(Max Klinger)
Eu sei. Eu sei que, avaliando bem, parece uma situação
forte-apache-cercado-pelos-índios, mas dane-se, melhor cercado pelos índios
dentro de um Forte Apache do que a pé, no descampado, tendo no bolso um
canivete cego. Nenhuma situação é irremediável. Pra tudo na vida tem um jeito.
A esperança é a última que morre. Bora jogar clichê por cima da paliçada e
derrubar esses índios, não tem tribo que consiga fazer a reposição, porque o
repertório de clichês positivistas e de auto-ajuda na língua portuguesa
ultrapassa de muito o poder de expansão demográfica dos nativos americanos.
Segure as pontas. Arroche o cinto. Assungue os cunhão da alma, e bora em
frente.
No fim tudo dá certo, e se não está dando certo é porque
ainda está longe do fim. Tudo está bem quando acaba bem, disse Shakespeare, e
se o maior poeta do mundo disse isso quem sou eu para jogar a toalha, bater
pino, correr de campo, baixar a crista? Eu vou é em frente. Vai dar certo. Vai
melhorar. Vai dar certo sim, e é como dizia Augusto Matraga com fervor de
cristão recém-convertido: “Pro céu eu vou, nem que seja a porrete!”. Daqui a
pouco as coisas se aprumam. Se as coisas não se aprumarem, basta pespegar nelas
um bom safanão, um contravapor daqueles de braço em recuada, que bote moral e
mostre quem manda nessa tiborna. As coisas que se cuidem comigo, porque essa
bixiga vai dar certo.
