https://mundofantasmo.blogspot.com/2014/08/3577-o-misterio-dos-mmm-1482014.html
Artigos de Braulio Tavares em sua coluna diária no "Jornal da Paraíba" (Campina Grande-PB), desde o 0001 (23 de março de 2003) até o 4098 (10 de abril de 2016). Do 4099 em diante, os textos estão sendo publicados apenas neste blog, devido ao fim da publicação do jornal impresso.
Durante a rodagem de La Mort En Ce Jardin, junto ao lago de Catemaco, o chefe da polícia local, que limpara vigorosamente toda a região, ao ver que o ator francês Georges Marchal gostava de armas e de tiro, convidou-o, como se tratasse de algo perfeitamente natural, para uma caça ao homem. Era preciso ir no encalço dum assassino conhecido. Marchal recusou com horror. Algumas horas mais tarde, vimos os policiais passarem e o chefe informou-nos negligentemente que o assunto já estava encerrado.
(Luís Buñuel, O Meu Último Suspiro, Lisboa, Distri Editora, trad. Maria Helena Santos; p. 228)
Volto à biblioteca. Sento diante de um dos micros, escolho programas ao acaso (De Assis, De Camp, De Quincey, De Sade...), troco cartas durante algumas horas.
I DON’T EAT THERE OFTEN. IT WAS NOT CONSIDERED FASHIONABLE TO DO SO. BUT THEY RAN THE PLACE LIKE A HOSTEL, AND A D––D EXPENSIVE ONE TOO.
Acho que o “damned” substituído por travessões está correto, mas não creio que Byron teria usado a palavra “fashionable” (=na moda) nesse contexto. Soa como uma expressão muito recente. (p. 87)
O programa foi alimentado, em forma codificada, com todos os detalhes e todos os fragmentos de informação disponível sobre o poeta e sua obra. (...) Embora o programa arquive tudo relativo a Byron, ele guarda um grande número de fatos que ele desconhecia, e outros que ocorreram após sua morte; esses dados eram mantidos em separado. (p. 17)
Deus misericordioso! William Lamb, Primeiro Ministro da Inglaterra? Ainda bem que não vivi para presenciar tal coisa. (p. 97)
Concordamos desde o início quanto a este aspecto: cada parâmetro pode ser alterado ligeiramente, para menos ou para mais, para promover ajustes, e pode ser alterado de volta a sua posição original; mas nenhum deles pode ficar sendo modificado constantemente sem provocar repercussões no sistema. (p. 110)
Don Camilo ergueu os olhos para o Cristo do Altar-Mor e disse:– Quanta coisa há no mundo fora dos eixos!– Não concordo – respondeu Jesus. – No mundo, à parte os homens, tudo está perfeitamente certo.Don Camilo deu uns passos para baixo e para cima e parou em frente do altar.– Jesus, se eu contar um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, e continuar contando sempre durante um milhão de anos, chegarei ao fim?– Não – respondeu Jesus. – Procedendo assim, serias como um homem que, tendo traçado na terra um círculo, começasse a andar em volta dele, dizendo: “sempre quero ver quando chego ao fim”. Claro que nunca chegaria.
(...) Durante a noite inteira, de mão ao pote, apenas despachamos bulas a pé e bulas a cavalo para reter os barcos, porque os alfaiates queriam fazer de retalhos uma zarabatana para cobrir o mar oceano, que então estava grávido de uma panelada de couve, segundo opinião dos palhoceiros; porém os médicos diziam que em sua urina não reconhecia um sinal evidente de que uma abetarda comesse machados com mostarda, a não ser o que senhores da corte dessem por bemol ordens à bexiga de nunca mais surrupiar bichos-da-seda, pois os palermas já tinham um bom começo para saçaricarem o estrindor no tom do diapasão, um pé no fogo e a cabeça no meio, como dizia o bom Ragot. (...)
(...) E supondo que no cruzamento de cães corredores os pequerruchos tenham soado o corno antes de o notário entregar seu relatório por arte cabalística, não se segue (salvo melhor julgamento da corte) que seis arpentes de prado largamente medido forjem três tonéis de fina tinta sem soprar na bacia, considerando que nos funerais do Rei Carlos era possível comprar em pleno mercado o tosão por quatro mirréis – eu juro, lavro e dou fé – de lã. (...)
(...) Uma vez visto, ouvido e sopesado o diferendo entre os senhores de Beijacu e Chuparrabo, a corte declara que, considerando a horripilação do morcego ao declinar do solstício estival para cortejar baboseiras que sofreram mate de peão pela má vexação dos lucífugos presentes no clima trans-Roma de um maleiro encavalgado portando uma balestra nos rins, o querelante teve justa causa em calafetar o galeão que a governanta inflara, pé calçado e outro nu, reembolsando baixo e firme em sua consciência tantas asneiras quanto a pelagem de dezoito vacas, e basta quanto ao bordador. (...)