("Cadavre exquis", desenho coletivo de Man Ray, Joan Miró, Max Morise e Yves Tanguy, cerca de 1927)
Arte experimental é outra coisa, e francamente não vejo
nenhuma arte não-experimental que não tenha tido origem em algum tipo de
experimento. “Experimento”, no caso, tem menos de experiência científica em laboratório
(onde em geral se testa algo já com uma idéia do que pode resultar) e um pouco
mais do experimento lúdico de uma criança diante de um material desconhecido,
uma engenhoca nova, uma situação inesperada, um objeto que ela não sabe para
que serve. O experimento lúdico não se
faz “contra” um conceito ou um ponto de vista alheio, e não se faz “na direção
de” um objetivo imaginado pelo experimentador.
A arte experimental não tem passado nem futuro, é apenas o momento
presente, o aqui e agora de quem está se fascinando por uma novidade, ou
quebrando a cabeça para desenganchar uma coisa que não dá certo, ou apenas se
divertindo. A arte experimental nasce das histórias que um pai conta ao filho
antes do sono, dos rabiscos que se faz num papel durante um telefonema, das
melodias que saem quando a gente muda a afinação do violão e arpeja pra ver no
que dá, dos improvisos cênicos de atores brincando de brincar. Arte
experimental é forma pela forma, e esta é sua interface com as vanguardas, que
muitas vezes, em busca de oxigênio criativo, recorrem a esse prazer da forma
para tentar abrir uma janela onde só existiam paredes.


