Mostrando postagens com marcador economia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador economia. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 3 de abril de 2025
5168) Brasileiro vende quase tudo (3.4.2025)
sábado, 4 de junho de 2022
4829) Os reis do dinheiro (3.6.2022)
Uma contradição permanente das democracias é que o poder vem nominalmente do povo, através do voto em representantes (no Executivo e no Legislativo), mas este é praticamente o único poder que o Povo tem. O melancólico poder de olhar uma lista que lhe fornecem e dizer: “Prefiro essa pessoa aqui.”
Em 2018, existem 2.200 bilionários (em dólar) no mundo inteiro, com uma soma de riquezas de mais de 9 trilhões, mais do que os 7 trilhões que possuíam em 2017. De acordo com um relatório de 2017 da Oxfam, os oito bilionários mais ricos possuem uma soma equivalente à das posses da metade mais pobre da humanidade.
(Cory Doctorow)
O escritor Cory Doctorow publicou um texto recente em que
ele questiona o modo como as democracias contemporâneas permitem essa
concentração de riquezas. Ele faz uma comparação com as monarquias absolutistas,
onde todo o dinheiro arrecadado ia para a família do rei, e o rei, por ser representante
de Deus na Terra, podia fazer o que lhe desse na telha. Um dia, era deposto por um
inimigo – que passava a ocupar seu posto e a fazer mais ou menos o que ele
fazia antes.
Diz Doctorow:
Como disse o senador John Sherman ao Congresso, quando se esforçava para fazer aprovar sua histórica lei anti-truste em 1890: “Se não aceitamos um Rei como um poder político, não devemos aceitar um Rei como possuidor da produção, transporte e comercialização dos bens necessários à vida. (...) Se não nos submetemos à vontade de um imperador, não devemos nos submeter à vontade de um autocrata do comércio.”
Numa entrevista recente ao The New Yorker, o cineasta Werner Herzog ironizou essa nossa
fascinação pelos bilionários.
https://www.newyorker.com/culture/the-new-yorker-interview/werner-herzog-has-never-liked-introspection
[A corrida espacial dos bilionários] é uma competição movida a testosterona. Um indivíduo que se destaca nela é Elon Musk, porque constrói foguetes re-utilizáveis, o que é uma coisa bacana e muito nobre, mas ao mesmo tempo a sua idéia de levar um milhão de pessoas para colonizar Marte é uma obscenidade. Devíamos cuidar do nosso planeta, em vez de tentar tornar viável um planeta inóspito. Não é preciso ser cientista para perceber que colônias em Marte são um projeto sem futuro. Quanto a essa disputa dele com Bezos e outros bilionários, acho que é uma estratégia de marketing. Dá a ele o rótulo de – e estou dizendo isto entre aspas, ponha uma porção de aspas antes e depois – “visionário”. Ou seja: se você for comprar um carro elétrico, não compre dos alemães, não compre dos chineses, compre do “visionário”.
(trad. BT)
quinta-feira, 4 de março de 2021
4680) Crise é sinônimo de lucro (4.2.2021)
Uma amiga minha, metade francesa metade paraibana, me disse uma vez que viajar pelo Nordeste é fazer uma viagem no tempo. A pessoa desembarca em João Pessoa, e está no tempo presente. Pega um carro, segue pela BR-230 rumo ao sertão, e a cada trecho vai se sentindo na década de 1960, na década de 1930, no século XIX...
O Indomado
(“Hud”, 1961) de Martin Ritt é sobre a América de cem anos depois. Ali, no
Texas, são os criadores de gado que estão estabelecidos e representam a
Tradição. E o petróleo representa a Modernidade. Todo mundo no Texas está
vendendo suas terras para as empresas petrolíferas, e há toda uma filmografia
sobre essa época de transição. Um grande filme a respeito é Assim Caminha a Humanidade (“Giant”, 1956)
de George Stevens, onde a descoberta do petróleo desequilibra relações de poder
onde até então mandavam os criadores de gado.
O roteiro (baseado num romance de Larry McMurtry) é de Harriet Frank Jr. e Irving Ravetch. Hud Bannon (Paul Newman) é o mau-caráter charmoso que
leva todo mundo na conversa, menos seu pai Homer Bannon, um sertanejo da velha
estirpe, que se recusa a permitir a exploração do petróleo porque é um tipo de
atividade econômica inconcebível para ele.
O que é que eu posso fazer com um punhado de poços de petróleo? Eu não posso cavalgar todo dia por entre eles como faço com meu gado. Não posso ajudá-los a crescer, tratar deles, laçá-los, correr atrás deles... nada. Não posso sentir o menor orgulho por eles, porque eles não são uma coisa feita por mim.
