Recentemente, no VII Fantasticon (São Paulo), participei
juntamente com o escritor Luiz Braz de um debate sob o tema “Nós, Ciborgues –
Nosso Futuro Pós-Humano”. Luiz, que tem escrito nos últimos anos uma ficção
científica complexa e elaborada (incluí um conto dele em minha antologia Páginas do Futuro, pela Casa da Palavra) lembrou que estamos nos aproximando
de uma época em que os órgãos humanos começam a ser não somente substituídos
por próteses cibernéticas, mas substituídos com expansões inesperadas. E citou
o exemplo de um inglês que, tendo um defeito na vista que o leva a ver tudo em
preto e branco, fez implantar sensores especiais que transformam em sons as
impressões cromáticas, o que lhe possibilita, literalmente, “ouvir as cores” do
ambiente à sua volta. E perguntou: não será que a ciência desta vez está muito
mais adiantada do que a ficção científica?
Os ciborgs já são até meio antigos na FC. A pesquisadora
Lúcia Santaella prefere o adjetivo “bio-cibernético” aplicado a esses corpos, e
esse termo me evoca de imediato o romance A Era dos Biocibs, de Jimmy Guieu
(1960), onde o termo já aparecia. De um modo geral, ciborgues ou seres
biocibernéticos são seres humanos aumentados, com diferentes funções. Em Limbo (1952) de Bernard Wolfe, braços e pernas com sistemas hidráulicos
substituem os membros orgânicos voluntariamente amputados. Em Neuromancer (1984) de William Gibson o cérebro dos personagens é plugado numa rede de
computadores. Em “Scanners live in vain” (1950) de Cordwainer Smith, humanos
são capazes de controlar e monitorar funções e sensações corporais.


