espírito do Tempo.  O prodigioso não é que a gente esteja vendo aquilo em tempo real, mas que SAIBA que está vendo em tempo real. O prodigioso não é a simples transmissão da informação, mas o pequeno triunfo psicológico que ela nos proporciona, aquela sensação de momentânea onipotência, a sensação de estarmos (a Humanidade inteira, ou pelo menos uma parte importante dela) envoltos num casulo telepático em que tudo nos acontece ao mesmo tempo aqui e agora.  Isto é precioso.

Talvez tenhamos sentido algo assim quando nos deparamos pela primeira vez com o telégrafo; com o rádio; com o telefone; com a televisão; mas isto nunca ocorreu com tanta intensidade. Quando estou num chat, tipo frase-vai, frase-vem, com algum amigo que está na Europa ou na Ásia penso: “Ora, isto não é mais extraordinário do que um telefonema”. 

Mas telefonemas são uma comunicação um-a-um, e a Internet nos proporciona isto multiplicado por multidões incalculáveis. E reparem bem na poesia do nome.  Todo tempo é real, não é mesmo? Quando leio uma peça de Ésquilo, foi real o momento em que foi escrita, é real o momento da leitura, bem como é real o intervalo de 2.500 anos que nos separa.  Hoje, porém, temos um real simultâneo, e não um real esgarçado no tempo. 

Como se o fato de outros seres humanos estarem pensando na mesma coisa no mesmo instante tornasse essa coisa mais espessa, mais socialmente verdadeira, mais humanamente real.  E, em última análise, é isso mesmo que acontece.

    


sábado, 3 de dezembro de 2011

2730) A corrente e os elos (3.12.2011)




A frase mais famosa atribuída a Sherlock Holmes, “Elementar, caro Watson”, nunca foi pronunciada por ele (parece que a frase surgiu num filme, e não nos livros de Conan Doyle). Falarei de outra frase, esta sim, incluída num livro de Doyle, e pronunciada pelo Dr. Watson. No livro O Vale do Terror, os dois amigos estão comentando a traição de um bandido da quadrilha do Prof. Moriarty, que passa informações para Holmes, às escondidas. E Watson comenta: “Pois é, nenhuma corrente é mais forte do que o mais fraco dos seus elos”. Basta que um dos bandidos “entregue o leite” para que toda a quadrilha desça pelo ralo.

Essa frase tão perceptiva contradiz a noção generalizada de que Watson era um sujeito estúpido que só servia para “fazer escada” para Holmes. O doutor tem vários momentos de agudeza intelectual que um dia me darei o trabalho de reunir num alentado artigo. Por enquanto, basta registrar que se você tem uma corrente com centenas de elos feitos de aço inoxidável e um de papel, de nada adianta o aço da maioria, porque é no papel que ela vai se partir ao primeiro puxão. Em termos de engenharia isto pode ser um problema mas pode também ser uma solução – foi assim, talvez, que os eletricistas inventaram o conceito de fusível, uma coisa mais fraquinha que pipoca no primeiro problema e desliga todo o resto, mantendo-o intacto.

Quando inventaram a Internet e a World Wide Web, o conceito principal por trás dessa inovação era justamente a de que não importava qual o ponto dessa rede que fosse desligado, por acaso ou de propósito; o fluxo de informação continuaria passando. Numa corrente linear, onde toda a informação tem que passar necessariamente por cada um daqueles elos, basta um dele se romper para o fluxo ser detido. Numa malha ou rede (web), a informação, ao chegar nesse ponto, pode ser desviada lateralmente, rodeando o “elo rompido” e voltando ao trajeto normal logo adiante, como quem faz um desvio diante de uma ponte desmoronada e logo adiante volta à rodovia.

Retomando os termos do dr. Watson, podemos dizer que uma rede é uma combinação de correntes lineares que se reforçam umas às outras, de modo que se um elo for mais fraco que os demais o seu rompimento não prejudica a solidez do conjunto. Daí que o termo “roteamento” seja tão importante no mundo internético. Rotear é dirigir o fluxo de informação, e poder fazer isso, quando um “elo” se rompe, por um caminho diferente do que estava sendo feito um segundo atrás. Numa corrente linear, o roteamento só tem uma direção por onde seguir, sem alternativas, o que a torna de fato a mais frágil das opções para a transmissão de informações.

terça-feira, 2 de junho de 2009

1064) A Enciclopédia Galáctica (13.8.2006)



Nunca pensei que veria, no meu tempo de vida, algo parecido com a Enciclopédia Galáctica sonhada por Isaac Asimov, ou com o que B. R. Bruss assim descreve em sua space-opera O Grande Ser (Editora Vecchi, 1963): “Esta conversa desenrolava-se numa das inúmeras dependências do Centro de Arquivos Históricos Galácticos,cujos prédios enormes cobriam várias centenas de hectares do que fora outrora o Arizona. O Centro fora fundado mais de dezoito mil anos antes e desde então fora ampliado de forma espantosa. (...) Saltaram na entrada do vasto salão onde se achava “Josefa”. Centenas de homens trabalhavam em silêncio ao redor da gigantesca máquina. (...) Não era a própria Josefa quem fornecia informações históricas. Sua tarefa era fornecer referências e enviar informações a outras máquinas, as quais eram, de alguma forma, a memória histórica da Galáxia. No Centro havia duas ou três mil máquinas, algumas de dimensões consideráveis”.