– Pegue o telefone e venda todas as reses. Você ainda não está com as mãos atadas. Posso despachar o rebanho inteiro antes mesmo que comecem os testes.– Passar adiante uma mercadoria que pode estar estragada, para os meus vizinhos que estão de boa fé?– Você ainda não tem certeza se está estragada ou não. Posso despachar tudo para o norte antes que a notícia se espalhe.– E correr o risco de espalhar uma epidemia no país inteiro?– O país inteiro vive de epidemias. Onde é que você vive?! Epidemia de controle de preços pelas corporações, programas escrotos de TV, trambiques no imposto de renda, relatórios de despesas falsificados... Quantos homens honestos você conhece? Se tirar um pelo outro, só fica Abraham Lincoln.
– Olha, nunca me senti à vontade com essas coisas. Vítimas? Não seja melodramático. Olhe lá pra baixo. Me diga. Você ficaria mesmo com pena se um daqueles pontinhos ali parasse de se mexer de repente? Se eu lhe oferecesse 20 mil libras por cada pontinho que parasse de se mexer, hein, meu velho, você me diria mesmo que não queria? Ou você ficaria calculando quantos pontinhos daria para poupar?
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
3644) O Banqueiro (29.10.2014)
(ilustração: Benedetta Bonichi)
Na sala do Banqueiro ouve-se música clássica o tempo todo,
mas ele não sabe identificar o que está tocando. A música está ali apenas para atrapalhar possíveis microfones de
espionagem embutidos nas paredes. O
Banqueiro já chegou a fazer reuniões secretas num jatinho, dando voltas sobre a
cidade, para ter certeza de estar a salvo de espiões. O Banqueiro não gosta de
olhar o interlocutor nos olhos. Enquanto conversa, caminha o tempo todo. Prefere trabalhar de pé, diante de uma
bancada de madeira, onde escreve, digita no laptop, telefona, despacha com
funcionários.
Sua casa sempre foi repleta de arquivos, pastas, material de
trabalho por toda parte. É vegetariano, e seu prato preferido são legumes
cozidos. Acha um desperdício o hábito de comidas sofisticadas e bebidas caras:
“É muito mais fácil gostar de qualquer coisa.”
Se os outros comensais pedem uma refeição fina, ele se contenta com
salada de tomate com palmito. Sob suas
ordens, mais de 70 pessoas trabalham em quase absoluto silêncio. Sem risadas, sem ninguém elevar a voz. Pedem comida lá mesmo no escritório; todos
têm hora para entrar mas não para sair.
O Banqueiro lembra saudoso ambientes bancários que conheceu na
juventude: “Existia ali uma disciplina rigorosa, era tudo silencioso, quase
monástico.” O Banqueiro já tentou, sem
sucesso, proibir que seus funcionários lhe dirigissem a palavra, mesmo para dar
bom-dia.
O Banqueiro não passeia, não vai à praia, e seu maior luxo
hedonista é comer um peixe grelhado. Seus exercícios físicos são feitos em
casa, numa esteira. Raramente vai ao
cinema. Costuma perguntar a uma amiga,
frequentadora de teatro, por que ela assiste peças, já que “nada do que
acontecia no palco era verdade”. A
última obra de ficção que se lembra de ter lido é o Ensaio sobre a cegueira
de Saramago. Seu apartamento tem numerosos quadros dos maiores pintores
brasileiros, mas ele não lhes dá muita atenção, pois estão ali apenas a título
de investimento. O Banqueiro admite que
não tem muitas idéias de como gastar dinheiro, e diz que o seu objetivo e o seu
prazer não são o dinheiro em si. “É o negócio,” explica.
quarta-feira, 21 de maio de 2014
3504) O Banco de Ferro (21.5.2014)
O Banco de Ferro só é de ferro simbolicamente. Na verdade ele é feito de números, uma linguagem diferente nos nobres ideais dos cavaleiros e fidalgos de casa real. O “real” deles não se refere a reis, mas a mil-réis, à contabilidade dos empréstimos, a dívidas, percentagens, financiamentos a prazo ilimitado e juros compostos, investimentos de olho no comportamento da coluna da direita, independente do que esteja descrito na coluna da esquerda. Os Bancos funcionam assim, desde os Templários e os judeus do Mediterrâneo até Wall Street.
O Banco de Ferro de Braavos começa a surgir na trama do seriado “Game of Thrones” (HBO). Por trás das batalhas, cercos e massacres de terra e mar que têm se sucedido no continente de Westeros, começamos a tomar conhecimento de uma guerra na surdina, uma guerra menos visível do que a dos estandartes e do fogo grego. É a guerra dos números. Quem deve mais do que pode pagar? Quem poderia vencer as batalhas militares, se tivesse mais capital? Quem pode se apresentar como um parceiro econômico mais favorável e lucrativo, independente de quem seja ou do que queira fazer com o que ganhar?
Corre o risco de o livro sexto ou sétimo das “Crônicas de Gelo e Fogo” vir a se chamar “Inside Job” ou “Margin Call”. Talvez seja uma idéia fixa de minha parte, um pesadelo-da-conspiração em que o mundo inteiro é um teatrinho que justifica e encobre a guerra de cifrões e ouro, a única real, a única que mexe no software das sociedades. Dez mil soldados podem ser degolados sem avanço militar significativo, mas dez mil moedas de ouro depositadas todas num mesmo ponto são peso suficiente para fazer mover alavancas gigantescas.
