https://www.elmundo.es/magazine/m84/textos/bello1.html
Era um catalisador nato, e fez parte da turma de Olavo
Bilac, Aluísio Azevedo, José do Patrocínio, Guimarães Passos, e tantos outros.
Meu pai se deliciava com o livro No Tempo
de Paula Nei, de Ciro Vieira da Cunha, na Coleção Saraiva. E sempre tinha
uma advertência a fazer, durante o jantar:
– Você é todo metido e inteligente e a engraçado, mas
cuidado para não virar um Paula Nei, que era engraçado e inteligente mas não
deixou uma obra. Publique livros. Não passe em branco.
Os sonetos de Paula Ney são comuns, banais, sem nenhum
sopro de novidade; meros prolongamentos dos lugares comuns de sua época. Não
foi um grande poeta: foi um grande catalisador, um agitador intelectual. Esta
página, do Recanto das Letras de B.
S. Pereira, recupera um pouco o seu talento. Não chegou a ser um talento
desperdiçado. Digamos que seu talento era estimular o talento dos que o
cercavam, antes de morrer aos 39 anos.
https://www.recantodasletras.com.br/teorialiteraria/44129
