“Vocês dois me dão cobertura enquanto eu rodeio a casa e ataco a porta dos fundos.” (Bradley Coulton, 25 anos, soldado norte-americano, quarterback dos Kalamazoo Bats, para dois companheiros de batalhão que sobreviveram, durante a tomada da vila de Ancozzo, Itália, 1944.)
“Eu sabia que não dava para confiar em nenhum de vocês.”
(François Cuvillier-Dessange, 78 anos, ex-senador da República,
multimilionário, no leito do hospital, na presença dos seis filhos e de quatro
médicos perplexos que não conseguiram conter a inexplicável reação alérgica que
o vitimou de súbito, 1962.)
“Procurem meu filho. Eu tenho um filho chamado Pablo. Nasceu
em 1975, registrado em Vitória da Conquista. Não sei o nome da mãe dele, eu
conhecia ela por Babete. Digam a ele que a culpa não foi minha.” (Denilson
Lucena, 55 anos, baterista, para a camareira do hotel onde se sentiu mal de
repente, São Paulo, 2011.)
“Vamos ter calma, o barco ainda aguenta uma meia hora, já
que vocês não sabem nadar eu vou buscar socorro, é menos de dois quilômetros
daqui até a praia.” (Kim Sin-Nyeng, 31 anos, coreano de nascimento, piloto de
barco, filatelista amador, após uma explosão no motor que os deixou à deriva,
Japão, 1999.)
“Fique de olho no forno, é pra tirar o empadão daqui a dez
minutos. Vou correndo ali na praça, antes que o banco feche, vai dar quatro
horas, é só atravessar a rua.” (Paula Mesquita, 41 anos, dona de casa,
distraída como sempre, apressada como sempre, cheia de coisas para fazer como
sempre, Porto Alegre, 2005.)
“Só mais uns dois, e a gente volta para almoçar.” (Ilya
Rostov, 33 anos, capricorniano, sniper russo, acreditando pela primeira vez que
seria capaz de bater seu próprio recorde de vinte e seis inimigos derrubados
numa semana, Ucrânia, 2014.)
“Eu estava pensando se não era melhor refazer esses exames
todos, as contagens não estão batendo, e cada vez que eu venho aqui preciso me
estressar para ser atendido.” (Pavel Rotski, 55 anos, agricultor, atormentado
por um mal estar que não o deixava em paz,
e cada vez mais irritado com a lentidão e a má vontade do sistema
estatal de saúde, no qual não confiava nem um pouco, Varsóvia, 1953.)
“Que porra é essa ali na frente?...” (Grant Malloy, 31 anos,
caminhoneiro, viajando desarmado numa noite de neblina, porque achava
suficiente ter dois metros e cento e oitenta quilos, avistando um tronco
atravessado na pista, nos arredores de San Diego, Califórnia, 1987)
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