Os Lannister estão no poder, mas endividados, e por trás dos lambris e das tapeçarias da corte movimentam-se cifrões ágeis como répteis. Um reino sem ouro é algo tão artificial e sem fundamento quanto um cheque sem assinatura. A encenação do poder, mesmo capaz de brutalizar aqui, crucificar ali, massacrar acolá, não é nada sem lastro em padrão ouro. Para o Banco de Ferro, as conquistas militares alheias são verdadeiras festas. Todos recorrem a ele para pagar fantasias, alegorias, músicos, comida, bebida; uma guerra consome mais dinheiro do que um casamento real por dia. Alguém tem que pagar, e para pagar recorre a quem tem. “Quem tem” está muitas vezes financiando com a mão esquerda e vendendo os produtos com a direita. O Banco de Ferro não liga quem governe o continente, contanto que governe sob suas asas financeiras. O Banco de Ferro é uma ameaça tão subestimada e tão invisível quanto os dragões da Khaleesi, mas vai se tornando mais presente a cada temporada que passa.
terça-feira, 22 de outubro de 2013
3323) Eike Batista (22.10.2013)
Eike
Batista é um personagem épico dos nossos tempos, e não digo isto com ironia, ou
melhor, a ironia evidente da frase tem como vítima os tempos, e não o valoroso cavalheiro-de-indústria.
Há pouco tempo ele era o sétimo homem mais rico do mundo, o mais rico da
América Latina, e agora, pelo andar da carruagem, em 2015 vai estar me pedindo
dinheiro emprestado.
A
trajetória de Eike tem tudo a ver com os nossos tempos, os tempos de riqueza
virtual, sem lastro físico na produção, um ouro feito de tinta, uma fortuna
feita de zeros e cifrões em tal quantidade que hipnotizam avalistas e fiadores
incautos. Já tivemos grandes empreendedores brasileiros, desde o Visconde de
Mauá até Delmiro Gouveia, homens que quebraram a cabeça e deram a vida para
fazer deste país uma grande potência de acordo com os critérios deles. Mas Eike
talvez esteja sendo (sua epopéia está longe de ter se encerrado) o que mais de
perto corresponde a uma faceta essencial do caráter brasileiro, aquela que
sempre sonha com um passo mais largo que as pernas, aquela que sempre conta com
o ovo no cu da galinha, aquela que comemora a vitória futebolística com a bola
ainda rolando e o placar em aberto.
Em
2012 Eike tinha uma fortuna avaliada em 30 bilhões de dólares; quebras e
fracassos sucessivos de suas empresas geraram um efeito dominó que reduziu essa
fortuna a 200 milhões, em julho deste ano. No espaço de menos de um ano e meio,
ele perdeu 99% do que tinha. E isto não significa apenas que ele tinha dinheiro
e agora não tem mais. Grande parte do dinheiro dele tinha dono. Era de outras
pessoas (acionistas, credores, emprestadores, etc.), e sua fortuna mudou de
sinal, o “Deve” engoliu o “Haver” e ameaça engolir, como um black hole cósmico,
o próprio aventureiro.
quinta-feira, 20 de junho de 2013
3218) A rua pegando fogo (21.6.2013)
(foto: Rodrigo Motta)
Movimentos
políticos de rua têm de tudo. Jovens preocupados com o futuro do país em que
viverão um dia suas velhices (pensem nisto agora, amigos). Velhos relembrando
os bons tempos da “revolução no ar”. Baderneiros e vândalos. Hippies, hipsters,
ripongas, ripadores de animê. Tímidos que jamais soltariam um berro daqueles na
Av. Rio Branco se estivessem sozinhos. Agentes de extrema-direita e de
extrema-esquerda infiltrados. Gente descontente com os partidos. Militantes ingênuos
para quem o único partido sem políticos corruptos é o seu.
Muitos
que estão ali são meros curiosos, satisfeitos em participar de um momento fora
do comum, porque terão uma história para contar no dia seguinte: “Olha, ninguém
me disse: eu estava lá...”. Entre aquelas dezenas que erguem cartazes e faixas, você vai encontrar lado a lado duas
pessoas que, se parassem para acertar os ponteiros, passariam quatro anos
discutindo sem chegar a um denominador comum. Mas erguem os cartazes,
protestam, cantam hino, andam lado a lado, e cada um deles acredita que está
indo na direção certa. Podem até estar.
Manifestação
tem skinhead, aposentado, marqueteiro, universitário jubilado, balconista,
comerciante, batedor de carteira, vendedor de picolé, trotskista, keynesiano,
sadomasoquista, evangélico, flanelinha. Tem modelo-e-atriz, manicure, perua,
piranha, filhinha da mamãe, filhinha do papai, socialite, socióloga, feminista, doméstica, filósofa, poetisa,
cobradora de ônibus. Todos tentam, num
momento assim, encontrar um movimento coletivo que lhes dê a sensação de serem
um só, sem ao mesmo tempo desbastar as arestas de individualidade que os
definem.
(OBS. texto escrito na 4a-feira, 19 de junho, após o pronunciamento conjunto de Alckmin & Haddad)
segunda-feira, 17 de junho de 2013
3215) Não são 20 centavos (18.6.2013)
Tudo indica que esta semana também vai ser de gente
protestando nas ruas e a polícia descendo o cassetete. Dizem as autoridades e
uma parte da imprensa que as manifestações têm como objetivo o vandalismo. É
mentira. Vândalos e desordeiros se infiltram em qualquer multidão, até em
torcida de futebol comemorando título. Alguns são manifestantes que querem
sinceramente protestar mas também aproveitam para descarregar a raiva em
vidraças e lixeiras. Outros são os habituais arruaceiros inimigos infiltrados,
agindo contra a manifestação para sujar sua imagem. (É o que em política
partidária se chama a “turma da pesada”, que ganha para ir aos comícios dos
adversários e aprontar confusão.) E existem baderneiros que nem sabem do que se
trata, não estão nem aí para o motivo da passeata, querem apenas a adrenalina
do confronto e da depredação. Nenhum protesto de rua consegue se vacinar
totalmente contra esses três tipos, mas isso não é motivo para proibir os
protestos.
Protestos na rua não agradam a todo mundo. Causam
transtorno, sim. Já fiquei preso no trânsito, já perdi compromisso, já me
prejudiquei. Quem está numa ambulância pode se prejudicar mais ainda. Mas a
verdade é que certas mudanças só acontecem depois que o caldo entorna.
Autoridades são meio surdas, não escutam indivíduos, mas escutam multidões. Se
um governo pudesse apertar um botão e acabar com as passeatas, qualquer um
deles – direita, esquerda, centro – faria isso. Governo não gosta de protesto,
gosta de voto.
O aumento nos preços das passagens coincide com muitos
outros problemas (educação, segurança, moradia, meio ambiente, saúde) e, numa
conjunção perversa, com a Copa das Confederações. E aí fica insultantemente visível
o compromisso dos nossos governos (federal, estaduais, municipais) e todos os
partidos com o capitalismo internacional, representado neste caso pela Fifa. O
povo gosta de futebol, mas não gosta do modo sobranceiro, arrogante e acintoso
com que a Fifa entra na casa alheia ditando ordens, impondo seus esquemas de
exploração comercial, tratando nosso governo e nosso povo como capachos.
terça-feira, 14 de maio de 2013
3185) Viva o Socialismo (14.5.2013)
(Antonio Cândido)
Uma entrevista recente do crítico literário Antonio Cândido (http://bit.ly/qVH0r1) ao jornal Brasil de
Fato andou dando o que falar nas redes sociais, onde há muita gente que ouviu
o galo cantar e não apenas não sabe onde, mas desconhece o que seja um galo e o
que seja um cocoricocó. Pensa que ouviu a buzina de um carro.
Cândido afirmou, com a simplicidade com que fala de literatura, que o socialismo é uma doutrina triunfante, porque deve-se a essa doutrina a maior parte das conquistas sociais coletivas do nosso tempo.
Muita gente acha que “ser triunfante” é conquistar o Poder, a Presidência da República, o Trono, ou então ter mais dinheiro, mais bancos ou mais exército.
Cândido afirmou, com a simplicidade com que fala de literatura, que o socialismo é uma doutrina triunfante, porque deve-se a essa doutrina a maior parte das conquistas sociais coletivas do nosso tempo.
Muita gente acha que “ser triunfante” é conquistar o Poder, a Presidência da República, o Trono, ou então ter mais dinheiro, mais bancos ou mais exército.
Diz Cândido:
“O que é o socialismo? É o irmão-gêmeo do capitalismo, nasceram juntos, na revolução industrial. É indescritível o que era a indústria no começo. Os operários ingleses dormiam debaixo da máquina e eram acordados de madrugada com o chicote do contramestre. Isso era a indústria. Aí começou a aparecer o socialismo.
Chamo de socialismo todas as tendências que dizem que o homem tem que caminhar para a igualdade e ele é o criador de riquezas e não pode ser explorado. Comunismo, socialismo democrático, anarquismo, solidarismo, cristianismo social, cooperativismo... tudo isso. Esse pessoal começou a lutar, para o operário não ser mais chicoteado, depois para não trabalhar mais que doze horas, depois para não trabalhar mais que dez, oito; para a mulher grávida não ter que trabalhar, para os trabalhadores terem férias, para ter escola para as crianças. Coisas que hoje são banais.”
“O que é o socialismo? É o irmão-gêmeo do capitalismo, nasceram juntos, na revolução industrial. É indescritível o que era a indústria no começo. Os operários ingleses dormiam debaixo da máquina e eram acordados de madrugada com o chicote do contramestre. Isso era a indústria. Aí começou a aparecer o socialismo.
Chamo de socialismo todas as tendências que dizem que o homem tem que caminhar para a igualdade e ele é o criador de riquezas e não pode ser explorado. Comunismo, socialismo democrático, anarquismo, solidarismo, cristianismo social, cooperativismo... tudo isso. Esse pessoal começou a lutar, para o operário não ser mais chicoteado, depois para não trabalhar mais que doze horas, depois para não trabalhar mais que dez, oito; para a mulher grávida não ter que trabalhar, para os trabalhadores terem férias, para ter escola para as crianças. Coisas que hoje são banais.”
Se alguém fosse esperar que os capitalistas criassem
creches, dessem plano de saúde, garantissem salário-mínimo e carteira assinada,
etc., ia morrer ao relento. O Capitalismo só fez essas concessões porque foi
pressionado pela ameaça socialista; preferiu entregar os anéis para não perder
os dedos.
O Capitalismo, então, é a encarnação do demônio? Não: é a encarnação do Homem, de seu impulso de criar, de competir, de produzir, de crescer, de ser melhor, de ser maior, de lutar, de acumular e multiplicar. Só que esse é o nosso lado egoísta, individualista, reptiliano. Precisa ser contrabalançado pelo nosso lado gregário, solidário, compassivo, capaz de enxergar os interesses do grupo e não apenas os do indivíduo. Um equilibrando o outro.
O Capitalismo, então, é a encarnação do demônio? Não: é a encarnação do Homem, de seu impulso de criar, de competir, de produzir, de crescer, de ser melhor, de ser maior, de lutar, de acumular e multiplicar. Só que esse é o nosso lado egoísta, individualista, reptiliano. Precisa ser contrabalançado pelo nosso lado gregário, solidário, compassivo, capaz de enxergar os interesses do grupo e não apenas os do indivíduo. Um equilibrando o outro.
sábado, 20 de abril de 2013
3166) Os Davis e os Golias (21.4.2013)

(Clayton Christensen)
Li mais duas matérias, num curto intervalo, dizendo sempre a
mesma coisa. As megaempresas estão entrando num atoleiro preparado por elas
mesmas, por seus métodos “certinhos” de buscar maxieficiência; e no espaço de
seu desmoronamento surgem empresas pequenas, rápidas, que (ao contrário delas)
correm riscos, fazem apostas, e se contentam com lucros menores mas certos.
A Wired de março traz uma entrevista (http://bit.ly/X3bbHe) com Clayton Christensen,
autor de The Innovator’s Dilemma (1997) e The Innovator’s Solution (2003),
onde argumenta que as grandes empresas preocupam-se demais com “fazer tudo de
acordo com o manual” e isto lhe tira a flexibilidade de intuir o futuro e
adaptar-se a ele. São dependentes do que já têm, e do que já sabem e podem
fazer. E são vulneráveis ao que ele chama “inovações disruptivas” – invenções
ou processos criados por companhias menores, menos lucrativas, mais ágeis, mais
aflitas, precisando arriscar tudo numa cartada. Quando a cartada dá certo, a
pequena companhia se agiganta e as gigantes desmoronam. Christensen apontou
isso no mercado de disk-drives, de injeção eletrônica de carros, de cerâmica.
Christensen foi chamado pelo CEO da Intel, Andy Grove, e
disse-lhe: “Não tenho uma opinião sobre a Intel, mas minha teoria tem”.
Alertado, Grove comprou duas companhias pequenas (Cyrix e AMD) e produziu o
processador Celeron. Christensen vê algumas área onde, agora, os Golias estão
sendo engolidos pelos Davis: jornalismo, mercado editorial, tudo (segundo ele)
“que depende de publicidade”, e a educação de alto nível. Jornalismo e educação
estão começando a enfrentar concorrência via Web. A concorrência é heterogênea,
difusa, mas de vez em quando surge um foco de alta qualidade. Ele cita um curso
online de contabilidade da Brigham Young University que ajudou a fechar o curso
de contabilidade de Harvard.
Algo parecido diz Bill Harris em seu blog Dubious Quality (http://bit.ly/XHZcBL), comparando o mercado de
videogames com o de petróleo. As grandes companhias cresceram tanto que cada
passo que dão custa fortunas. Só podem apostar no que é 100% certo (o que é
raro aparecer). Resolvem comprar pequenas companhias de filão lucrativo, mas o
leilão com os concorrentes é pesado. O lucro delas se torna um prejuízo: o
preço não compensa.
segunda-feira, 15 de abril de 2013
3161) Executivos zumbis (16.4.2013)
Um título assim é muito sugestivo para uma comédia de
terror, mas a história por trás dele, além de real, é muito pouco cômica.