A World Wide Web de hoje concretiza este sonho dos escritores. Uma das melhores coisas da FC é ver o quanto suas previsões se realizam pelo avesso. O exemplo mais citado pelos historiadores é o fato de que milhares de autores previram o desembarque do homem na Lua, mas nenhum imaginou que isto seria visto no mundo inteiro através da TV. Arrisco a hipótese de que é mais fácil prever o desenvolvimento da Astronáutica, que é de natureza mais concentrada, mais afunilada, do que o desenvolvimento das telecomunicações, que precisam se disseminar entre a população, e mantêm com ela um “feed-back” mais intenso de influências mútuas.

A Enciclopédia Galáctica imaginada nos anos 1950 se inspirava na imagem do computador gigantesco, do tamanho de um edifício. Imaginava-se que quanto mais potente um “cérebro eletrônico” (como eram chamados), maior seria. Ledo engano. Os computadores cresceram para dentro, e não para fora. Não cresceram no sentido da expansão, mas da subdivisão, do particionamento, do aproveitamento em escala micrométrica das menores unidades possíveis do material que compõem seus chips e suas unidades de armazenamento. Leio no jornal que acaba de sair o novo chip da Intel, um tal de “Core 2 Duo”, com capacidade equivalente a 291 milhões de transistores. E é desse tamanhinho.

O tamanho reduzido dos computadores de hoje faz com que, em vez de cobrirem “centenas de hectares do que fora outrora o Arizona”, eles se espalhem em minúsculos fragmentos, que antes eram chamados “computadores pessoais”, e agora são mais e mais chamados de “meu celular”. O computador, o nosso familiar PC doméstico (ou Mac, para os mais sofisticados) foi a imagem dessa revolução nos anos 1980. O modem, o aparelhozinho capaz de nos plugar na rede neuronial da World Wide Web, foi o seu símbolo nos anos 1990. Agora, de 2000 em diante, é o celular, cuja função de telefone recua cada vez mais para dar lugar às funções de Monitor de Acesso à Enciclopédia Galáctica.

1063) World Wide Web (12.8.2006)


(Tim Berners-Lee)

Tomei café, liguei o computador, e fui no Expecting Rain, um saite dedicado a Bob Dylan, gerenciado e mantido por um cara da Noruega. Fui ver se tinha algum comentário sobre o disco novo. Lá fiquei sabendo que neste mês de agosto a World Wide Web, ou WWW, está completando quinze anos de existência. Foi em agosto de 1991 que Tim Berners-Lee divulgou as informações necessárias para que se criassem links instantâneos entre documentos situados em computadores em diferentes partes do mundo, conectados entre si por redes telefônicas. Ou seja: o equivalente a você pegar o telefone, discar uma série de algarismos, e o telefone tocar na casa de um amigo seu que mora na China. O primeiro servidor (o local onde se arquiva um número indefinido de páginas linkadas) foi montado em dezembro daquele ano, na Universidade de Stanford.

Uma vez li uma entrevista com Tim Berners-Lee e o repórter lhe disse: “Você poderia ser um milionário se tivesse explorado comercialmente o que criou. Por que não quis?” E ele disse: “Pra que ser milionário, quando você pode mudar o mundo?” Os jovens de hoje não sabem, mas trinta anos atrás “mudar o mundo” era o sonho da maioria dos jovens (os jovens de hoje acham que ser milionário é mais interessante, e de preferência sem trabalhar). Berners-Lee é um dos poucos cidadãos que podem dizer que mudaram o mundo. Não o fez sozinho, claro, mas, como Colombo, ou Newton, ou os Irmãos Lumière, ou Santos Dumont, foi através dele que o conhecimento acumulado da Humanidade deu o salto qualitativo para uma nova descoberta.

Em tempos normais eu não passo menos de quatro ou cinco horas por dia conectado à WWW. Lendo jornais e revistas, principalmente. Eu não dependo apenas do “Jornal Nacional” da Globo para saber o que está se passando. Tem bombardeio no Líbano? Posso consultar toda manhã o saite da TV Al-Jazeera (http://english.aljazeera.net/HomePage) para ver um ponto de vista árabe, ou o saite do Haaretz (http://www.haaretzdaily.com/) para ver um ponto de vista judeu. Qualquer um de nós pode ler qualquer jornal importante do mundo, todo dia. Basta ir num computador (pode ser o de um café, ou do colégio) botar o nome do jornal no Google, e clicar no link.

Em tempo de blogs, que podem ser atualizados a qualquer momento, os blogs de jornalistas profissionais podem nos dar informações essenciais sobre os fatos à medida em que eles se desenrolam. Sobre política brasileira, eu olho com freqüência o blog de Ricardo Noblat, em Brasília (http://noblat1.estadao.com.br/noblat/visualizarConteudo.do). Mas as opções são inúmeras. Dê um pulo, coleguinha, no saite Cyberjournalists (http://www.cyberjournalist.net/cyberjournalists.php?NF=1) onde há links para mais de 400 blogs de jornalistas, especializados em qualquer assunto, espalhados pelo mundo inteiro. E eu sou tão saudosista que lembro com carinho dos tempos em que eu juntava dinheiro para comprar a revista “Time” toda semana!