(ilustração: John Schoenherr)
As razões de tantas metáforas climáticas: “o céu amanheceu
tempestuoso no Congresso”, “esta semana o governo navegou em águas mais
tranquilas”, etc. Política e fenômenos atmosféricos obedecem a algoritmos de
dinâmica semelhante. Seria interessante criar alguns critérios para avaliar o
fluxo e o refluxo dos fatos políticos, num período qualquer; e depois comparar
essa velocidade de respostas das massas à chegada do rádio, depois da televisão
doméstica, depois da Internet, depois das redes sociais.
O viajante do tempo, na novela de H. G. Wells, empurrava
para a frente a alavanca propulsora de sua Máquina, e em dois segundos víamos
uma flor desabrochar e uma fruta apodrecer. O movimento das populações humanas,
acelerado artificialmente por meios cibereletrônicos (tal como a pulp fiction
prevê há quase um século), reage como um polvo que leva um choque de teiser ou
como uma rã galvanizada. Amostragens de
reações que antes se colhiam em trinta anos colhem-se hoje em trinta meses. A
lentidão dos fatos é ilusória, tudo está se acelerando, o vórtice já foi
acessado, não há retorno nem destino.
O objetivo desse estudo, no entanto, não seria o de usar a
meteorologia para prever o comportamento de candidatos, partidos, líderes em
seus cargos, e o das diferentes massas, cortadas por diferentes filtros, que
votam neles. (Imagino um enredo: Um grupo terrorista desenvolve um programa de
hipno-treinamento capaz de inculcar nos que dele se beneficiam comandos de
auto-destruição mediante senhas em voz alta que deflagrarão neurodetonadores em
três pontos do cérebro. Os portadores inocentes desse comando serão promovidos,
empregados, bajulados, terão sempre grupos que se aproximam sorridentes,
apresentam-se a eles e os ajudam a galgar em poucos anos os degraus do poder.
Um deles será candidato a presidente de uma nação. E na noite do debate final
com audiência de 100% dos aparelhos e zero total na concorrência, o desafiante
pronunciará a senha ao fazer-lhe uma pergunta, e a cabeça dele vai explodir em
todas as direções.)