“Zombie Executives” é o termo que está sendo adotado nos EUA para designar
CEOs, diretores, etc. de empresas que, mesmo quando a empresa vai mal, não
podem ser demitidos.
Numa empresa que tem acionistas, estes votam periodicamente
para os cargos de direção e, se o desempenho dos atuais diretores é considerado
insatisfatório, eles são substituídos. Afinal, é o dinheiro dos acionistas que
eles estão administrando. Ou seja: as empresas funcionam mais ou menos como as
repúblicas democráticas dizem funcionar. Votamos em prefeitos, governadores, presidentes,
etc., e quando achamos que uma determinada equipe não está cuidando bem das
coisas, votamos em seus adversários.
Mas no mundo corporativo norte-americano o bicho está
pegando. Numa matéria no “NY Times” (http://nyti.ms/1102n32)
James B. Stewart diz conhecer pelo menos 41 casos em que os diretores perderam
direito ao cargo por ter recebido menos de 50% dos votos de confiança dos
acionistas, mas que mesmo, assim continuam a exercê-los, baseados em firulas legais.
Uma delas é o uso do chamado “sistema de pluralidade”, em que os diretores
concorrem sem oposição e basta terem um voto para serem eleitos. Em outros
casos, como na Iris International (empresa da área médica, na Califórnia) os
acionistas rejeitaram todos os 9 diretores numa votação em maio de 2011. Os
diretores renunciaram coletivamente aos seus cargos e ao mesmo tempo rejeitaram
essa renúncia; e continuaram à frente da empresa.
Stewart dá
nomes a muitas delas: Loral Space & Communications, Mentor Graphics, Boston
Beer Company, Vornado Realty Trust, Chesapeake Energy, Oklahoma State
University, Union Pacific… Em alguns casos os CEOs tiveram 70% de
rejeição, mas os acionistas – teoricamente os donos da empresa – não conseguem
mandá-los embora.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
3091) A tragédia americana (24.1.2013)
Os EUA parecem estar escorregando para um dos períodos mais
sombrios da sua História. Até eu, que
não tenho nada a ver com isso, perco o sono às vezes por causa deles. Agora, o
país atingiu mais uma vez seu limite máximo de endividamento. Esse teto agora é
de 16 trilhões de dólares; vão faltar zeros no mundo no dia em que essa dívida
for cobrada. Barack Obama vive fazendo um vale-tudo junto ao Congresso, pedindo
permissão para se endividar ainda mais. (É o mesmíssimo caso que já encarei
tantas vezes: nossa turma bebia a noite inteira, e quando chegava a conta o
dinheiro não dava pra pagar. O que a gente fazia? Pedia mais cerveja enquanto
procurava uma solução.)
Militarmente o país está mais encrencado do que nunca, e o fato
de ter saído do Iraque é um pálido consolo diante do gigantesco fracasso
militar e político desse pesadelo auto-induzido. Nas tropas norteamericanas
acontece um suicídio por dia; mais soldados morreram pela própria mão do que
mortos pelo inimigo. Quem é o Inimigo, então? A tragédia recorrente da América
é invadir um país primitivo alegando democratizá-lo a poder de fogo, sofrer uma
derrota ridícula e sair do país deixando a situação pior do que estava quando
entrou.
Além disso, periga se tornar um dos lugares mais paranóicos
e reacionários do mundo. O
fundamentalismo religioso deles é diferente dos nossos evangélicos do Brasil,
que só querem mesmo pegar o dinheiro dos bestas. Os de lá acreditam mesmo no
que dizem. Pobre América de Walt Whitman, o poeta da fraternidade, da igualdade
entre irmãos, da aventura de construir um grande sonho coletivo de uma
civilização simples, voltada para o trabalho manual e o cultivo do espírito. É
essa América (o sonho talvez impossível dessa América, dessa nova chance de
utopia para um mundo cansado de impérios armados) que seduziu jovens do mundo
inteiro, quando surgiu no século 20 como uma alternativa real para a Europa com
seus colonialismos e totalitarismos, seu sistema rígido de classes e clãs, sua
decadência.
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
3031) Vamos salvar a Grécia (15.11.2012)
(O Desprezo, de Godard)
Numa entrevista que deu este ano à imprensa, Jean-Luc Godard sugeriu
uma solução pouco ortodoxa para a crise econômica da Grécia. Como se sabe, a
Grécia entrou para a União Européia como aquelas enormes famílias suburbanas
que mal arranjam um dinheirinho vão morar num condomínio de luxo. Eles
descobrem que viver num condomínio de luxo é muito bom para os que desfrutam do
luxo, mas nem tanto assim para os que pagam o condomínio. A Grécia tem
certamente uma elitezinha, uns “aristos” que multiplicaram por dez suas posses
e suas contas na Suíça, mas o povo grego está pagando caro pelo sonho de ser
rico.
Godard tem uma solução. Ele nos lembra que os gregos nos deram a
filosofia, a lógica, o encadeamento conseqüencial de raciocínios e argumentos,
e que tudo isto está cristalizado na palavra “logo”, como a usamos em “penso,
logo existo”. Esta palavrinha nos permite conectar conclusões do pensamento. E
Godard sugere que comecemos a pagar direitos autorais por ela, já que é uma
criação do pensamento grego. Vivemos numa sociedade em que é preciso pagar cada
vez que utilizamos as palavras ou as idéias de alguém. Então, comecemos pelo
começo de tudo – a Grécia Antiga!
Diz Godard: "Se formos obrigados a pagar dez euros à Grécia cada
vez que usarmos a palavra 'logo', a crise acabará em um dia, e os gregos não
precisarão vender o Partenon aos alemães. Temos no Google a tecnologia para
rastrear todos esses 'logos'. Podemos até cobrar das pessoas pelo iPhone. A
cada vez que Angela Merkel disser aos gregos 'nós emprestamos todo esse
dinheiro a vocês, logo vocês precisam nos pagar de volta com juros', ela será
obrigada, logo, a pagar primeiro aos gregos pelos royalties."
Godard é cruel com os algozes e com as vítimas. Ou melhor: ele mostra
o quanto este mundo fraturado pelo dinheiro é cruel com ambos. A Alemanha se
julga um Monte Olimpo de estabilidade e conforto, e se irrita com a presença
física dos migrantes ou com a presença econômica das nações amigas, de pires na
mão, pedindo ajuda. Pois é... Por que tanta coisa na nossa civilização é
compartilhada gratuitamente, mas em alguns domínios é preciso pagar, pagar,
pagar? E nós, que cultivamos uma coisa
metade profissão metade paixão, temos que dizer a toda hora, a todo mundo: Você
vai ter que pagar pelos meus livros, meus filmes, minhas canções. Vai ter que
pagar pelas minhas idéias, opiniões, críticas, conselhos. Vai pagar pelas
minhas perguntas e pelas minhas respostas. Vai pagar pela minha conversa, pela
minha companhia, pela minha presença. Vai ter que pagar pelo abraço, pelo
beijo, pelo sexo, pelo olhar. Vai pagar assim tão caro, somente pra me ouvir e
ver?
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
3006) Pobre com carro (18.10.2012)
(Pawla Kuczynskiego)
Freud dizia que o dinheiro não
traz felicidade porque não é um desejo de infância. Talvez seja por isto que a
posse de um automóvel enche de lágrimas felizes os olhos de tantos brasileiros.
Desde os primeiros cambaleios infantis esses pobres diabos são induzidos a
puxar por um cordão uma traquitana qualquer com quatro rodas e a produzir
onomatopéias tipo rom-rom-rom e pi-biiit.
Para milhões desses desventurados, o
carro torna-se o mais multifuncional dos símbolos. Ele é rito de passagem para
o mundo adulto, é diploma de ascensão social, é triunfo tecnológico sobre o
Espaçotempo, é alcova sobre rodas, é escafandro protetor contra os esbarrões da
plebe, é talismã semiótico, é prótese locomotora em quatro dimensões...
O verbo
ser é um conceito abstrato, metafísico, mas ganha carne, osso e metal com este sinônimo
reluzente: “ter um carro”.
Muitos amigos meus dizem que
pagariam qualquer preço por um frasco de perfume com “cheiro de carro novo”, e
só não mango porque eu, por exemplo, gosto de cheiro de livro velho (mas não,
não compraria um frasco de perfume, compraria um livro velho – como se tivesse
poucos).
E assim não é difícil entender
porque nossas cidades não funcionam, nosso transporte público é uma porcaria,
nossos urbanistas fazem as pessoas se adaptarem ao trânsito e não o contrário.
Diz-se mundo afora que “país rico não é aquele onde pobre tem carro, é aquele
onde rico anda em transporte público”.
Duvido que vejamos o Brasil ser assim um dia. O sonho dos governos brasileiros
e da indústria brasileira é termos um dia 200 milhões de carros para 200
milhões de pessoas. E as cidades que se explodam.
A psicose automobilística endivida milhões de famílias
hipnotizadas pela fantasia de ascensão social e inviabiliza as cidades. Cidades
deformadas e desfiguradas pela ideologia individualista do cada-um-por-si, onde
usar transporte público ou é uma tortura (onde ele é entregue às baratas) ou é
humilhante mesmo onde ele tem boa qualidade. Refugiar-se no carro é a
derradeira ilusão da classe média. Ela imagina estar melhorando de vida e está
apenas trocando a pobreza por uma engorda-para-abate, uma espécie de
empobrecimento financiado que a leva a trabalhar e produzir cada vez mais para
ficar com cada vez menos.
