Um relançamento recente nos EUA tem motivado novas discussões sobre o
tema: o do romance Little, Big (1981)
de John Crowley, um clássico moderno, que na época em que saiu ganhou o World
Fantasy Award, e recebeu elogios entusiasmados do crítico Harold Bloom, que o
incluiu no seu livro O Cânone Ocidental.
Diz Bloom, comentando a obra de Crowley:
Diz Bloom, comentando a obra de Crowley:
“Little, Big” me parece tão miraculoso quanto Shakespeare ou Lewis Carroll: é como se o livro sempre tivesse estado aqui, tal como se Falstaff ou Humpty Dumpty estivessem aqui desde o princípio das coisas, e Shakespeare e Carroll os tivessem simplesmente encontrado. Sempre tive a impressão de que “Little, Big” já estava aqui e John Crowley apenas o encontrou e o trouxe para casa, a dele e a nossa.
(prefácio a Snake’s Hands: The Fiction of John Crowley, trad. BT)
Marge ficou parada na porta observando-a, repleta da estranha sensação de que tinha sido apenas para essa visita tão rápida que ela tinha vivido toda sua longa vida. Que esse chalé à beira da estrada e essa lanterna em sua mão e toda a série de acontecimentos que a fizeram existir tinha como único objetivo fazer com que aquela visita acontecesse. (p. 532, trad. BT)
E no entanto ele precisava apenas sentar diante da maltratada máquina de escrever (e como ela sofria!...) para que os capítulos começassem a se desdobrar tão habilmente e tão impossivelmente quanto uma fila interminável de lenços-de-seda coloridos que um mágico extrai da própria mão vazia. Como fazer uma história terminar com a promessa de que não terminará nunca? (p. 572)
Porque o Tirano, Russell Eigenblick, não seria esquecido. Um longo período de tempo se estendia diante do seu povo, um tempo amargo em que aqueles que se opuseram a ele iriam, na aus ausência, se voltar uns contra os outros, e a frágil República seria partida e recomposta de vários modos diferentes. Naquele longa disputa, uma nova geração viria a esquecer os sofrimentos e as dificuldades que seus pais haviam sofrido no tempo da Besta, iria olhar oara o passado com nostalgia crescente, com a dor profunda de uma perda, para aqueles anos já além do horizonte da memória viva, para aqueles anos em que, parecia-lhes, o sol sempre estava brilhando. (pág. 694)
Aqui, escrevi sobre o ótimo The Translator:



