Não era muito fácil a um produtor assim compreender o que se passava na cabeça de pessoas como Herman Mankiewicz ou Orson Welles.
Herman Mankiewicz era um típico roteirista hollywoodiano,
com origem na imprensa escrita e sua tradição de escrever com rapidez e
vivacidade. Cheio de energia, de leituras vastas e desorganizadas, memória de
elefante, grande improvisador, o rei da resposta rápida e da língua ferina.
Pontificava no meio de um grupo de “gatilhos rápidos” mostrados en passant no filme, como Ben Hecht e S.
J. Perelman.
O lado B de Mank, fartamente descrito e comentado no
filme, eram a bebedeira e o vício no jogo, que se juntaram para sabotar sua
carreira e matá-lo precocemente aos 55 anos.
Mank conta a
criação do roteiro de Cidadão Kane do
ponto de vista dele, e não do de Orson Welles, cujo ego crescia na razão direta
do quadrado de sua circunferência abdominal. A briga dele e de Mank sobre “quem
afinal escreveu o roteiro do filme” está documentada, pelo que sei, em dois textos
opostos.