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
2992) "Margin Call" (3.10.2012)
A atual crise financeira, depois da catástrofe de 2008, foi
provisoriamente neutralizada, mas com efeitos colaterais gravíssimos, como se
pode ver na quebradeira geral de países como Grécia, Portugal, Espanha e
outros. Para que os Bancos (envolvidos em absurdas negociatas) não fossem todos
à falência de uma vez só, o que de certo modo acabaria com a civilização como a
conhecemos, os governos injetaram ali trilhões de dólares e de euros que
precisam vir de algum lugar. De onde vêm? Dos programas sociais e
previdenciários dos países. Ou seja: para curar a doença vai ser preciso matar
o paciente.
Revi The Corporation (2003, de Mark Achbar e Jenniffer
Abbott, http://bit.ly/id3zO1), um
documentário que prova, a seu modo, que as grandes corporações são semelhantes
aos psicopatas criminosos: pensam apenas no próprio benefício, ignoram acordos,
não dão importância ao sofrimento alheio, etc. Vi e comentei aqui Trabalho
Interno (2010, de Charles Ferguson, http://bit.ly/arg7hS),
analisando a crise de 2008: em consequência da desregulamentação da especulação
financeira, as empresas produziram lucros fantásticos para si e para seus
executivos, mesmo sabendo que aquele dinheiro inexistente teria que ser coberto
mais cedo ou mais tarde – pela população, é claro.
Agora, vi este longa de estréia de J. C. Chandor, em 2011 (http://bit.ly/SVR2ge). A história se passa ao
longo de dois dias de crise numa grande financeira que parece ter sido
inspirada na Lehman Brothers, uma das vítimas de 2008. Um funcionário alerta
seus chefes que a firma está prestes a falir pelo acúmulo de “papéis sem
valor”. Segue-se uma tensa rodada de reuniões e negociações internas que se
estende madrugada afora, e na qual rolam várias cabeças na estrutura de
comando. A firma opta pela solução mais catastrófica, mas a única que pode
salvá-la: vender todos os papéis, de uma vez só, no dia seguinte – e recuperar
parte do dinheiro, antes que o mercado perceba o que está sendo feito. Com
isto, é claro, a firma escapa, mas arruína seus clientes e provoca o “estouro da
boiada” no mercado. O que aconteceu.
domingo, 23 de setembro de 2012
2984) O fim do mundo (23.9.2012)
Peço desculpas pelo tom catastrófico deste título. Dada a importância
do assunto, pensei em intitular esta coluna “Mulher pelada!”, para atrair mais
leitores, mas o título acima me parece mais honesto em função do conteúdo. Ver
e rever o filme Trabalho Interno (Inside Job, 2010), documentário de Charles
Ferguson sobre a crise financeira de 2008 (que não acabou ainda – o mundo
continua vivo, respirando com a ajuda de aparelhos) me leva a pensar neste
episódio emblemático do gangsterismo denominado “capitalismo financeiro”, que
arruinou centenas de milhões de famílias pelo mundo afora. O filme ganhou o
Oscar de Melhor Documentário, uma atitude corajosa da Academia, ou talvez nem
tanto - fico imaginando quantos dos seus membros perderam suas poupanças devido
às maracutaias que o filme denuncia e expõe.
Duas coisas aconteceram. De um lado, a omissão dos governos
em fiscalizar esse mercado, impor limites, atribuir responsabilidades,
investigar os delitos e punir os transgressores. (É para isso que existem os
governos, amigos, e isso, por incrível que pareça, não é cerceamento das
liberdades individuais. Pelo contrário.) Do outro lado, a emergência de uma
casta de executivos, economistas, altos funcionários, advogados e políticos que
descobriram uma maneira rápida de fabricar dinheiro imaginário tendo como matéria-prima
o dinheiro real dos correntistas e aplicadores.
Esse dinheiro real era multiplicado 100 ou 200 vezes numa ciranda de
transações cada vez maiores, pagando dividendos fantásticos. E criando uma
situação de extremo risco, porque era um castelo de cartas. No dia em que
tombou a primeira, tombaram todas.
Quando os correntistas e aplicadores perguntavam timidamente
se aquilo era seguro, todos os consultores diziam que sim, sem dúvida. Mesmo
sabendo que não era. É impressionante a
cara-de-pau deles no filme, interrogados nas CPIs, tirando o seu da reta e
dizendo que o que tinham passado para os clientes “era apenas uma opinião”, e
que os clientes seguiram aquela opinião porque quiseram. Uma super-fraude
organizada para enriquecer às custas dos leigos; uma farra que durou quase uma
década.
Eu já tinha visto esta história por alto nos
telejornais da época, mas é outra coisa ver os principais trambiqueiros (e os
principais denunciantes) entrevistados por quem entende do assunto. Não vou
transcrever aqui a cadeia de fatos, os números, os episódios. Está tudo no
filme (em qualquer locadora, com versão comentada pelo diretor, ou para
download aqui, com legendas: http://bit.ly/QseKmX),
no websaite do filme (http://www.sonyclassics.com/insidejob/), e
por aí afora. Poderia se intitular: ”O Começo do Fim”.
Assinar:
Postagens (Atom)

















